QUANTUM OF SOLACE INTRO

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

007 A SERVIÇO DOS INIMIGOS

Ian Fleming's
James Bond
in
007 A Serviço dos Inimigos
Edição e roteiro : Magno Moreira da Silva
Cover e Ilustração : Sergio Sales



1. Romance policial: português

© Outubro 2008







Magno Moreira






James Bond Fanfiction
First published by Publishing 2008





James Bond – O agente 007
Quem vê James Bond sempre destemido, pronto para se dar bem em qualquer situação, não supõe que ele foi um menino com problemas escolares e que perdeu os pais no início da adolescência.
O casal Andrew Bond e Monique Delacroix Bond - ele escocês ela suíça - tiveram apenas um filho, James, que nasceu na Escócia em uma data incerta entre 16 e 21 de novembro de algum ano ignorado.Andrew Bond trabalhava como representante estrangeiro da indústria britânica de armamentos Vickers e tinha de viajar por vários países, o que permitiu ao pequeno James iniciar os estudos no exterior.
A infância privilegiada do garoto foi brutalmente interrompida aos 11 anos quando perdeu os pais. Eles sofreram um acidente fatal nas montanhas de Chaminix, nos Alpes. O garoto foi, então, morar com a tia Charmian Bond, irmã de seu pai em uma casa de campo em Pett Bottom, perto de Canterbury, na Inglaterra. Nessa fase James freqüentou escolas públicas britânicas até ingressar, aos 13 anos, no tradicional Eton College, onde havia sido matriculado desde o nascimento pelo pai. De certa forma a morte nas montanhas evitou a Andrew o constrangimento de ver seu filho único , dois anos depois, ser expulso por ter se envolvido com a criada de um dos colegas. Ao que tudo indica seu afã sedutor começava a se manifestar. No tradicional colégio para rapazes, James mostrou ter sido, o tempo todo, um estudante fraco. Quando pequeno não ia bem na escola, não que não fosse capaz. Ele simplesmente se entediava. Uma alma inquieta, Bond era o tipo de pessoa que não conseguia ficar inativa por muito tempo. Era um homem de ação. Sua carreira em Eton foi insignificante. Passou dois anos lá, sobressaindo-se nas atividades esportivas e ignorando as acadêmicas. Foi pego em uma pequena indiscrição com a criada, por isso foi convidado a deixar a escola, pelo que ficou grato. O lugar não significava nada para ele.
Com James longe do Eton, sua tia teve de transferi-lo para o Fettes, antigo colégio de Edimburgo, na Escócia, onde estudara o pai. Um lugar de atmosfera calvinista, que exigia o cumprimento de padrões rigorosos dos seus alunos, tanto do ponto de vista acadêmico quanto esportivo. Ainda jovem, o rapaz aprendeu a jogar golfe, a esquiar e a lutar boxe e judô. Fora os esportes, ele gostava apenas das aulas de história e dos treinos militares. Neste período, ele demonstrou ter sido mais comportado. Durante um feriado em Paris de uma primavera qualquer, James perdeu a virgindade e a carteira na mesma noite. Ao sair do Fettes contou com a ajuda de um amigo do pai da época da Vickers para ingressar no Ministério da Defesa.
James, que tinha 17 anos, precisou mentir sobre sua idade e disse que tinha 19 anos. Após destacadas missões a serviço do exército britânico - quando presumivelmente adquiriu sua cicatriz no rosto - e na categoria comandante da Royal Naval Volunter Reserve, começou a carreira no MI6, o Serviço Secreto Britânico. Aos 26 anos, James ganhou o duplo zero, que lhe deu permissão para matar em serviço quando preciso. Três anos depois, foi condecorado com a Ordem de São Miguel e São Jorge, uma recompensa geralmente atribuída em final de carreira, o que revela a dimensão do seu mérito já nesse período.

Desde que ingressou no MI6, com pouco mais de vinte anos, James Bond mostrou extraordinária vocação para a vida solitária. As constantes viagens a diversos países nunca o incomodaram. Também não se conhecem amigos íntimos ou se ele tem namoradas - 007, no entanto, foi casado duas vezes. É isso mesmo. O agente secreto teve duas esposas. A 1° foi japonesa Kissy Suzuki, com quem teve de se casar durante uma missão. O matrimonio arranjado durou pouco e, na missão seguinte, lá se foi o agente para o altar novamente. Dessa vez, o frio e inabalável agente estava apaixonado pela condessa Teresa Tracy de Vicenzo, italiana que conheceu no Estoril.No caminho da lua de mel, porém, ela foi assassinada numa emboscada, preparada pelo líder da Spectro (Organização chantagista e terrorista), Ernst Blofeld. Até hoje, o agente mau toca no assunto e, ao que parece Bond visitou apenas uma única vez o túmulo da condessa morta aos vinte e seis anos.A oferta de companhia feminina, contudo, nunca foi problema para Bond. Fisicamente, o agente secreto é um homem que já passou dos 35 anos, mede 1,83, pesa 76kg, seus cabelos são negros e seus olhos azuis. Queixo poderoso e firme, tem uma cicatriz na face direita, uma no ombro esquerdo, assim como a marca de uma operação nas costas. Não é somente por essa descrição que é fácil reconhecê-lo. Além de não usar disfarces, quase sempre se apresenta ao interlocutor dizendo o nome e sobrenome verdadeiro. Outra característica indefectível: Bond está sempre elegante vestindo camisas da Índia ou da Jamaica e gravatas de seda preta.
Como qualquer executivo, sua cor preferida é o azul marinho. Usa apenas mocassins, nunca sapatos com cadarços. É mais que por sua forma impecável de se vestir, no entanto, Bond abusa do charme e da inteligência. Fala fluentemente o inglês, francês, e o alemão. Adora bebidas - martini, vinho tinto e champagne - e dirigir automóveis em alta velocidade. E, é claro adora mulheres. Com tantos atributos ele consegue ser admirado até mesmo pelos inimigos, que quase sempre, tentam em vão, capturá-lo. Mas o agente 007 é considerado incorruptível. Em sua carreira no MI6, obteve rapidamente o duplo zero. Bond dá a impressão de ser um funcionário extremamente envolvido com o seu trabalho, mas preferiria não ter de utilizar os apetrechos que recebe a cada missão. Trata-se de um romântico: para ele, as lutas deveriam se resolver apenas no braço ou apenas com arma branca como as facas. Trabalhar muito não é o único vício do agente secreto. Ele come bem e fuma muito, uma média de 60 cigarros por dia. Durante períodos conturbados fuma mais ainda.
Seus cigarros preferidos misturam tabaco turco e balcânico e são fabricados para ele pela casa Morlands, da Grovesnor Street. James Bond carrega quase sempre uma cigarreira de aço, capaz de guardar 90 cigarros, e um isqueiro de metal preto. A rotina estressante é aliada a uma dieta tão pouco politicamente correta. Atleta completo, Bond é um exímio atirador, ótimo boxeador e lançador de facas - geralmente carrega uma escondida ao longo do seu antebraço esquerdo - e possui bons conhecimentos de Judô e Esgrima. O agente vive sozinho com sua empregada May, em um pequeno apartamento em Chelsea em Londres. Longe das viagens a trabalho, permanece das 10 às 18 horas em seu escritório, num insuspeito prédio em Regents Park, que é sede oficial da empresa em que trabalha, a Universal Exports - na verdade, o Serviço Secreto Britânico. É uma forma de combater uma vida solitária, pois não tem parentes vivos. Bond costuma dizer que gostaria de se casar com uma aeromoça, "que vai sempre sorrir e se ocupar de mim, servindo-me pratos quentes e perguntando se preciso de mais alguma coisa" . Na falta de uma aeromoça comenta que uma japonesa serviria, afinal elas tem uma noção bem exata do casamento.

Considerações sobre 007 A Serviço dos Inimigos

Escrever é uma arte para poucos, é por isso que o que fiz nas próximas páginas na verdade foi “tentar” escrever uma trama de James Bond, mesmo por que nunca fui bom nisso, nem aquelas famosas cartas de namorados jamais escrevi na minha vida.
Mesmo que esta trama tenha a finalidade de homenagear o criador de James Bond, não optei por seguir-lhe o estilo, não por não gostá-lo, mas sim por saber que não conseguiria reproduzi-lo a altura.
Não pretendi também criar outro Cassino Royale ou Goldfinger, não de modo algum, quis colocar na trama um pouco da minha própria personalidade, o Bond que vai fazer parte dessa trama tem até mais a ver com os meus próprios conceitos do que os do grande criador deste cativante personagem atemporal.
Essa foi a forma que encontrei para homenagear Fleming no ano do seu centenário, mesmo por que sempre tive comigo o pensamento de que Fleming era de fato James Bond, mais um exemplo da união homogênea entre criador e criatura.

Homenagem através de Fragmentos

Em dois trechos da trama fiz uma colagem de fragmentos escritos por Ian Fleming, a primeira está no final do capítulo 6, onde há a descrição detalhada de James Bond manuseando a sua arma. A segunda aparece no capítulo 11 onde há a descrição da fisionomia de Bond ao adormecer, esses dois fragmentos foram pinçados tal e qual Ian Fleming escreveu em “Casino Royale”. Assim encontrei uma forma de fazer Ian Fleming mais presente na trama.


Fleming Imortal

James Bond foi mais do que um personagem de Ian Fleming, James Bond é o resultado da alquimia da longevidade, ao nascer James Bond criou todas as possibilidades necessárias para que Fleming se tornasse imortal.

Magno Moreira



Bond e a morte

007 se aproximou da cômoda onde guardava seus pertences, abriu a primeira de uma série de quatro gavetas dispostas verticalmente no móvel, de cara avistou sua companheira inseparável, a Walther PPK .
Pegou-a como se tocasse numa jóia, tirou o pino e descarregou o tambor, girou-o diversas vezes pra frente e pra trás, travou o gatilho, carregou novamente a arma se certificou de que a trava estivesse mesmo acionada e acomodou-a no coldre junto ao abdome por debaixo do paletó escuro.
Bond deu dois passos pra trás de forma que o espelho o enquadrasse o corpo, levantou o braço esquerdo e procurou na imagem do espelho um vestígio de marcas no paletó que pudesse denunciar uma arma escondida.
Não encontrou.
Alto, moreno, de olhar penetrante e viril, porte atlético e eterno sedutor de mulheres, Bond preferia as mulheres casadas porém não descartava as solteiras que pudessem cruzar o seu caminho.
James Bond já passara dos trinta anos de idade, apreciador de vodka-martini (batido, não mexido) e exímio atirador com licença 00 para matar era o sétimo agente desta categoria especial da Secret Intelligence Service ou SIS mais conhecido também como MI6, daí seu código 007. Perito em artes marciais, também era um estudioso metódico em armamentos, desde pistolas, explosivos até os mais avançados arsenais de guerra. Altamente treinado dominava alguns idiomas como o Alemão, Francês, Italiano, Espanhól além do materno é claro, Bond tinha ainda um vasto conhecimento em política internacional, o que lhe garantia uma ótima leitura da atual conjuntura político-social do planeta.
A sua profissão de agente havia lhe dado a tranqüilidade para conviver lado a lado com a morte.
Ela poderia aparecer para James Bond a qualquer momento, ele estava sempre pronto para ela, jogava com a morte muita bem, melhor até do que com as cartas.
Aliás, 007 adorava jogar.
Depois que foi promovido pelo Serviço Secreto Inglês e passou a ser um agente 00 com “licença para matar”, a morte para Bond passou a ter um doce sabor, ele degustava-a como uma boa dose de Martini com vodka “sempre batido, nunca mexido”.
Comparava a morte como um flerte, assim com as mulheres, ele tinha a mesma intimidade com a morte.
Sua vida estava rodeada destes quatro elementos “excitantes” – Cartas, bebidas, mulheres e mortes; muitas mortes.


Esta é uma Fan Fiction dedicada a Ian Fleming

Magno Moreira



O cano da pistola


Missão Thera (Ayesha Murady)

Inimigo número 1 do governo britânico, o líbio Mohamed Majadleh era naquele momento a figura mais procurada do MI6. Haviam fortes indícios que ligavam Majadleh a células da Al Quaeda na Inglaterra.
O seu nome já figurava a algum tempo nos bancos de dados do MI6, Cia e Mossad, porém após os ataques terroristas no metrô de Londres em 2005 o MI6 levantou a informação de que Mohamed Majadleh teria sido o grande artífice do plano macabro.
Livre e arisco como uma pomba no campo o terrorista havia deixado a Inglaterra há questão de um ano, porém o MI6 tinha como questão de honra livrar o mundo daquela figura indesejável e perigosa, por isso organizou uma ação para localizar e eliminar o alvo em questão.
A missão planejada pelo auto comando das forças armadas e MI6 foi a principio apelidada de Missão Ayesha Murady, o nome da missão era uma homenagem materna ao terrorista, Ayesha Murady era a genitora de Mohamed Majadleh, segundo as investigações do MI6 e do Mossad a mulher morrera há 2 anos vítima de um câncer cerebral, depois da localização do terrorista a missão foi chamada simplesmente de “Missão Thera”
Todos os agentes da seção 00 estiveram mobilizados na caça ao terrorista nos últimos três anos, porém depois de incansáveis esforços o homem enfim fora localizado.
Majadleh teve o seu paradeiro rastreado nos últimos 60 dias, não houve um só centímetro de seus passos que não pudessem ser investigados pelos agentes ingleses.
Nesses últimos meses todo o “modus operandi” do terrorista fora exaustivamente estudado, ele estava morando em uma pequena cidade da Grécia chamada Thera na Ilha Santorini.
Majadleh vivia como um milionário em um luxuoso apartamento localizado em um conjunto residencial para turistas.
Após a conclusão da primeira parte da missão do MI6 que era o de localizar, seguir os passos do terrorista e depois estudar a sua rotina e mapear o seu raio de ação entraria em cena James Bond agente secreto britânico com licença para matar, o melhor dos zeros zeros.
Bond chegaria à ilha nas primeiras horas da madrugada, a missão muito bem elaborada havia descartado uma chegada triunfal de 007 através de uma embarcação qualquer pelo Porto de Thera, seria arriscado para a missão, então a decisão era que 007 saltasse de pára-quedas.
Um salto naquelas condições exigiria de Bond muita concentração - período noturno e visibilidade próxima de zero, o salto deveria ser perfeito.

O plano era que 007 pousasse próximo ao condomínio onde Majadleh vivia.
Bond deveria pousar de para-quedas próximo a uma região montanhosa da ilha ainda na orla marítima junto a praia.
Após o pouso ele iria direto para o residencial atravessando um pequeno bosque.
Como dizia os relatórios enviados ao MI6 pelos agentes que antecederam Bond em Thera, o condomínio não dispunha de nenhum aparato de segurança, por isso 007 avançaria sem problemas até o apartamento de Majadleh.
Todo o caminho havia sido exaustivamente estudado por Bond durante as últimas semanas antes da missão, agentes ingleses infiltrados haviam feito dezenas de fotos de toda a orla marítima de Thera como também do condomínio onde se escondia o terrorista.

Voando sobre a Ilha Santorini

Já pronto para saltar Bond estudava a velocidade do vento e a temperatura do lado externo do avião, até aquele momento tudo ocorria de acordo com os estudos feitos por ele nas semanas que passou arquitetando a missão, 007 fez um sinal para o soldado que lhe ajudava com o equipamento de mergulho, esperou que a última porta lateral do avião se abrisse, ao lado da porta uma luz vermelha mudaria de cor, quando ficasse verde era a hora.
Mesmo que Bond houvesse feito vários saltos como aquele a cada novo procedimento sempre havia algum risco.
Enquanto olhava a luz de tom vermelho o coração pulsava em um ritmo mais forte do que o normal.
A luz mudara para a cor verde – era o momento, antes do salto Bond pode perceber o sinal de positivo do soldado ao seu lado, 007 se posicionou e mergulhou na imensidão escura.
Entre o salto e o pouso foram 3 minutos e meio como o planejado.
Bond pousou no local pré-determinado, reuniu o desarranjado pára-quedas na areia e escondeu no interior da pequena floresta que separava a praia do residencial onde vivia Majadleh.
Bond olhou no relógio, a única iluminação que tinha naquela hora eram os raios vindos da lua cheia que clareava a penumbra da praia grega, tinha apenas 5 minutos para o complemento da missão que havia sido cronometrada várias vezes nos testes exaustivos realizados em uma região montanhosa da Irlanda na semana anterior.

Caminhou pela pequena área de floresta em torno do residencial até chegar aos muros do condomínio, Bond escalou o obstáculo cuidadosamente e pisou no pátio do complexo de apartamentos.
A noite iluminada pela lua possibilitava uma visão parcial dos blocos de apartamentos, 007 avistou a entrada do corredor que o levaria ao andar do terrorista.
Durante o planejamento da missão M decidira que a ação ocorreria fora da temporada de férias evitando assim um fluxo maior de veranistas no local.

Na ponta dos pés 007 avançou, da porta que dava acesso a entrada do corredor até o apartamento de Majadleh seriam 47 degraus de escadas em quatro sessões de andares.
Ele seguiu o caminho como se dirigisse à casa de um velho conhecido, os degraus foram vencidos em pouco tempo, à frente do apartamento encostou levemente o ouvido na porta, porém não ouviu nada.
Passava das três e meia da manhã, pelas informações reunidas pelo MI6 Majadleh deveria estar dormindo naquela hora.
Bond retirou de um dos bolsos da calça as chaves micha, abriu a porta com muito cuidado e adentrou no local, o apartamento tinha 5 cômodos e 007 tinha todos os cômodos e corredores daquele apartamento decorados na mente.
Bond e os peritos do MI6 haviam decorado todos os detalhes do apartamento, não havia nenhum canto daquele local que Bond não conhecesse.
Com muito cuidado caminhou até a entrada do quarto do alvo, a porta estava entreaberta, Bond sabia que não deveria haver erros naquela hora.
007 por um momento revisou todo a missão na mente.
O local estava sob uma penumbra na qual Bond tinha um alcance de visão de aproximadamente 50%, já bastava para completar o serviço pensou.
Sacou a pistola Walter PPK checou o pente de munição, acoplou o silenciador e destravou o pino de segurança, tudo com muito cuidado para que não houvesse ruído algum, respirou fundo e empurrou a porta do quarto.
A partir daquele momento a adrenalina se misturava ao sangue de Bond e aquela calmaria de segundos atrás havia se dissipado.
O ritmo ficou frenético.
Em fração de segundos 007 correu o olhar pelo quarto, observou a cama e não viu ninguém, estava desarrumada, a experiência dizia que o alvo poderia ter percebido algo e empreendido fuga.
Bond estudara todos os planos de fuga possíveis para Majadleh, haviam poucos o mais plausível seria uma fuga pela janela.
Prontamente ainda dentro daquela mesma fração de segundos Bond pode observar o inusitado na direção da janela, um vulto.
O alvo estava fugindo.

007 não titubeou, disparou duas vezes na direção do fugitivo.
Bond pode ouvir um sussurro gutural e o som de alguém que estatelava alguns metros abaixo, aproximou da janela ainda com a arma em punho e avistou o alvo caído se contorcendo no chão.

Por um momento 007 relaxou o ímpeto, olhou novamente o alvo ferido logo abaixo, pensou que ele não deveria ir longe em virtude dos ferimentos, colocou uma das mãos no peitoral da janela e avistou em uma mesa ao lado um maço de cigarros, Bond pegou-o fez uma breve análise da marca e tirou um dos cigarros da embalagem, acendeu, deu algumas curtas tragadas e voltou a observar o alvo, voltou a fitar o relógio e decidiu que era a hora de ir. Bond virou- se e deixou o quarto, naquele momento ele faria todo o caminho de volta até o pátio, 007 tinha um olhar sereno que denunciava o do dever cumprido, caminhou pela sala de estar do apartamento a caminho da porta, ao passar por ela teve o cuidado de fechá-la.
Desceu as escadarias cuidadosamente, chegou ao pátio alguns segundos depois, da porta do corredor que dava acesso as escadarias teve a perfeita visão daquele corpo ferido no chão.
Bond acreditava que o alvo deveria estar impossibilitado de qualquer tipo de reação, ainda com passos medidos Bond caminhou até o local onde Majadleh agonizava, um pressentimento assaltava 007 naquele instante, o de que o alvo pudesse estar armado e devolver-lhe os tiros recebidos, cauteloso James Bond se abaixou até o corpo e fez uma rápida revista.
Constatou que estava mesmo desarmado, mesmo por que poucos terroristas em férias dormiam armados.
007 também se certificou de que se tratava mesmo do homem procurado.
Bond notou que o alvo estava muito ferido, talvez não mortalmente, tinha levado um tiro nas costas e outra em uma das pernas, se vivesse talvez nunca mais andaria pensou.
Uma pequena poça de sangue já havia se formado no chão.
Bond imaginou que poderia tê-lo ferido no pulmão, ferimentos de tiro no pulmão causavam hemorragia rápida e abundante lembrou, e restos de um tecido esponjoso podia ser observado na camisa ensangüentada de Majadleh.
O alvo tinha os olhos abertos na direção de Bond.
Majadleh demonstrando lucidez indagou.
_ Vai me matar?
007 ainda com o cigarro a boca, agora já quase que totalmente consumido pelas inúmeras tragadas olhou no relógio como se esperasse alguém, colocou a mão direita no local onde estava a arma, voltou a sacar a sua velha companheira de sempre, Bond tinha agora um olhar compenetrado no futuro morto.
007 lembrou que o destino do terrorista havia sido selado por M desde o inicio daquela missão, 007 apenas cumpriu as ordens.
Majadleh foi executado ali mesmo com dois tiros na cabeça.
Antes da partida Bond ainda deu uma última tragada e jogou a bituca no alvo agora morto.
Virou as costas e calmamente começou a fazer o caminho de volta até a praia.
A missão estava cumprida, Bond já vislumbrava os dias que se seguiriam, ele já havia inclusive comentado com Moneypenny que depois da “Missão Thera” ele iria tirar as merecidas férias.
No outro dia bem cedo Bond faria um relatório da missão e enviaria a M desde Kingston na Jamaica.


Capítulo 1

O que Bond mais gostava de fazer enquanto estava em férias era flertar; com as mulheres ele se identificava como nenhum outro homem, mesmo por que era muito elegante e ao mesmo tempo tinha uma simpatia discreta e charmosa, fatores imprescindíveis para a conquista.
O seu olhar rastreava os ambientes em busca da “mulher ideal”, mesmo que pra cada noite houvesse uma diferente. O seu tipo preferido deveria ter mais ou menos 30 anos , cabelos pretos, 1.75 de altura e um olhar penetrante e convidativo. Claro que as loiras também eventualmente eram muito bem aceitas.
Entre algumas doses de martinis e umas mãos de poker no hotel em que estava hospedado em Kingston, Bond selecionava as suas “presas”, não havia nenhuma noite em que dormira sozinho desde que chegou a Jamaica para as merecidas férias.
007 Chegara àquele país maravilhoso há dois dias e já estava familiarizado com os hóspedes e a movimentação do hotel.
Após um dia extremamente quente ele subira para o seu quarto logo após o por do sol, estivera toda a tarde a beira da piscina bebericando e jogando “conversa fora” com uma milionária italiana chamada Ângela Mariucci, ela também escolhera a Jamaica para as suas férias enquanto o marido estava em Moscou por conta de um negócio milionário, a mulher confidenciara a 007 que seu marido operava uma sucursal de uma empresa italiana do ramo de indústria química.
Bond conhecera aquela linda ruiva de aproximadamente 40 anos no saguão do hotel na noite anterior, e depois daquela tarde a beira da piscina entre martinis e mais martinis 007 já vislumbrava a seqüência dos acontecimentos que estariam por vir, aquela noite seria especial.
Era com aquele objetivo na cabeça que Bond entrou debaixo do chuveiro, a água estava maravilhosamente fria e relaxante – um bom banho e depois 007 escolheria um bom terno para a noite, entre os preparativos estaria um bom carteado no cassino do hotel, e depois um jantar com Ângela a luz de velas no restaurante ao ar livre junto às palmeiras e ao luar que todas as noites era esplendido naquela época do ano na Jamaica.
Bond aproveitava o banho para idealizar todos os preparativos para aquela noite quando um som característico o interrompeu.
Era o telefone que tocava.
Ele havia dado ordens expressas aos recepcionistas para que não fosse incomodado com “assuntos banais”.

Mesmo a contragosto fechou a torneira do chuveiro se enrolou na toalha e foi de encontro ao aparelho de telefone com um olhar de reprovação.
Ao tirar o fone do gancho à voz do outro lado da linha lhe soou familiar, 007 recobrou a atenção e o relaxamento do banho interrompido – aquela ligação não demorou mais do que cinco “longos minutos”, na medida em que ouvia o interlocutor intermitente a tensão dos músculos de sua face ia se tornando gradativamente mais grave e o olhar sorumbático de alguns minutos atrás ganhava um aspecto de preocupação extrema.
As notícias que recebia não eram nada boas.
Quando colocou o telefone no gancho Bond já sabia o que o esperava; viria mais uma missão pela frente; pra variar!
Mesmo que ainda a missão fosse parcialmente desconhecida para Bond, M já adiantara o tema em pauta.
Tratava-se de uma questão de segurança internacional e que de algum modo os serviços de inteligência ingleses e norte americanos estariam mobilizados; uma verdade era clara naquele momento, para Bond as férias acabara antes do previsto, uma pena, ele sentiria saudades da Jamaica, o país era lindo com seus ritmos, sua praia, suas peculiaridades e acima de tudo as suas mulheres.
Belas mulheres !
Bond esteve inúmeras vezes na Jamaica, mas a cada nova viagem havia uma magia diferente pra ele.
Mas as férias acabaram !
007 voltaria naquele dia mesmo para Londres, era a ordem que M lhe dera:
“Queremos você aqui agora 007!”
As palavras de M ainda estavam na mente de Bond reverberando como o badalar de um sino.
Jamaica até mais ver.

Já em pleno vôo acompanhado de um copo com gim e soda Bond consultava em seu lep top um relatório preliminar que lhe fora enviado pelo MI6 e que tinha informações sobre a missão em questão.
Um grupo de aproximadamente cinco homens havia invadido a casa do embaixador americano em Londres e havia seqüestrado o seu filho de 14 anos, se tratava do garoto Paul Collins filho do embaixador Franklin Albert Collins .
O caso ainda não era de conhecimento da imprensa, mas o MI6 não tinha mais como esconder os fatos da opinião pública .
A sede do MI6 se tornara um alvoroço de entra e sai de agentes e membros do parlamento britânico desde as primeiras horas daquela manhã.

O seqüestro ocorrera por volta das duas horas daquela madrugada fria e chuvosa , fora uma ação rápida e concatenada , o sistema de segurança da embaixada foi surpreendido, os policiais que cuidavam da segurança foram rendidos por um grupo de cinco homens fortemente armados, o grupo agiu organizadamente dentro da mansão, rendeu todos os empregados que dormiam pra depois no segundo andar render a família do embaixador americano e seqüestrar o garoto , todos os integrantes do grupo vestiam roupas de cor preta e falavam um idioma que parecia ser o árabe, fato este confirmado depois por um dos empregados da embaixada.
Pelo que a inteligência britânica havia levantado, os homens chegaram até a embaixada através de um furgão disfarçado com o logotipo de uma companhia telefônica, já a fuga contou com um aparato mais elaborado, tendo como apoio um pequeno helicóptero que pousara nos jardins da mansão.
Os seqüestradores se mostraram muito bem treinados para a execução da ação pois conheciam todos os locais da casa e até nomes de alguns dos funcionários da residência do embaixador.
O grupo falava pouco, agia rápido e não ficou mais do que 10 minutos no local.
Na opinião dos estrategistas ingleses e americanos o garoto naquela hora já deveria estar fora do país.
Quanto à facilidade de um helicóptero invadir o espaço aéreo londrino; a explicação não tardou a chegar o serviço de polícia de Londres recebera a denuncia do roubo de um aparelho helicóptero pertencente a uma instituição financeira inglesa horas antes do seqüestro.
Quando o avião pousou Bond sentia levemente uma dor de cabeça, dor esta que o acompanhava sistematicamente desde sua saída de Kingston até a chegada na capital inglesa.
Mesmo cansado James Bond pisou em solo londrino muito bem vestido de terno escuro, gravata cinza e uma maleta com seu lep top, na mesma maleta ainda havia espaço para ocultar uma pistola automática Walther PPK-99 com silenciador.
Por debaixo do terno preso ao abdômen por um coldre, Bond portava um básico Colt 38, e ainda para os casos mais imprevistos uma pequena faca de caça cuidadosamente presa ao seu tornozelo esquerdo completando o “kit Bond” de segurança pessoal. Bond nunca tinha problemas com detectores de metais nos aeroportos devido à imunidade que tinha por ser um agente do serviço britânico .
Chovia muito em Londres no momento da sua chegada.
Com passos ágeis e uma preocupação que estava estampada em seu semblante ele rumou direto para o estacionamento do aeroporto, lá um motorista do MI6 o aguardava conforme o procedimento padrão em casos como aquele.
O motorista era um velho conhecido de Bond, Max era do tipo “boa praça” adorava futebol e música do grupo irlandês U2.

Quando 007 entrou no carro um modelo Bentley S3 Max foi logo perguntando:
_ Comandante o senhor viu o último jogo do Chelsea?
_ É, respondeu Bond evasivo com o olhar pela janela molhada do carro e o pensamento há quilômetros dali já no escritório de M.
Max ainda falou dos detalhes do time na liga inglesa, coisa que Bond nem prestou atenção.
Max notara que 007 estava para pouca conversa naquela manhã e por isso resolveu não mais importuná-lo, em completo silêncio Max dirigiu pelas ruas de Londres rumo ao escritório de M sem dizer sequer mais uma palavra, como Bond permanecera quieto Max decidira não mais incomodá-lo.
Em silêncio Bond já estudava o caso em sua mente, com os poucos elementos que tinha em mãos procurava um caminho para o inicio das investigações.
Sabia que M iria pressioná-lo a ter algo que desse inicio a caçada ao garoto e aos seqüestradores, Bond também sabia que como M citou informações fornecidas pela Cia, com certeza ele não estaria sózinho no caso.
James Bond nem esperou que Max fosse abrir a porta do passageiro, antes que o chofer viesse cumprir com sua obrigação ele já tinha saltado do carro e as pressas debaixo de uma chuva fina e incômoda rumou para a recepção do MI6.
Já nos corredores enquanto procurava em vão secar a água da chuva que havia molhado todo o seu traje James Bond foi recepcionado por Moneypenny.
_ Ele está terrível hoje 007, chegou por volta das 3 da manhã , disse a secretária de M se referindo ao próprio chefe do MI6.
_ Quem está lá com ele? Perguntou Bond.
_ O primeiro ministro em pessoa respondeu Moneypenny com um beijo carinhoso na testa de Bond, e ainda um lembrete:
_ Boa sorte James, vai precisar, disse com um ar de suspense.
A questão era delicada demais, Moneypenny não sabia bem ao certo o que sucedera , a secretária havia ouvido das rodas de parlamentares que se formaram nos corredores que houvera um seqüestro.
Bond fez apenas um sinal com a cabeça para a secretária e adentrou na sala de M .

Capítulo 2


Na sala de M

Assim que adentrou naquela sala tão familiar 007 pode perceber toda a tensão que o ambiente condicionava.
_ Alguém seqüestrou o filho do embaixador dos Estados Unidos, falou M incisivamente com as mãos sobre a mesa e o olhar fixo em Bond.
Sua voz não era alta, porém estava carregada de uma exaustão quase indescritível.
Bond interrompeu M com um cumprimento e ao primeiro ministro com uma saudação formal.
_ Agora pode continuar M disse Bond com um olhar mais sério do que o habitual.
_ Não temos tempo pra perder 007 interrompeu o primeiro ministro, alguma organização seqüestrou nessa madrugada o filho mais novo do embaixador americano em Londres.
_ O governo americano já exigiu empenho total de nossa parte além de nos colocar a disposição todo aparato que precisarmos disse M, é uma questão delicada e teremos que resolvê-la sem derramamento de sangue.
Nesse momento o primeiro ministro entregara a Bond duas fotos do garoto seqüestrado.
_ Suspeitos? Indagou Bond encarando M.
_ Terroristas árabes respondeu M, talvez libaneses, não sabemos ao certo.
_ Mas temos uma pista falou o primeiro ministro enquanto M apertava um dispositivo em sua mesa acionando um pequeno telão escondido por detrás de um quadro na parede.
No telão surgiu o desenho de um homem com turbante, a aparência era de um árabe de aproximadamente 70 anos.
_ Esse é o retrato falado de Ahmed Hassan Hadgain, não temos nenhuma fotografia desse homem a não ser esse retrato feito por um desenhista do MI6 disse M.
_ Terrorista? Perguntou Bond.
_ Não sabemos ao certo respondeu o primeiro ministro, o pouco que sabemos é que esse homem é um traficante de armas, trabalha para grupos terroristas como Al Quaeda, Hezbollah e o Talibã.
_ Um dos funcionários da embaixada americana é descendente de argelinos e ouviu um dos seqüestradores falar no nome de Ahmed completou M enquanto entregava a Bond a ficha do tal homem.

Nome - Ahmed Hassan Hadgain
Nascido no Cairo provavelmente nos final dos anos 30
Atividade – Comerciante da área de armamentos
Atuação – No mercado negro de armas para o mundo Árabe, África, Leste Europeu, Rússia, Coréia do Norte, Cuba e Venezuela.
Observações Importantes – Nunca foi preso ou mesmo fotografado, é considerado um dos homens mais reclusos do submundo criminoso.
Investigado pelos seguintes serviços secretos – Mossad e Cia.
Segundo o Mossad Ahmed tem ligações fortes com as ações dos terroristas da Al Quaeda nos Estados Unidos.


_ Senhor Bond, não podemos deixar o garoto morrer é uma questão diplomática, ele foi raptado em território inglês e cabe a nós resolver esse caso falou o primeiro ministro com voz pausada.
_ Alguém reivindicou a ação, algum contato? Perguntou Bond com os olhos atentos a ficha de Ahmed.
_ Apenas essa carta falou M, apresentando um papel com uma inscrição em árabe.

قتل ستة أشخاص بينهم عنصر أوغندي في قوة السلام التابعة للاتحاد
حركة التحرير الوطني الفلسطيني


_ O que quer dizer? Perguntou 007.
_ “Guerra Santa, olho por olho dente por dente”, respondeu M com ar de desolação.
_ Temos mais alguma pista do homem perguntou Bond enquanto se levantava na direção do retrato no projetor na parede.
_ Sobre o seu paradeiro sabemos muito pouco, apenas que ele é egípcio tem 68 anos e segundo algumas investigações efetuadas pelo Mossad há um mês atrás, ultimamente ele poderia estar vivendo em algum lugar do Egito falou o primeiro ministro se referindo a Ahmed.
_ Então você vai para o Egito 007 disse M.
Atento as palavras de M Bond ouviu a explicação do chefe do MI6.
_ Bond não podemos perder mais tempo, você vai ao Egito com documentos e passaporte de outro homem, lá você será Eric Salmazzo um ítalo-americano em busca de diversão, prefiro que sua identidade seja preservada, pelo menos por hora.
_Procure em todos os lugares, cassinos, mesquitas, nas pirâmides se for preciso, mas nos traga alguma informação; entendeu ? Disse o primeiro ministro de forma enfática.
Bond entreolhava o primeiro ministro como um aluno observava o seu professor.
_ Pois bem, Moneypenny lhe dará os documentos e sua nova identidade informou M.
_ Você acredita que o garoto possa ter sido levado para o Egito, perguntou Bond.
_ Ainda não sabemos Bond, espero que você nos possa responder essa pergunta, precisamos localizar o garoto urgentemente, depois procuraremos os seqüestradores respondeu M.
_ Comandante Bond, o nosso governo historicamente sempre conseguiu resolver as suas maiores crises, e esse seqüestro é talvez a nossa maior crise depois da segunda guerra mundial, espero que tenha isso em mente quando estiver frente a frente com os terroristas disse o primeiro ministro.

_A tem mais uma coisa Bond, lembrou M, no Egito você terá apenas um contato, o nosso amigo Felix Leiter, a Cia tem investigado grupos paramilitares no Egito desde os anos 70 lá eles sabem coisas que não sabemos, conhecem lugares que não conhecemos, sabem de pessoas que nem imaginamos existir, ele fará contato com você, o governo americano também tem interesse neste caso e estará com a gente nesta investigação.
_ Bond contamos com você, até mais ver disse o primeiro ministro antes de sair por uma porta secreta localizada por detrás de uma estante de livros nos fundos do escritório de M.
_ Moneypenny te dará todas as coordenadas e seus novos documentos, passar bem Bond disse M em tom de despedida.
_Odeio despedidas M você sabe bem disso rebateu Bond em tom bem humorado ao sair do escritório.
Já na sala de Moneypenny Bond destilava seu charme.
_ Nem bem cheguei e tenho que ir meu amor.
_ Ah James, quando terei uma oportunidade com você? Sussurrou a secretária.
007 fez um movimento carinhoso com os lábios no intento de agradar Moneypenny, a secretária abriu a gaveta e retirou um envelope amarelo.
_ Bond no momento que recebia um envelope com os documentos e passagens das mãos de Moneypenny fitava o rosto da secretária com a boca quase colada a dela, mas no momento que o clima poderia se tornar mais quente Bond como sempre recuava, Moneypenny estava acostumada.
_ Vamos com calma meu amor, M deve estar nos vigiando disse Bond procurando em vão uma câmera ilusória no teto da sala.
Sentido o clima de despedida a secretária desejou “boa viagem” com um olhar triste.
Bond aproximou de Moneypenny, pousou as duas mãos sobre seus ombros e beijou-lhe no rosto.
Moneypenny surpresa ficou ali parada ainda sentindo os efeitos daquele beijo discreto enquanto 007 caminhava na direção dos corredores do MI6
Bond teria menos de 24 horas para embarcar para o Egito, por isso resolveu checar uma pista ainda na capital inglesa.
Ele se lembrou de um contato antigo; um ex-agente russo dos últimos anos da guerra fria.
Alexander Kirilenko era seu codinome, se tratava de um Russo com cerca de 60 anos de idade, morava em Londres e vivia de vender informações para quem tinha dinheiro, Bond não sabia muita coisa sobre ele, mas já havia precisado de uns favores e Alex como era mais conhecido não o havia decepcionado.
Com um homem como Alexander não se marcava encontro, Bond sabia onde o encontrar, esperou que a noite caísse e foi ao seu encontro.
Alex vivia se embriagando todas as noites em pequenos pubs do Blackheath.

Blackheath – Se tratava de um bairro que geralmente omitiam dos roteiros mais convencionais de um turista na capital inglesa, mas para 007 ele era um bairro charmoso com suas ruelas e suas ladeiras cheias de bares e restaurantes.

Alexander o homem em questão perambulava de bar em bar enchendo a cara de vodka e cafetinando mulheres para alguns turistas russos.
007 se lembrara de que esteve há questão de cinco anos atrás em uma missão na Rússia e o MI6 havia negociando informações com Alexander, o primeiro encontro com ele fora em uma antiga biblioteca de Leningrado, fato que Bond se lembrava.
Alex era totalmente inescrupuloso, imoral e escravo das negociatas.
Se fosse necessário Bond imaginava que Alex barganharia até a mãe em troca de dinheiro.
Alexander passou alguns anos vendendo informações da KGB para os ingleses em troca de um visto permanente que lhe garantisse uma vivência medíocre na periferia de Londres, com o fim da URSS (União Soviética) a queda do Muro de Berlim e a decadência de toda a política Comunista do Leste Europeu Alexander passou a viver no ostracismo tendo como fonte de renda a pilantragem barata como a cafetinagem e pequenas trapaças.

Capítulo 3

James Bond não teve dificuldades pra encontrar Alex, após algumas voltas nas proximidades da igreja de All Saints 007 encontrou um traficante que atuava naquele bairro e que prestava o serviço de informante para a polícia de Londres, em troca de algumas libras o tal informante indicou onde estava Alexander naquela hora.
Alexander era um velho conhecido da marginalidade na periferia londrina.
Bond ainda vestia o mesmo traje do desembarque daquela manhã, com apenas uma diferença – ele estava encharcado devido à chuva que ainda caia em Londres, àquelas alturas ele já sentia sinais leves de um resfriado no momento que adentrou em um barzinho minúsculo com balcão em forma de “L” onde cinco bancos todos tomados por garotas de programas e homens se embriagavam, não demorou muito pra avistar Alexander que estava sentado em uma cadeira bebendo Vodka, Alex estava desacompanhado.
Bond chegou de supetão e sentou se a mesa onde estava Alexander Kirilenko.
_ Quem é vivo sempre aparece, disse Alex com aquele sotaque carregado, e um tanto admirado por rever o “amigo”.
_ O que manda? Não veio aqui atrás de uma garota não é 007 disse as gargalhadas.
Bond foi logo ao assunto:
_ Ahmed Hassan, preciso saber onde ele está?
O homem deu mais um trago de vodka olhou no teto como que se quisesse disfarçar e notando que a sua resposta poderia lhe valer alguns trocados investigou o que havia por detrás do olhar de Bond, fez uma expressão de espanto e após alguns segundos de silêncio desembuchou maliciosamente.
_ Hadgin?
_ Ele mesmo, preciso saber onde ele está disse Bond aproveitando o ensejo pra colocar uma nota de 100 dólares sobre a mesa.
_ Ainda prefere dólares a libras não é? Perguntou Bond com olhar sorrateiro.
Alexander apenas fez um gesto com as mãos como se quisesse dizer que sim.
Bond virou se para o balcão e pediu uma dose de wisky pra ele e mais uma dose de vodka para Alex, o pedido soou com uma certa naturalidade como se Bond fosse um cliente antigo do local.
_ Nunca vai embora sem algo não é 007, disse Alexander Kirilenko com fortes sinais de embriaguês
Bond fingindo que não ouvira o comentário impertinente que o russo lhe fizera fitou a garçonete que servia as bebidas tomou toda a dose do wisky de uma só vez e disse:
_ Sei que você sabe onde ele está e por isso estou aqui !

Alex aquelas alturas tinha os movimentos afetados pelo alto consumo de vodka, mesmo assim sua lucidez era digna de aplausos, ele observou o copo cheio em sua mão como se quisesse lembrar quantos já havia consumido nas últimas horas, retirou um cigarro “amarrotado” do maço e titubeante o colocou na boca e sem acendê-lo, com a voz baixa Alex descreveu para Bond o homem que ele procurava:
_ Ahmed é uma sombra no deserto, nunca vi esse cara; sei apenas que é traficante de armas para os árabes, ele já prestou serviços para nós russos nos anos 80, vive clandestinamente em algum lugar do Oriente Médio ou norte da África.
_ No Egito? Interrompeu Bond.
_ Pode ser respondeu Alex, mas como ia falando ninguém nunca viu nem ouviu a voz desse cara, sei que é bem protegido e tem contatos em todos os lugares do mundo, trabalha inclusive para alguns governos e grupos paramilitares, é conhecido no nosso meio como o homem das mil faces!
_ Mas se ninguém nunca viu ou falou com esse cara como ele faz seus negócios? Perguntou Bond incrédulo.
_ Todo idiota precisa de uma grande mulher por perto respondeu Alex ironicamente enquanto fitava uma garota de programa que entrava no pub naquele momento.
Alex esperou que a moça se sentasse em uma mesa ao lado e concluiu:
_ Ahmed é protegido por uma mulher.
Alex suspendeu a conversa fazendo sinal com os dedos de que queria mais dinheiro.
Bond tirou mais uma nota de 100 dólares, porém não colocou na mesa com antes, 007 ficou com a cédula retida em uma das mãos, Alexander entendeu a atitude de Bond e continuou:
_ Natasha Stepanova é o seu nome, fomos colegas na KGB; chantagem, extorsão e assassinatos, é altamente treinada, uma tentação, mas é mortalmente fatal e muito ágil, foi a melhor atiradora entre os 500 agentes da turma de 1985, depois da crise da Perestroika Natasha se refugiou em algum lugar entre o Oriente Médio e o norte da África onde vive intermediando os negócios de Ahmed, essa mulher é a sua sombra seu rosto e sua voz.
James Bond ouvia Alex falando de Natasha com atenção redobrada.
_ Cuidado com ela James Bond, ela é encantadora, mas também é um convite para a morte completou Alexander.
Bond deixou a outra nota de 100 dólares sobre a mesa e disse:
_Pague a conta e fique com o troco Alex.
007 levantou e saiu tranquilamente da mesma forma que entrou.
Ainda na mesa do pub Alexander acompanhou com um olhar insosso a saída de Bond até a porta.
Depois que Bond desapareceu Alex mais do que depressa sacou do celular em um dos bolsos de sua jaqueta e fez uma ligação, Alexander tinha movimentos afoitos e já começava a suar. Ao celular monossilábico disse apenas para a pessoa do outro lado da linha:
_ Ele sabe de alguma coisa... 007 agente britânico com licença para matar.

Do lado de fora do pub

Bond continuava defronte do estabelecimento dentro do seu Astom Martin DB 9, munido de um pequeno fone aos ouvidos acoplado a um rastreador de ligações ele ouvia o monólogo entre Alexander e a outra pessoa que estava do outro lado da linha, 007 só ouvia a voz de Alex, pois o seu interlocutor não falara uma só palavra.
Bond havia solicitado junto ao escritório do MI6 o número do celular de Alex antes do encontro, o seu intuito era mesmo rastrear as ligações feitas pelo ex-agente russo.
Na mosca ! O aparelho rastreador, item de “fora de série” desenvolvido pelo equipe de técnicos do grande “Armourer”também chamado de Q identificara o número para o qual Alex ligara.
Bond arrancou com o seu DB 9 a toda velocidade, e ainda com o fone aos ouvidos se conectou a telefonista de plantão do MI6:
_ Me ligue com Q urgentemente falou com voz carregada.
Em 30 segundos Q irritado respondeu do outro lado da linha:
_ Você sabe que horas são 007?
James Bond soletrou pausadamente o número registrado pelo identificador:

1 7234 1742

_ Q me consiga um registro de origem desse número, algum nome, local ou alguma coisa e urgente!
_ Algo mais 007 perguntou Q com a voz cansada.
_ Não, nada mais Q, apenas seja breve ! Respondeu Bond.
Um agente como 007 não tinha mais residência fixa, Bond acumulara com os anos de serviços prestados ao Serviço de Inteligência Inglês um modo de vida nada sedentário, por isso quando estava em Londres ele passava seus dias na capital britânica hospedado no famoso Hotel The Dorchester próximo ao Hyde Park.
007 passou “voando” pela recepção do Hotel para pegar as chaves, a recepcionista ainda tentou lhe dizer alguma coisa, mas ele a ignorou.
Quando Q retornou a ligação Bond já estava no elevador.
Um simples olhar para o identificador do celular bastou para Bond identificar que a ligação era do escritório do MI6.
_ E aí descobriu alguma coisa Q?
_ Fairbanks no Alaska respondeu o velho cientista.
Bond com ar de reprovação ainda indagou:
_O que, Alaska? Tem certeza disso!
_ É isso mesmo 007, o nosso sistema rastreou o número e identificou que ele está em Fairbanks no Alaska disse Q.
_ Algum nome? Pergunta Bond ainda incrédulo.
_ Não! Respondeu Q.
Bond com expressão de pura estranheza agradeceu e desligou.
Já no quarto James Bond se serviu de mais uma dose de wisky, Bond tinha os pensamentos confusos, já sem o paletó sentou-se na cama e desatou o nó da gravata, o nome do país gelado identificado por Q não saia do seu pensamento.
Bond abriu o seu lep-top e com algumas tecladas visualizou uma página do google sobre a cidade a qual Q se referiu:
Fairbanks é uma cidade localizada no Estado americano de Alasca, no Distrito de Fairbanks North Star. A sua área é de 84,6 km² (dos quais 2,1 km² estão cobertos por água), sua população é de 30 224 habitantes, e sua densidade populacional é de 366,3 hab/km² (segundo o censo americano de 2000). A cidade foi fundada em século XIX, e incorporada em 1903.Fairbanks é uma cidade muito maior que Juneau, a capital do Alasca, só não foi coroada capital porque o centro econômico do Estado fica mais longe de outras cidades importantes dos Estados Unidos.Por situar perto do círculo polar ártico, recebe muito pouco calor, sendo que no inverno as temperaturas chagam a atingir 40°C negativos(No verão ela não passa de 15°C).No verão(junho, julho e agosto), por se situar ao extremo Norte do planeta, o sol bate 24 horas por dia, porém no inverno é ao contrário, pois como o sol bate no Sul do planeta, chega com pouca luz, o que faz o dia ter apenas 2 horas de sol.De acordo com seu governo, a temperatura mais baixa da história de Fairbanks foi no ano de 1961 com -54°C, no mês de dezembro. Já a temperatura mais alta foi em agosto de 1994 com 34°C.
Porque Alexander Kirilenko ligaria pra alguém no Alaska pra se prevenir contra James Bond?
Por enquanto a pergunta não tinha resposta, mas em breve tudo se encaixaria.
Para Bond todas aquelas informações o incomodavam, entre o Alasca e o Egito deveriam haver milhares de quilômetros e mesmo assim haveria algo em comum com os dois países.
Bond tinha a certeza absoluta que Alexander deveria ter ligado para alguém ligado a Ahmed no Alasca, 007 só não sabia pra quem.
Teria ligado para o próprio Ahemed ou seria para Natasha ‘a mulher fatal’? Tudo ainda estava muito estranho.
Mas o Alasca que esperasse pois Bond tinha a missão de embarcar no outro dia para o Egito.
De certa forma o seqüestro havia pego de surpresa o MI6, o Serviço Secreto Inglês não tinha como ponto forte a sondagem de grupos terroristas islâmicos, havia sim alguns estudos envolvendo a Al Quaeda, Hezbollah e o Fath, mas mesmo assim o nome de Ahmed jamais havia sido investigado pelos ingleses, e esse contexto haveria de trazer maiores dificuldades naquela missão.

Capítulo 4

Bond fora dormir com a imensa dúvida sobre o desenrolar daquela missão, pra ele não estava claro de que no Egito Bond pudesse encontrar todas as respostas para aquele caso delicado, suas dúvidas eram muitas naquele momento, o instinto de Bond de alguma forma o guiaria para o cerne daquele caso.
O paradeiro do pequeno Paul Collins também intrigava Bond, até aquele momento não havia nenhum pedido de resgate o que aumentava muito as chances do seqüestro ter , quem sabe, uma motivação política.
007 acordou mais cedo do que o habitual, a noite fora conturbada devido a um pesadelo, Bond detestava pesadelos, naquela noite Bond sonhara que estava próximo a esfinge no Cairo e que um homem de turbante asfixiara o garoto seqüestrado até a morte sem que 007 pudesse fazer nada.
Fora horrível, Bond acordou sufocado pelo pesadelo, levantou foi direto ao banheiro ligou a ducha e entrou em baixo dela de pijamas, ficou por alguns minutos de cabeça baixa com uma das mãos encostada na parede azulejada do banheiro enquanto a água corria pelo corpo.
Na cabeça passava diversas coisas, Natasha, Alex e a figura sombria e até aquele momento desconhecida de Ahmed Hassan Hadgin.
Ao se barbear Bond ouvia pelo rádio a notícia do seqüestro do garoto, o mundo já sabia do ocorrido, portanto para a opinião pública seria bom que o caso fosse resolvido o mais rápido possível.
Haveria ainda maiores pressões do que aquelas de que já estava acostumado.
Bond saiu do hotel por volta das 9 da manhã, parecia outro homem, barbeado, relaxado e acima de tudo revigorado da noite mal dormida, não tinha mais olheiras, estava de terno cinza listrado, camisa azul e gravata marrom, 007 já se sentia bem melhor do que quando acordara, mas ainda permanecia preocupado, devido às lembranças suscitadas pelos pesadelos.
Como estaria o garoto na mão de terroristas? Essa era uma das dúvidas que pairavam na mente de Bond.
Ao sair do elevador no saguão do hotel uma figura conhecida veio ao seu encontro, era Max o motorista do MI6.
_ Comandante o trânsito está congestionado teremos que nos apressar para chegarmos na hora exata para o embarque, deveremos levar 15 minutos até o Aeroporto de Heathrow.
007 fez apenas um sinal com a cabeça que entendera o recado, sentou se no banco detrás do Bentley S3, dessa vez Max conduziria o carro em silêncio.
007 pediu que Max sintonizasse o rádio do carro na BBC News, Bond queria ouvir o noticiário sobre o seqüestro.

Como já previa o assunto no noticiário radiofônico era o seqüestro do garoto americano.
Bond ouvia o rádio com o pensamento longe, 16 minutos depois chegaram ao Aeroporto de Heathrow, Max desejou boa viagem a 007 que agradeceu e apressadamente rumou para o salão de embarque, antes passou por uma banca de jornal comprou alguns exemplares ingleses e americanos fez o check-in e embarcou.
No avião pediu a bebida preferida, um Martini ao estilo Bond - sempre batido não mexido, enquanto bebia Bond aproveitou os primeiros minutos de vôo para ler os jornais, todos traziam matérias de destaque sobre o seqüestro do garoto.
Para a missão no Egito Bond não trazia nenhum aparato especial, o MI6 havia lhe informado que Q estaria no Cairo para lhe entregar o seu kit 007, como no Egito James Bond seria um ítalo americano, Mr Eric Salmazzo, ele não foi armado levava uma valise com documentos falsos nada que pudesse ligar Mr Salmazzo a um agente com licença para matar.
Em boa parte do vôo Bond aproveitou para descansar, pois imaginava que no Egito teria uma missão exaustiva.
Bond ficava incomodado toda vez que voava em classe para não fumantes, ele estava certo que Moneypenny reservara a passagem propositalmente, a secretária ultimamente vinha tentando convencer 007 a abandonar o vício.
Por enquanto as táticas adotadas por Moneypenny não surtiram o efeito desejado.
Bond fumava cerca de 20 cigarros por dia, o primeiro era sempre o melhor , Bond fumava o primeiro cigarro religiosamente depois do primeiro gole de café preto que tomava em seu desjejum, o último era consumido minutos antes de se deitar para dormir, em média Bond consumia cerca de 20 ou 30 cigarros, dependendo do ritmo dos acontecimentos do dia.
Amante de fumos selecionados o tabaco que servia de matéria prima para os cigarros vinham de Istambul e eram fabricados especialmente para James Bond na Casa Morlands, da Grovesnor Street.
007 ainda dormia quando a comissária de bordo anunciou que o avião aterrissaria em 10 minutos.
No momento do desembarque enquanto James Bond descia as escadas do avião sem que percebesse alguém o espionava ao longe desde a plataforma superior do aeroporto internacional do Cairo,era um sujeito moreno fisionomia típica dos beduínos, usava óculos escuros terno branco e observava a chegada de Bond através de um pequeno binóculo.
Já no táxi um carro velho e barulhento, Bond visualizava a linda capital egípcia, arquitetura árabe ruas sujas e cheias de ambulantes, muito barulho e muita gente falando ao mesmo tempo. Quem visitava a cidade pela primeira vez tinha a impressão de que a cidade parecia estar imersa ao caos, porém depois de um ou dois dias aquele ambiente ia se tornando natural e suportável.
De dentro do táxi Bond tinha os olhos atentos a uma linda mesquita, o templo da religião muçulmana era um dos cartões postais da cidade do Cairo.
O hotel escolhido pelo serviço secreto inglês era o Grand Hyatt, o prédio onde ficava instalado o hotel era uma construção moderna no centro de uma cidade antiga um dos muitos contrastes daquele país deslumbrante.

007 era Mrs Salmazzo naquele país, ao chegar ao hotel pediu a suíte presidencial previamente reservada, Bond levava mais malas do que o normal, pois estava disfarçado de turista, ao chegar na suíte agradeceu o atendente pelo transporte das bagagens com um leve toque em seu ombro acompanhado de uma gratificação de 50 dólares que foi carinhosamente depositada no bolso do uniforme do rapaz.
O funcionário tirou a nota do bolso, olhou a com imensa satisfação fez um sinal de agradecimento para Bond e se retirou.
O quarto onde Bond ficaria era uma suíte completa com caracteres orientais, tapetes persas e quadros com pinturas em arabescos.
A missão começara enfim, Bond colocou as roupas em um guarda roupas tomou um banho rápido e saiu às ruas, não poderia perder tempo, pois tinha um encontro marcado.
O encontro era com o agente americano Felix Leiter, um velho conhecido de Bond, Leiter sempre colaborava com James Bond quando as missões do MI6 tinha cooperações da inteligência americana.
O local não poderia ser o mais indicado, um dos muitos cassinos-hoteis no centro da cidade do Cairo, Bond chegou no horário combinado, passeou pelo local observando atentamente as mesas de jogos e as mulheres do local, ali se apostava alto como constatou logo de inicio, mesmo que já tenha estado em dezenas de cassinos espalhados pelo mundo, aquele era especial, muito bem decorado com enfeites que lembrava o interior das pirâmides e o Vale dos Reis em Gisé.
Nada de Leiter, Bond resolveu então jogar umas mãos de porker em uma das mesas pra passar o tempo.
Quando sentou-se a mesa Bond imaginou que aquele poderia ser um jogo estimulante. Os jogadores eram a típica mistura internacional.
Um velho gordo que aparentava ser um milionário árabe, além de postar-se com ar respeitoso exalava uma fragrância de almíscar e pelo que Bond imaginou seria um adversário duro de ser batido, um outro baixo magro e calvo com cara cientista deveria ser mais um turista distraído que não passaria da primeira mão, havia ainda um jovem italiano que pelo vigor aparente desperdiçaria todo o dinheiro ao fim da jogatina, havia ainda um homem de turbante muito pomposo que demonstrava ser um jogador visceral no poker na mesa que ficaria de frente com Bond havia um mulher, muito bonita diga-se de passagem, estava trajada com vestido de festa, a sua sensualidade era tão notória que mexeu com os instintos de Bond logo de cara, sobre a sua intimidade com as cartas 007 não estava bem certo se ela seria um bom páreo.
O jogo estava frio, sempre que chegava a sua vez Bond não sabia ao certo se deveria seguir a padrão ou passar a banca depois da segunda mão. Obstinadamente no decorrer de quarenta minutos Bond disse pra si que continuaria passando a banca constantemente.
O baralho chegou ao fim, Bond deixou o dinheiro sobre a mesa e fez um singelo passeio pelas outras mesas como o Bacará e a roleta.
Inquieto e desconexo com o jogo Bond perdera, ao se reaproximar da mesa notou que a maravilhosa mulher já havia deixado o jogo, o instinto de Bond era procurar a mulher mas teve que protelar a intenção pelo menos por um momento.
Alguém o chamara atenção.
_ Quem diria hein comandante Bond, nós dois de novo.
Era Felix Leiter do Serviço Secreto Americano, o colega também compunha a força tarefa britânico-americana que investigava o seqüestro e aquele encontro no Egito tinha por objetivo assessorar Bond naquela missão.

Aquele era um encontro discreto, Felix não falaria nada com relação ao acontecido, deram uma volta pelo ambiente do cassino até chegarem ao balcão do bar, lá cada um pediu um aperitivo, Bond vodka com gelo e Leiter Wisky, discretamente Leiter passou a Bond um envelope, aquele encontro seria propício para recomendações, sabendo disso o colega americano expôs uma gama de pequenas informações sobre aquele país em que se encontravam.
_ Cuidado comandante, o Egito é um país exótico, mas também perigoso, é como uma cobra do deserto, nós estamos no Egito há quase 30 anos e já vimos de tudo por aqui, estaremos sempre por perto, tenha uma boa estada disse Felix já se levantando para a partida.
Bond tomou seu drink pagou a conta, pegou o envelope e deixou o lugar.
Na saída do cassino reconheceu aquela mulher que estivera com ele no jogo de poker, com um leve sorriso Bond respondeu ao aceno da linda mulher que se aproximou.
_ Parabéns pelo jogo Senhor?
_ Salmazzo, Eric Salmazzo falou Bond usando a identidade falsa.
_ Mônica Strazza, quer tomar um drink comigo ou prefere ir dormir? Perguntou a garota como quem já imaginava qual seria a resposta.
Bond notara que o sotaque daquela mulher denunciava o seu país de origem, para 007 ela deveria ser búlgara.
007 sem pensar duas vezes fez um movimento com o braço direito e levou a mulher ao local onde estivera a pouco, o bar do cassino.
Lá eles conversaram muito.
Bond fingira que era um playboy em busca de diversão no Egito, Mônica revelou que era búlgara descendente de italianos e que estava no Egito para um estudo das pirâmides.
Por um momento a memória de 007 se reportou a Jamaica e a italiana Ângela Mariucci que conhecera durante os seus poucos dias de férias naquele país. Em nível de comparação Mônica era muito mais bonita do que a italiana que conhecera na Jamaica.
Entre muitas doses de Martinis, a garota convidou Bond para uma visita no outro dia até o Vale dos Reis, local onde estavam construídas as pirâmides em Gisé e a Esfinge.
Mônica dissera que trabalhava para a Universidade de Sófia na Bulgária e que fazia um estudo sobre o perfil social e econômico que regulou a vida dos faraós.
Bond se identificara com Mônica, a sua voz e a sua forma de falar agradavam aos instintos de Bond.
Entre uma conversa e outra Bond também descobriu que Mônica estava hospedada ali mesmo no hotel-cassino.
007 estava decidido a conquistar aquela linda mulher naquela noite mesmo.

Não demorou muito e a garota alegou cansaço dizendo que já deveria estar na cama, se despediram ali mesmo, mas ao se levantar Mônica cambaleou e foi amparada por 007, como sabia que não poderia chegar até o quarto sozinha resolveu convidar Bond para conduzi-la até o seu apartamento, Bond mais que depressa aceitou levar aquela linda mulher até o seu quarto.
Embriagada ela havia exagerado nas doses de martinis recomendadas por Bond.
Quando Mônica abriu a porta de seu quarto, Bond pode perceber o clima de sedução criado por Mônica, James não resistiu investiu calorosamente sobre a moça que o beijava fervorosamente, era um clima frenético aquela troca de carícias entre os dois, 007 ligou a luz do quarto e jogou aquele linda mulher na cama, a partir daí 007 colocaria mais um caso de amor em sua enorme coleção.
Mônica era uma mulher deslumbrante, na cama se mostrou ainda mais interessante do que quando se conheceram a questão de quatro horas atrás lá embaixo no cassino.
Cerca de meia hora depois Mônica oferecia a Bond um cigarro, coisa que ele aceitou prontamente.
Ficaram conversando por alguns minutos até que Bond se dera conta que o dia já estava amanhecendo.
Independente de ter feito amor com aquela mulher, Bond a achou muito inteligente, mas ao mesmo tempo 007 imaginava que ela não havia contado toda a verdade pra ele.
Resolveu ir embora, mas antes Mônica o lembrara do compromisso de irem juntos até o Vale dos Reis em Gisé.
Mônica queria mostrar-lhe as belezas do Vale e ele não teve como dizer não ao pedido daquela mulher tão cativante.
Bond estivera algumas vezes naquele país, mas para que seu disfarce fosse completo ele dissera a moça que estava no Egito pela primeira vez.
Quando deixou o hotel onde Mônica estava hospedada já havia amanhecido, na rua Bond não conseguiu tomar nenhum táxi, resolveu caminhar um pouco, pois o hotel onde estava hospedado não ficara tão longe dali e certamente encontraria um taxista no caminho.
A certa altura enquanto apreciava o lugar, Bond notou que alguém o seguia, parou de frente para uma barraca de um vendedor de tapetes, Bond queria ver quem o seguia. Era um homem alto de quase dois metros de altura, tipo brutamontes de bigodes fartos e muito mal encarado.
Bond tinha quase certeza que não seria atacado, mas seria seguido, sendo assim uma idéia lhe assaltou a imaginação, iria brincar de gato e rato com o tal homem, avistou do outro lado da rua um grande mercado de produtos, o local era utilizado por mercadores que vendiam desde plantas medicinais a tapetes, tabaco, incensos e outras especiarias.
Atravessou a rua em meio às buzinações dos carros que iam desviando dos transeuntes.
007 parou defronte o imenso mercado, procurou com os olhos por quem o seguia, viu que o homem estava atravessando a rua em meio aos carros.
O mercado era enorme, tinha corredores que mais pareciam labirintos, por lá todos negociavam em voz alta era um pandemônio total.

O objetivo de Bond era despistar aquele homem que por algum motivo seguia James Bond pelas ruas do Cairo.
Bond resolveu entrar em um dos corredores, ele driblava seu algoz com uma energia frenética a cada nova passagem pelo emaranhado de corredores Bond imaginava a dificuldade que o tal homem deveria ter para acompanhá-lo e foi assim até chegar a uma tabacaria no final do corredor central, ali Bond parou pra se certificar se ainda era seguido, aliviado notara que seu perseguidor talvez tivesse desistido.
Olhou para os lados – nada.
Resolveu entrar na tabacaria, 007 lembrou-se de M, Bond começara a fumar charutos incentivado pelo chefe do MI6.
Ao entrar naquele ambiente nauseabundo devido ao excesso de fumaça vindo de algumas bombas de narguile, Bond foi surpreendido por aquela figura enorme e de aspecto terrível, o homem o havia seguido até a tabacaria.
Bond não tinha como fugir, recuar impossível, pois o tal homem estava tão próximo, que ele podia sentir a sua respiração ofegante e quente, com os movimentos parecidos com uma tartaruga o homem abaixou a cabeça em direção a Bond e sussurrou nos seus ouvidos com autoridade.
_ Senhor Bond caminhe lentamente até o fundo da tabacaria, 007 notou que o seu algoz tinha uma das mãos no bolso o que subentendia que portava uma arma de fogo.
Não teve saída foi levado até o fundo da tabacaria, o homem abraçou Bond como se fossem dois velhos amigos e o conduziu para os fundos da tabacaria
Bond foi levado até os fundos do estabelecimento; quando ao se aproximar da parede dos fundos percebeu que não tinha mais para onde ir, estava colado a parede dos fundos da tabacaria, já ia virando pra falar alguma coisa quando sentiu às suas costas a parede ceder.
Era uma passagem secreta, por traz da parede um corredor todo branco dava a ilusão de que Bond havia ultrapassado a barreira do tempo, estava em local agradável tendo a sua frente uma porta que só foi aberta quando o homem colocou seu polegar em um dispositivo avermelhado que leu as suas impressões digitais.
Surpresa geral foi quando Bond viu quem o esperava por detrás daquela porta eletrônica.

Capítulo 5

No interior da sala onde Bond se encontrava havia um laboratório de aparelhos eletrônicos e quinquilharias cibernéticas e atrás de uma escrivaninha alguém com um olhar muito familiar o encarava com naturalidade.
_ Q! É você? Disse Bond surpreso.
Antes que Q dissesse uma só palavra, o homem que o havia perseguido se aproximou e com uma voz mansa pediu desculpas:
_ Comandante Bond, espero que entenda só estava fazendo o meu trabalho, sou o novo 005, disse o tipo “gigante” que o havia conduzido até o laboratório improvisado de Q no Cairo.
007 apenas fez um olhar de protesto enquanto 005 se retirava do local.
Q se aproximou de onde estava Bond com um olhar de poucos amigos.
_ 007 não temos tempo a perder disse ele, não achava que me apresentaria a você por aí pra todos verem?
Bond só ouvia –
Q se dirigiu até uma mesa, pegou uma pequena fita incolor e voltou-se na direção de Bond.
_ Preste atenção 007, isso aqui é uma micro película de fibra de carbono, na verdade é uma foto-célula formada por milhões de micro partículas elétricas, essa fita adesiva serve para burlar os sistemas de fechaduras eletrônicas programadas para abrirem portas, essas portas só são abertas quando detectam a impressão digital programada para tal.
Ao contato da película com o sensor de impressão ocorre um fenômeno físico que se chama reflexão, nesse momento a foto célula faz uma cópia exata da última impressão digital utilizada.
Bond tinha a atenção voltada a Q e a película que mais parecia um recorte de fita adesiva transparente.
Q demonstrou o invento em inúmeros modelos dispostos em seu escritório. Em todos eles a película obteve o efeito desejado.
_ Estamos testando esse invento há dois anos 007, faça bom uso dele falou Q enquanto entregava um pequeno estojo a Bond.
_ Você já abriu alguma porta de banco com isso? Debochou 007.
_ Não 007 respondeu secamente Q conduzindo Bond a uma porta lateral que dava para uma das ruas apertadas da cidade do Cairo.
_ Neste pequeno estojo você vai encontrar três películas 007, por favor quero elas de volta após o termina da missão.
Antes que Bond saísse Q ainda lhe entregou a Walther PPK de que 007 tanto sentira falta nos últimos dias.
Bond chegou ao hotel cansado, uma garrafa de champanhe seria uma ótima pedida, no menu junto a cama havia uma infinidade de opções na lista de champanhes, 007 correu os olhos pelas marcas e pediu uma garrafa de Veuve Clicquot (edição especial), encheu a banheira e esperou que a bebida fosse entregue na suíte.

Veuve Clicquot Ponsardin é uma mansão em Reims, na França e uma marca de champagne, facilmente reconhecida pelo seu distintivo amarelo vivo na garrafa.
Fundada em 1772 por Philippe Clicquot-Muiron, Veuve Clicquot desempenhou um papel importante no estabelecimento de champanhe como a bebida de escolha da burguesia e da nobreza, inclusive Bond toda que vez que podia visitava Reims onde a bebida era produzida.
007 pegou o envelope amarelo que Felix lhe entregara no cassino, não era dos maiores, portanto Bond sabia que dentro haveria apenas algumas poucas anotações, talvez umas fichas e mais nada.

Bond serviu-se de uma taça da bebida, rasgou a borda do envelope e conferiu em seu interior um pequeno relatório dobrado anexo a algumas fichas e uma fotografia.
O relatório fazia uma retrospectiva da vida de Ahmed Hassan Hadgin, nenhuma informação nova apenas o trivial.
Bond foi passando as fichas até que a última lhe chamou a atenção. A inscrição vinha acompanhada de uma fotografia.
Era uma foto de uma bela mulher, loira cerca de 1, 80, olhos azuis, cabelos curtos e corpo atlético, junto com a foto um pequeno papel que dizia:

Para 007.

“Natasha Stepanova ex-agente da KGB (treinada pra matar) foi expulsa da KGB e da Rússia após a Perestroika, hoje vive como clandestina perambulando por países árabes e oriente médio, também tem relatos de ações executadas em Berlim, Saragoza e Viena, mercenária desde os últimos anos da KGB é acusada de ter operado um esquema de assassinatos a agentes duplos na Bósnia e no Sudão durante a década de 90”.

Bond interessou-se mais na foto do que na ficha, tomou fôlego, um trago da champanhe e continuou lendo as anotações.

“Paradeiro iguinorado, a Cia levantou que até dezembro de 2007 ela se encontrava em algum lugar do Egito, (rumores dão conta de que é intermediária de Ahmed em negociações realizadas com Palestinos da faixa de gaza)”.

As anotações terminavam com a costumeira saudação final:

Sem mais, Leiter.

Ainda havia uma anotação que dizia respeito a uma certa “casa de banho” na cidade do Cairo, era um local onde provavelmente homens ligados a Ahmed faziam contatos com membros de grupos terroristas palestinos – Leiter dizia na anotação que a Cia estava de olho no estabelecimento há alguns meses e ainda não haviam encontrado nada comprometedor, Felix lembrava no bilhete que não custaria nada para Bond fazer uma visita no local.

O pequeno lembrete dava as indicações do local.

Casa de banho - Pyramids Road Giza -
Endereço - 45 abd-elaziz fahmy street -Cairo 11351


Bond deixou os papéis na beirada da banheira.
007 sabia que se encontrasse Natasha provavelmente estaria bem próximo de Ahmed.
Não seria nada fácil localizar Natasha Stepanova pensava Bond, e ainda mais Ahmed, foi nesse momento que Bond teve uma idéia.
Saiu da banheira se enrolou numa toalha de banho e foi até o canto da cama onde estava o celular, vasculhou a agenda eletrônica até encontrar um número.
Bond sabia que existia ainda uma história pendente, aquela ligação que Alexander Kirilenko fizera no pub naquela noite no Blackheath ainda teria desdobramentos, o serviço de escuta telefônica do MI6 havia detectado o número para a qual Alex ligara, então mais do que depressa Bond resolveu ligar para ele.
Q havia lhe informado que Alex ligara para alguém no Alasca.
Alexander era da KGB e Natasha também, ali se desenhava quem sabe alguma ligação perigosa entre os dois, 007 fazia as mais variadas conjecturas, era assim que aos poucos iria formando a tese para aquele emaranhado de informações desconexas até aquele momento.
007 seguia a sua velha intuição que tantas vezes lhe salvara em suas diversas incursões pelo mundo; pra ele alguma coisa estaria errada naquela história, e era isso que ele queria descobrir.
Ficou por alguns minutos sentado na cama em completo silêncio, raciocinava e procurava entender melhor os indícios para organizar um plano de ação.
007 estava no Egito, mais o pensamento visitava o Alaska – aquela ligação feita por Alex apontava os indícios do seqüestro para outro lugar.
007 tinha os instintos aguçados, aquele momento lhe exigia discernimento e agilidade e em uma missão como aquela não poderia haver vacilos.
Era evidente que em situações como aquela onde um seqüestro havia ocorrido quanto mais se demorava em descobrir o paradeiro da vítima, mas se perdia o controle da situação.
Sabendo disso Bond não poupou tempo e foi logo ao trabalho.

Capítulo 6

Bond foi logo digitando a seqüência numérica rastreada pelo MI6, enquanto seus dedos teclavam os números no aparelho telefônico Bond já pensava no que diria para quem quer que atendesse, certamente Bond teria que blefar. Como em um jogo de poker, em alguns casos não há possibilidade nenhuma de adivinhar o que o adversário tinha nas mãos e aí é que entrava uma tática infalivelmente perigosa, o blefe.
Após ter digitado os números, um imenso silêncio de alguns segundos abafou a linha telefônica até que uma voz atendeu. Era ma voz de mulher.
_ Até que enfim você ligou, já estava desistindo.
Bond não esperava as palavras, titubeou por segundos enquanto a voz do outro lado da linha prosseguiu.
_ Você é James Bond não é? Estavamos esperando sua ligação.
A voz era clara, vibrava sensualmente com um tom um tanto agressivo e objetivo.
James Bond estava descomposto, não entendia nada, antes que pudesse dizer alguma coisa a voz continuou.
_ Acho que a sua estada aí no Egito terminou, sei quem você quer, Ahmed também quer vê-lo o mais rápido possível, não preciso dizer onde estamos não é, você é muito bem informado.
Tem mais uma coisa, não esqueça os agasalhos você vai precisar deles por aqui.
Silêncio, a linha caíra. Bond literalmente fora pego de surpresa.
Bond estava petrificado, não esperava ser descoberto ali em um quarto de hotel na cidade do Cairo.
007 Colocou o fone no gancho vagarosamente, o ato desenrolou-se como uma cena em “câmera lenta”, Bond estava pasmo, seus pensamentos o direcionava para um só caminho.
Um complô?
Bond tinha certeza de que se tratava de algum tipo de armadilha, mas teria que pagar o preço da dúvida.
O MI6 havia tomado todas as precauções para que a identidade de Bond fosse preservada no Egito.
O que dera errado?
Bond pensativo imaginava que a sua presença no Egito deveria ter sido rastreada por alguém no Alaska, talvez Ahmed, pois só assim a voz feminina do outro lado da linha teria identificado James Bond.
Seria Natasha? Talvez, imaginou Bond, mas de qualquer forma a identidade secreta de Bond fora descoberta por alguém, seus passos certamente deveria ter sido seguidos desde o seu embarque da Inglaterra até a cidade do Cairo.
Bond ainda tinha o dia cheio, iria com Mônica a um visita até o Vale dos Reis, mas antes resolveu tirar um cochilo, pois a noite anterior fora muito “dura” para ele.

No Vale dos Reis

Bond estava decidido que iria deixar o Egito, mas antes queria ter uma tarde de descanso e nada melhor do que ir ver as pirâmides, ir ao Egito e não ir até as pirâmides seria um grande contra-senso pensava Bond.
Bond encontrou Mônica no local e horário combinado.Ela estava linda, vestia uma roupa leve, típica dos safáris com chapéu, jaleco, shorts e botinas.
A naturalidade e o comportamento de Mônica encantava Bond desde o dia anterior.
007 estava tocado pelo envolvimento com a moça, estava dividido entre o sentimento carnal que era uma característica de seu caráter claudicante quando o assunto era relacionamentos, e ao mesmo tempo estava sentindo algo mais forte.
Depois da morte de Tereza Bond (sua única esposa) 007 jurara que nunca mais amaria de verdade uma outra mulher; de fato Mônica havia encantado Bond desde o começo.
Um ônibus de turistas foi à condução que os levou para a viagem até Gisé.
A viagem de pouco mais de meia hora foi tranqüila, 007 conversava descontraidamente com Mônica que de vez em quando aproveitava para registrar alguma paisagem interessante através de uma câmera fotográfica enquanto o ônibus rompia a estrada margeando as dunas do deserto do Saara.
Ao chegar a Gisé, Bond já vislumbrava as pirâmides de Quéops Quefrem e Miquerinos além da monumental Esfinge, era uma visão ímpar; tudo exalava mistério.
Mônica levou 007 a algumas escavações feitas por cientistas nos anos 50, elas levavam a algumas câmaras subterrâneas construídas para depositar os corpos de faraós.
Mônica lembrava Bond que os reis quando morriam acreditavam que renasceriam mais fortes e poderosos e exigiam que fossem sepultados em locais seguros ao lado de todos os seus bens valiosos.
Mônica ia sempre à frente, pois conhecia a local como ninguém, eles entraram por um túnel de cerca de 1,20 de altura, Bond e Mônica tinha que se abaixar para andar por aqueles corredores baixos e sinuosos.
Em questão de minutos na medida que avançavam o escuro ia tomando conta do ambiente, só amenizado pela lanterna que a garota levava, Mônica caminhava rumo às câmaras onde existiam hieróglifos na parede, as escritas dos antigos egípcios, o seu objetivo era tirar algumas fotos.
O local era seco, inóspito e escuro.
Bond acompanhava Mônica com uma imensa dificuldade naquele local pouco confortável, ele preferia mesmo estar à beira de uma piscina com muitos martinis e mulheres bonitas.
Os corredores se sucediam e volta e meia desembocavam em pequenos sarcófagos que Mônica prontamente fotografava, o local era tão escuro e assustador que por vezes Bond teve a impresão de que estava sendo seguidos. Havia ainda uma sensação de claustrofobia naquele ambiente fechado e pouco iluminado.

Mônica tinha passos seguros o que demonstrava um certo conhecimento do caminho, ela ia senpre na frente de 007, com muito custo Bond procurava acompanhar o ritmo de Mônica que ao mesmo tempo em que fotografava tentava explicar a importância dos registros deixados pelos egípcios a mais de 2.500 anos nas paredes daqueles corredores intermináveis.
A agilidade de Mônica era tamanha que 007 acabou deixando que a moça avançasse mais a sua frente, eles estavam em uma galeria onde a luz era muito tênue e por isso Bond já não via mais a sua acompanhante, alguns metros a sua frente.
Mônica havia desaparecido de vêz, a iluminação, era deficiente naquele local, 007 até pensou em gritar para que a moça interrompesse aquele ritmo quando ouviu um barulho às suas costas, no momento que se virou pra constatar de onde tinha vindo aquele som, Bond pode ver apenas uma figura espectral, era um rosto com contornos mal definidos em virtude da pouca claridade do local, isso foi tudo que viu antes de ser atacado, golpeado com violência 007 caiu desacordado.

Quando Bond recobrou a consciência estava em uma cama de campanha instalada numa barraca de primeiros socorros no lado de fora da galeria onde estivera a pouco.
Sentia uma imensa dor na parte de trás da cabeça, se levantou com dificuldades, mas uma forte tontura o fez retornar a cama.
Sentira que a pancada fora forte; o bastante para anulá-lo.
_ Está bem agora?
007 conhecia aquela voz, mas como ainda se recuperava do torpor da inconsciência teve que voltar o rosto para o lado de onde vinha a voz para daí ligar a voz a pessoa que estava ali do seu lado.
_Felix Leiter, você aqui? O que houve – sussurrou Bond surpreso enquanto massageava o local atingido.
Leiter desolado respondeu.
_ Você foi atacado dentro da câmara subterranea, se lembra de alguma coisa?
007 ainda sorumbático disse que estava junto com uma amiga quando alguém lhe atingira por trás fazendo com que seus sentidos fossem entorpecidos.
Leiter completou.
_ Danka Pfinberger era seu nome, está morta Bond, ela foi asfixiada, seu corpo foi encontrado há uns 10 metros de onde você foi atacado falou Leiter olhando com certo desapontamento.
007 já mais disposto interviu.
_ Não quem estava comigo era Mônica, Mônica Strazza explicou Bond enquanto tentava se levantar da cama outra vez.
Leiter posicionou de frente para 007 lhe estendeu o braço ajudando-o a ficar de pé e narrou os acontecimentos ocorridos durante os minutos em que Bond ficou inconsciente.
_ Ela se chamava Danka Pfinberg, é judia nascida na Bulgária, era do Serviço Secreto Israelense, agente de campo recém promovida para o cargo, estava no Egito há uma semana, tenho informações do Pentágono que o Mossad também está no caso do seqüestro do garoto.
_ Por que não me matou também indagou 007 enquanto se aproximava do corpo inerte da garota na saída das escavações.

Leiter respondeu que não sabia ainda por que Bond fora poupado pelo assassino de Danka.
007 estava pensativo, ainda não queria acreditar no ocorrido.
Leiter se aproximou de Bond, abaixou-se até onde estava o corpo da garota e confidenciou.
_ Bond, a Cia também desconhecia a presença do Mossad no caso, mas presumo que os israelenses estarão por perto para pegar uma carona no nosso trabalho.
Aquele comentário de Leiter estimulou Bond a imaginar que o Mossad também via o seqüestro do garoto como obra de terroristas Árabes, de certo as agências russa, alemã e japonesa também deveriam estar investigando o seqüestro do filho do embaixador americano.
James Bond ainda teve que esperar que o chefe de polícia local tomasse dele os depoimentos de praxe.
De volta ao seu quarto no Hotel 007 foi direto ao telefone onde ligou para a recepção e pediu que providenciassem o encerramento de sua estadia. Pediu também uma reserva em um vôo para o Alaska, 007 partiria no outro dia.
Bond resolveu não comunicar nada dos acontecimentos ao MI6 ele queria esperar mais um tempo para reportar a M um relatório pormenorizado do andamento da investigação.
Para 007 depois do que ocorreu no Vale dos Reis eram as pistas que o seguiam e não ele quem estava atrás delas.
Bond tinha a consciência plena que daquele momento em diante os seus passos estariam sendo vigiados.
Bond já tinha a viagem marcada para o outro dia, portanto não lhe restara muito tempo no Egito, ele olhava pela janela com um olhar vago e aflito, de alguma forma ele teria que se esforçar para encontrar uma pista ali mesmo no Egito antes do seu embarque para o Alaska, Bond ainda tinha uma pista pra ser investigada, 007 já vislumbrava ainda a oportunidade de descobrir algo que o incomodava, e o que o incomodava naquele momento era o verdadeiro motivo da sua viagem ao Egito.
Bond foi até o envelope que Leiter lhe entregara e achou a anotação sobre um possível local freqüentado por Ahmed e seus homens no Egito.

Casa de banho - Pyramids Road Giza -
Endereço - 45 abd-elaziz fahmy street -Cairo 11351


007 já sabia o que fazer estendeu a mão na direção do telefone chamou a recepção e pediu que o serviço de locação de veículos do hotel lhe reservasse um automóvel para um passeio pela cidade do Cairo, um Astom Martin DB9 seria impossível no Egito, mas pra compensar Bond conseguiu um Ford Mustang Sport modelo 1968 todo preto, uma beleza.
007 resolveu que aquele era o momento certo para um belo banho, ele iria fazer uma visita à casa de banho citada por Leiter no memorando.

007 se aproximou da cômoda onde guardava seus pertences, abriu a primeira de uma série de quatro gavetas dispostas verticalmente no móvel, de cara avistou sua companheira inseparável, Walther PPK.
Pegou-a como se tocasse uma jóia, tirou o pino descarregou o tambor, girou-o diversas vezes pra frente e pra trás, travou o gatilho, carregou-a novamente se certificou de que a trava estivesse mesmo acionada e acomodou-a no coldre junto ao abdome por debaixo do paletó escuro.
Bond deu dois passos pra trás de forma que o espelho enquadrasse todo o seu corpo, levantou o braço esquerdo e procurou na imagem do espelho um vestígio de marcas no paletó que pudesse indicar uma arma escondida.
Não encontrou.
A morte poderia aparecer para James Bond a qualquer momento, ele estava sempre pronto pra ela, jogava com a morte muita bem, melhor até do que com as cartas.
Aliás, 007 adorava jogar.
Depois que foi promovido pelo Serviço Secreto Inglês e passou a ser um agente 00 com “licença para matar”, a morte para Bond passou a ter um doce sabor, ele degustava-a como uma boa dose de Martini com vodka “sempre batido, nunca mexido”.
Comparava a morte como um flerte, assim com as mulheres, ele tinha a mesma intimidade com a morte.
Sua vida estava rodeada destes quatro elementos “excitantes” – Cartas, bebidas, mulheres e mortes; muitas mortes.

Capítulo 7

O trajeto entre o hotel e a casa de banho foi de aproximadamente 40 minutos, a demora era um sinal óbvio da desorganização do trânsito da capital egípcia, se fosse em qualquer outra cidade Bond completaria o percurso em no máximo 15 minutos.
Bond conduziu o Mustang até próximo ao estacionamento, a fachada demonstrava toda a suntuosidade da casa, 007 deixou o carro sob os cuidados de um funcionário da casa que trabalhava do lado de fora do estabelecimento recebendo os clientes.
O interior demonstrava puro bom gosto, nas paredes haviam ornamentos árabes, Bond pode observar também algumas mobílias orientais possivelmente vindas do Japão e da China, além de revestimentos no teto que imitavam a arte bizantina, Bond estava encantado com o bom gosto do ambiente que nem se deu conta da aproximação da recepcionista, ela veio dar-lhe as boas vindas, morena – aproximadamente 1.75 de altura olhos amendoados cabelos escuros e pernas a mostra, a moça chegou até Bond e o cumprimentou.
Bond paralisara com a beleza da mulher, aqueles segundos para Bond poderiam durar pra toda a eternidade.
Ela era muito encantadora.
007 pode sentir um aroma que vinha da recepcionista - Ambergris branco, Bond reconheceu a essência, observador principalmente quando se tratava de mulheres bonitas Bond avaliou rapidamente que pelo seu modo de falar aquela linda mulher deveria ser marroquina ou argelina, falava inglês com um leve sotaque francês.
Bond disse à moça que era americano e que estava apenas querendo conhecer as dependências da casa, pois ficaria todo aquele mês no Egito e com certeza iria freqüentar uma casa como aquela durante a sua estadia.
A moça muito calorosa com uma das mãos no ombro de Bond o levou para o interior da casa, a primeira sala era muito ampla e contava com várias mini-piscinas de águas térmicas como identificou Bond, aquela parte da casa estava repleta de clientes, muitos estrangeiros como ficou claro em meio ao burburinho , idiomas como o inglês, francês e o espanhol foram fáceis de serem identificados naquele ambiente.
Havia ainda um odor que parecia cheiro de flores, certamente deveria vir dos sais de banho aromatizados das piscinas térmicas espalhadas pela casa pensou Bond.
O segundo cômodo da casa era mais reservado, contava com pequenos aposentos privados onde a acompanhante informou se tratar do serviço de massagens mais completo do Egito.
Ao final do corredor havia um aposento vazio, a moça fez um convite para que Bond a acompanhasse, 007 não hesitou o convite provocante, ela entrou na frente, e Bond foi por último, 007 entrou fechou a porta e quando se virou para a acompanhante teve uma surpresa.

A moça apontava pra ele uma arma, era uma pistola automática identificada pelos olhos rápidos e precisos de Bond como uma Glock 9 mm.
Bond revisou na memória os manuais de armas do Mi6 e lembrou que já havia treinado tiro ao alvo com uma Glock.

A pistola Glock foi desenvolvida pelo engenheiro Gaston Glock, no ínicio dos anos 80 na Áustria, a 9mm era utilizada por polícias e exércitos de vários países.

Definitivamente 007 não gostara da arma, alem de não ter um charme especial requisito de qualquer pistola na opinião de Bond a Glock não tinha um poder de tiro que o agradasse, além de que o fabricante não tinha relações comerciais com o governo britânico.
_ Sr. Bond, vamos deixar de lado às apresentações, estávamos a sua espera, alguém quer vê-lo depressa, me acompanhe falou a mulher com um certo tom de autoridade.
Com um aceno de que Bond deveria ir a frente, a moça forçou a parede a sua frente e esta cedeu, Bond caminhava lentamente com o cano da arma em suas costas, passou por um corredor com uma decoração toda avermelhada até chegar a uma espécie de estufa abarrotada de flores, um cenário totalmente inesperado por estarem em uma casa de banho no norte da África.
A moça pediu que Bond esperasse ali e alertou para que ele não ousasse fugir e que não tentasse nenhuma brincadeirinha.
Sem poder fazer nada naquele momento 007 esperou, Bond olhava o cenário ao seu redor, um emaranhado de flores de todas as cores e espécies, do local emanava fragrâncias das mais variadas possíveis.
_ O cheiro da morte! Disse uma voz nas costas de Bond.
Bond virou se pra ela, e avistou um homem enorme, gordo cavanhaque e óculos de aros de tartaruga.
_ O cheiro das flores, lembra o cheiro da morte Sr Bond disse o homem.
_ Não posso dizer nada, não conheço a morte, Senhor? Indagou Bond querendo saber o nome daquele homem de ar nefasto.
_ Ahmed Hassan Hadgin, falou estendendo as mãos com um aceno típico dos árabes.
_ Mas você está no Alaska? Rebateu em forma de blefe James Bond, aquele blefe ainda veio acompanhado de um sorriso irônico.
_ Estou em muitos lugares ao mesmo tempo Sr Bond redargüiu o homem expondo um sorriso aterrorizante, permita-me que lhe apresente minha humilde casa, você sabia que existem milhares de espécies de flores em todo mundo?
_ Aqui tenho pelo menos exemplares de 40% de todas elas.
Aquela figura parecia um “Buda das arábias” enquanto falava vez ou outra tocava e cheirava algumas flores.
_ A propósito você já ouviu falar de Karl Clusius? Pois bem, ele era um jardineiro colecionador de tulipas, mas em 1593 teve sua coleção roubada.
_ Me trouxe aqui pra me contar histórias de ladrões de flores, interpelou Bond em tom provocativo.
O homem interrompeu a exposição que fazia sobre as flores e enquadrou Bond com um olhar mortal.

Bond aproveitou o recuo moral do homem e o provocou.
_ Se interessa apenas por flores ou tem outro hobby, por exemplo seqüestrar filhos de embaixadores.
O homem sentiu-se acuado com o questionamento laico de 007, afastou-se das flores e se voltou para o agente inglês.
_ Sr. Bond o senhor é um homem muito duro, estava falando das maravilhas das flores e da sensibilidade das tulipas, mas o senhor quer que eu fale de coisas mais fatais imagino, pois bem me siga, tenho um outro assunto pra tratar com você.
O homem caminhou por entre um corredor de flores até uma porta, do outro lado havia um escritório, o homem serviu duas doses de wisky e pediu que Bond sentasse; ao ver 007 desconfiado olhando para bebida, disse com ar de ironia.
_ Beba Senhor Bond, não tem veneno na bebida, se quisesse teria te matado quando chegou à cidade!
Bond deu uma risada desconfiada e tomou a dose toda em um só gole.
O homem fitava 007 como se inspecionasse a alma do agente britânico.
_ Sr Bond, o senhor tem em seu poder disfarçada por debaixo do paletó uma Walher PPK, sabemos desde que chegou, só não ordeinei que o desarmasse, por que a arma não poderá ajudá-lo aqui.
O homem fechou o sorriso irônico e com ar sombrio mudou o tom da voz.
_A partir de agora o senhor irá trabalhar pra nós, o MI6 que espere, fazemos parte de uma organização terrorista temos sob nosso controle um dos filhinhos da América.
Bond como se não quisesse acompanhar a linha de raciocínio que o homem procurava estabelecer foi logo interrompendo-o
_ Como saberei se o garoto ainda vive, interrompeu Bond.
_ 007 já disse se quiséssemos teríamos te matado quando pisou nesta cidade, não brincamos com coisa séria, o menino ainda vive e logo enviaremos uma prova para os seus chefes.
Você terá pela frente uma missão diferente de todas que já teve. Porém desta vez não vai trabalhar para o MI6.
Bond interrompeu com uma pergunta:
_ Então vou trabalhar pra quem?
O homem respondeu com ar de superioridade.
_ Vai trabalhar pra nós Sr. Bond.
_ E se não quiser trabalhar pra você? Perguntou 007.
_ Simples, disse o homem, mataremos o garoto e-o enviaremos para a embaixada americana na Inglaterra aos pedaços; nós Árabes somos um povo ultrajado, prosseguiu o homem, nós somos um povo historicamente humilhado Sr. Bond; o senhor deve saber do que estou falando - Guerra dos 100 dias, Beirute, Golfo e outras humilhações, completou com voz embargada e ódio no semblante.

_ O que querem que faça? Perguntou Bond.
_ Sr. Bond, estou certo que irá nos ajudar, mas por enquanto é só. Pode ir agora, o Sr terá uma viagem longa pela frente, falou em tom profético. Bond observava os seus movimentos, o homem foi até o bar e retirou de lá uma garrafa.
_ Tenho um presente para o senhor disse o homem entregando lhe uma garrafa de Brandt.
_ Mas não bebo conhaque, redargüiu Bond.
_ Mas pra onde irá o conhaque será um bom companheiro, ele alivia o frio Sr Bond disse o homem com um sorriso estampado no rosto.
Logo chegou um guarda-costas com um olhar de assassino que iria acompanhar Bond até a parta.
Bond antes de ir se virou para o seu anfitrião e perguntou – Você não é Ahmed?
O homem sorriu acompanhado de movimentos com as mãos que lembrava uma típica saudação árabe, parou por um momento e disparou a clássica sentença que parecia ter sido pinçada de algum dos conto das "1001 noites" :
_ Ahmed está em muitos lugares ao mesmo tempo Sr Bond.
Bond já passava da porta a caminho da estufa de flores quando ouviu.
_ Sr Bond, tem mais uma coisa:
_ Sr Bond, espero que a nossa conversa fique entre nós, pois agora o senhor trabalha pra nós, no Alaska o senhor receberá as orientações que precisa para um trabalhinho que fará pra nós. E não se esqueça, a vida de um garoto inocente depende unicamente do senhor!
Bond ouviu as palavras daquele homem sem ao menos olhar pra trás.
No caminho de volta a recepção daquela casa de banho Bond comparava o rosto daquele homem que acabara de recebê-lo com o esboço do retrato de Ahmed que vira no escritório de M, daí 007 chegou a seguinte constatação:
Tratavam-se de pessoas diferentes.
Bond saiu da casa de banho com uma certeza, estava lidando com uma organização terrorista muito bem articulada que nos últimos dias sempre esteve seguindo os seus passos desde quando chegou ao Egito.
Mesmo assim 007 resolveu manter longe do conhecimento do seu governo os acontecimentos daqueles dias, por enquanto não reportaria nada de oficial ao MI6, e iria para o Alaska sem que M ou Félix Leiter soubesse de alguma coisa.
A partir daquele momento Bond mergulharia em um outro mundo, não demoraria muito e 007 passaria a cooperar com o lado com o qual sempre se opôs .
O lado dos inimigos.

Capítulo 8

Quando Bond sentou-se na poltrona do avião constatou que as surpresas estavam apenas começando, sua companhia durante toda a viagem até os Estados Unidos seria um rapaz magro que se apresentou com o nome de Oleg Kusnetsov dizendo ser um dos homens de Ahmed.
_ Senhor Bond vou acompanhá-lo até o seu destino, Ahmed pediu-me que lhe fizesse companhia durante o vôo, só para o senhor não se perder, em Nova York pegaremos um outro vôo direto para o Alaska disse o homem em tom irônico.
Oleg era um homem esguio de aproximadamente 40 anos de idade, usava óculos com aros de metal arredondados e tinha um aspecto patético.
_ Quer beber alguma coisa disse Oleg ao ver se aproximar a comissária de bordo, Bond com ar de poucos amigos pediu um Martini do jeito que ele gostava - batido não mexido, já Oleg pediu uma dose de vodka.
Oleg falou bastante nos primeiros minutos de vôo, depois se calou, durante as horas que antecederam a chegada deles a Nova Iorque o russo pouco se dirigiu a 007 a não ser pra falar da sua ligação com Ahmed, Bond descobrira pelas poucas vezes que conversaram que Oleg era ucraniano e fazia parte da guarda pessoal de Ahmed.
Certamente Oleg teria sido também agente da KGB como Natasha, a respeito dela Bond decidira que não perguntaria nada a Oleg, mesmo sem conhecer Natasha Bond já se interessara pela ex-agente da KGB.
O desembarque em Nova Iorque foi tranqüilo, Oleg explicou a 007 que eles teriam que aguardar um outro vôo que os levariam até o Alaska.
Bond estava pouco a vontade com aquela presença velada que lhe acompanhava na viagem até o Alaska.
Oleg Kusnetsov era o tipo “lacaio”, faria qualquer coisa por Ahmed, inescrupuloso confessara que estivera envolvido em ações terroristas em Jerusalém, Mogadício e Grozny.
007 tinha Oleg como uma sombra naquela imensidão que era o aeroporto de Nova Iorque, além de incômoda a presença de Oleg irritvaba 007.
Aonde Bond ia Oleg estava atrás, 007 caminhou até uma banca de revistas observou alguns jornais e depois seguiu na direção aos banheiros no final do grande corredor central.
Aquela movimentação fazia parte de um plano de emergência “bolado” por 007 ainda no aivão.
007 entrou em um dos toaletes individuais e fechou o trinco interno, Oleg ficou do lado de fora com o rosto voltado para uma das pias observando pelo espelho a porta do toalete onde Bond entrara.
Passaram se alguns minutos e Oleg começou a se preocupar com a demora, inquieto e ansioso se aproximou da porta e sussurrou.
_ Comandante vamos embora já está quase na hora do embarque.
Silêncio; não houve resposta.

Oleg olhou com estranheza para a porta, resolveu checar o que se passava. Foi até o toalete ao lado, subiu no vaso sanitário com intuito de observar o que se passava no interior da cabine onde Bond entrara. Colocou as duas mãos sobre a divisória e apontou a cabeça para o outro lado.
James Bond não deu tempo para Oleg falar uma palavra se quer, um tiro esfacelou-lhe a cabeça.
O impacto do projétil contra o crânio de Oleg fez com que seu corpo fosse atirado violentamente pra traz estatelando-se no chão úmido do toalete.
O disparo produziu um leve odor de pólvora queimada que misturada ao cheiro do local se dissiparia com certa rapidez.
007 desconectou o silenciador da sua Walther PPK, acomodou-a no coldre junto ao abdome sob o paletó e saiu.
No corredor de volta para o setor de embarque do aeroporto Bond observou o relógio e apressou os passos.
Até o Alaska foram mais de cinco horas de viagem, a viagem foi tensa, Bond não bebeu nada, havia uma ansiedade estampada no seu rosto.
007 estava tenso e curioso, queria logo chegar pra saber o que e quem o aguardaria naquela terra fria.
Era noite quando o avião pousou, Oleg havia dito antes de “sofrer o acidente no banheiro do aeroporto de Nova Iorque” que quando chegassem em Fairbanks no Alaska haveria um carro a espera deles.
Antes que os passageiros descessem do avião foi explicado pelas comissárias do avião que naquele período do ano no Alaska o inverno era mais rigoroso com temperaturas de aproximadamente 20 graus negativos e que o sol brilhava apenas 2 horas por dia, as outras 22 eram completadas sob o escuro de uma noite sepulcral que castigava aquela região quase inóspita e desabitada.
Bond desceu as escadas do avião vestindo um casaco de lã, por baixo uma jaqueta de couro, cachecol, uma toca e um par de luvas de couro, no desembarque Bond pode constatar na “pele” o frio intenso do Alasca.
Quando entrou no pequeno saguão do aeroporto Bond correu os olhos por toda a sala que naquela hora estava praticamente vazia.
Alguém o observava escondido em um dos pilares de sustentação do edifício, ao se aproximar 007 foi surpreendido por um individuo desajeitado.
Era um rapaz baixo com trejeitos infantis.
_ O senhor é o Comandante Bond não é?
Bond respondeu com outra pergunta.
_ Pareço com o Sr Bond?
O rapaz que não tinha mais que 22 ou 23 anos indagou surpreso.
_ Onde está Oleg?
Bond enigmático disparou.
_ Uma pena, sofreu uma incontinência terrível, ainda deve estar em algum banheiro de Nova Iorque.
O rapaz fez uma cara de estranheza e pediu que 007 o seguisse.
O rapaz o levou até o estacionamento do aeroporto.
Naquele momento a neve recomeçava a cair. O frio era brutal.
Por onde a visão de 007 alcançava só se via o branco da neve.

Bond seguiu direto para dentro de uma limusine que o esperava.
Dentro da limusine a sua espera um rosto familiar.
_ Até que enfim uma bela companhia disse Bond olhando para aquele rosto bonito, Natasha Stepanova não é esse seu nome disse o agente com um sorriso encantador.
A mulher respondeu autoritária.
_ Sim sou eu comandante, espero que tenha feito uma ótima viagem, levaremos o senhor aos seus aposentos onde poderá descansar, pois amanhã teremos muito trabalho pela frente.
_ Você é muito mais bonita pessoalmente do que nas fotos disse Bond com ar provocativo enquanto a limusine em alta velocidade os levava para um local frio e ignorado.
Natasha respondeu.
_ Sei tudo sobre você Bond, tenha certeza que não farei parte de sua enorme coleção de casos amorosos, fui designada pra cuidar do senhor de uma outra forma, farei com que o senhor execute sua missão da melhor forma possível.
Bond ainda notou que a voz de Natasha era familiar, 007 num passe de mágica lembrou da voz que havia lhe falado naquela ligação na cidade do Cairo, tudo fazia sentido, a voz era da mesma pessoa.
Fora Natasha que atendera a ligação efetuada por Bond no quarto do Hotel Grand Hyatt no Cairo.
Natasha questionou 007 com respeito ao paradeiro de Oleg, Bond desconversou novamente.
_ Ele estava muito mal, comeu alguma coisa que não fez bem, a última vez que o vi foi em um banheiro em Nova Iorque, vai ver ainda está lá.
007 tinha um tom de deboche, nas entrelinhas a experiente ex-agente da KGB imaginou o que deveria ter havido com o colega.
O carro rompia uma estrada escura, fria e totalmente deserta, pelo que podia avistar pela janela embaçada da limusine o panorama externo era de neve pra todos os lados.
Natasha se voltou para Bond tranqüilizando-o.
_ Comandante, fique tranqüilo pois já chegaremos.
Bond encostou mais perto da moça e respondeu enfático.
_ Não estou com um pingo de pressa.
Percorreram mais alguns quilômetros quando o carro saiu da rodovia e entrou em uma estrada secundária, foram mais meia hora até chegarem ao que pareceu uma fazenda, naquele momento a neve caia com mais intensidade, 007 pode observar que naquele lugar havia um complexo de prédios de dois andares, as instalações eram enormes e muito bem cuidadas como pode avaliar Bond, ele teve inclusive a impressão de estar em um pequeno condomínio residencial devido, o carro por fim parou em frente a uma suntuosa residência embelezada por um enorme chafariz que naquelas horas estava com as suas águas congeladas.
Bond desceu do carro sempre com Natasha Stepanova no seu encalço, na porta um segurança deu as boas vindas, ali mesmo Bond foi revistado dos pés a cabeça.
O sentinela pegou a arma e entregou-a Natasha que ponderou.
_ Sr Bond aqui não irá precisar dela, quando o senhor for embora lhe devolveremos.

007 abriu as duas mão como quem quisesse dizer “tudo bem o que posso fazer”.
007 foi levado por Natasha a uma escadaria que dava acesso a um conjunto de quartos, depois de subirem os degraus andaram alguns metros pelo corredor até pararem a frente do quarto número 14.
Natasha parou olhou para Bond e falou didaticamente.
_ Comandante Bond, esse será seu quarto, tome um banho e em uma hora será servido o jantar e não tente nada, pois é impossível fazer contato com o mundo externo daqui.
_ Não irei em nenhum lugar sem você brincou Bond encarando Natasha.
_ E se tentar fugir, disse Natasha, irá morrer congelado.
Irônico Bond perguntou.
_ Você vai monitorar meu banho também?
Natasha não disse nada, apenas abriu a porta do quarto e fez sinal para Bond entrar.
_ Comandante, avisaremos na hora do jantar, passar bem concluiu de um modo enfático.
Dentro do quarto Bond teve a impressão que de fato era monitorado, muitas dúvidas lhe assaltavam a mente naquele momento, 007 tratou de dar uma rápida vasculhada no quarto, observou que no guarda roupa havia várias peças de agasalhos de frio e até um terno escuro que Bond constatou que lhe serviria, pois tinha o seu número.
No mais havia um aparelho televisor, um aparelho interfone para comunicação interna e nada mais, o banheiro era simples, porém eficiente como ele comprovou ao tomar um banho rápido.
O sistema de aquecimento era perfeito, a calefação era moderníssima.
Enquanto se vestia Bond pensava na missão, algo estava o empurrando para aquele caso com uma força maior do as suas próprias.
Logo o interfone tocou. Era Natasha convidando Bond para descer para o jantar.
Quando 007 apontou no alto da escadaria avistou a bela mulher a sua espera, pode assim confirmar o que já havia percebido, ela era de fato deslumbrante.
Um misto de força e delicadeza, um olhar convidativo e ao mesmo tempo agressivo, tinha os movimentos delineados.
Bond desceu as escadas com o olhar vidrado em Natasha, ao chegar perto dela fitou a nos olhos e perguntou.
_ Você vai me levar até Ahmed não vai.
Natasha apenas fez um aceno para que Bond caminhasse na direção de uma sala ao lado.

Capítulo 9

Bond foi levado a uma sala de jantar, muito bem decorada, o ambiente devidamente aquecido destoava do frio glacial predominante do Alaska, havia ali um aroma agradável levemente adocicado e forte.
Sentado a mesa estava um homem de meia idade, calvo, olhar sereno e anéis em quase todos os dedos das mãos.
007 não logo reconheceu o homem, era tal e qual a gravura que vira no escritório de M, os desenhistas do MI6 haviam chegado muito próximos da realidade quando confeccionaram o retrato falado de Ahmed admitiu Bond em pensamento.
Ao se aproximar Bond foi logo abordado por Ahmed.
_ Senhor Bond desculpe-me por lhe fazer esperar tanto, permita que me apresente sou Ahmed Hassan Hadgin, ao seu dispor, na verdade meu lar é o Egito, minha terra sagrada, mas aqui também tenho outros interesses, mas primeiro o jantar, depois os negócios bradou com uma mansidão inimaginável para um homem com o seu retrospecto pregresso em crimes e atrocidades.
Bond observou em um canto da sala um incensário, de lá originava-se o aroma sentido ao entrar na sala.
_ Chandam comandante, esse é um dos aromas mais enigmáticos do mundo árabe disse Ahmed ao notar que Bond observava a fumaça fina do incenso.
Durante o jantar 007 ouviu atentamente Ahmed discorrer sobre as práticas militares de Israel contra os muçulmanos.
Ahmed lembrou que os governos americano e inglês era o principal financiador das agressões promovidas pelo governo de Israel contra árabes e palestinos.
Após o jantar, Bond foi convidado por Ahmed para mudar de sala, ele foi levado a um cômodo adjacente, uma sala pequena, porém muito bem equipada com lareira, estante de livros e quadros na parede, Ahmed explicou a Bond que a sala era o local da casa onde ele se reunia com os “amigos” para fumar o narguilé. O anfitrião fez questão de acomodar Bond em uma das poltronas.
Antes de sentar-se Ahmed certificou na lareira que havia madeira o suficiente para aquecer a sala, deu um trago na mangueira da bomba de narguilé e dirigiu-se a Bond.
_ Senhor Bond, mesmo rotulados de terroristas, na verdade os árabes são vítimas do terrorismo genocida praticado pelos Estados Unidos ao longo dos últimos 70 anos, infelizmente com o apoio oficial do seu governo.
Ahmed falava com certa sofreguidão que deixava Bond levemente incomodado.
_ A propósito já ouviu falar de François Sallameh? Questionou Ahmed enquanto dava mais uma tragada no Narguilé.
Bond ouviu aquela pergunta enquanto observava a estante de livros a sua frente, procurou nos arquivos na mente lembrar do nome citado por Ahmed.
Após alguns segundos ainda com o olhar vago Bond lembrou do nome.
_ Sim disse 007, François Sallameh é o terrorista que planejou a explosão de um carro bomba em Jerusalém alguns anos atrás, é um dos prisioneiros mais perigosos em poder do governo norte americano atualmente lembrou.
Bond se lembrou ainda que Sallameh fora preso há alguns anos atrás em uma operação coordenada pelo MI6 e a Cia com apoio do Mossad, Sallameh havia sido detido em uma das praias na costa francesa da Normandia.
_ Praia de Juno, disse Bond enquanto buscava em sua memória os fatos que envolviam o nome do terrorista.
Ahmed largou a mangueira do narguilé levantou-se da poltrona deu uma volta pela sala e elogiou Bond.
_ Como o senhor tem boa memória Senhor Bond, François é um dos mais importantes membros de nossa organização, é como um filho pra mim, a sua prisão tem prejudicado o desenvolvimento de novas células na Europa e o senhor está aqui para libertá-lo disse Ahmed com voz embargada.
Bond não deixou de se surpreendeu com a colocação de Ahmed.
Ahmed via pelo olhar que Bond estava pasmo com a questão levantada.
007 encarou Ahmed e respondeu.
_ Não posso libertar um prisioneiro, François está muito bem protegido pela justiça americana disse Bond com um misto de seriedade e um sorriso desajeitado que vinha dos cantos de sua boca.
Ahmed chegou bem próximo de Bond largando a mangueira do narguilé, tinha os olhos vermelhos o que denunciava certo grau de irritação.
_ Senhor Bond, as condições de François e a sua libertação deverão ser um problema seu daqui pra frente, o senhor está aqui para libertá-lo. Preciso de um profissional para executar esse resgate, e você foi o escolhido, foi por isso que seqüestramos o filho de um embaixador americano na Inglaterra.
O clima na sala estava extremamente confuso, a sensação que Bond tinha era que não haveria como driblar aquele “pedido”, diante do seqüestro o governo britânico não tinha muito o que fazer.
Com o passar dos minutos Ahmed ia tendo um olhar cada vez mais ameaçador.
_ O senhor não estará fazendo favor nenhum a mim libertando François, o senhor estará salvando a Europa, a Inglaterra e quem sabe ao planeta inteiro. Pois lhe ofereço uma troca muito justa François vivo em troca do filho do embaixador dos Estados Unidos. Não acha uma troca coerente Senhor Bond? Perguntou Ahmed.
Ahmed levantou-se foi até a estante de livros, apanhou uma pasta e entregou-a a Bond.
_ Aí está um pequeno relatório com respeito a François, ele está atualmente detido em Nova Iorque, Ahmed apontou para as folhas que já estavam sob o olhar de Bond, observe que daqui 12 dias François será transferido para uma penitenciária exclusiva para presos muçulmanos em Los Angeles comentou.
007 pode constatar no relatório que François estava detido na Woodbourne Correctional Facility em Nova Iorque e seria transferido para a penitenciária de Muhammad Speaks Prison Outreach Program em Los Angeles.
Bond estava compenetrado naqueles registros, Ahmed aproximou-se e fez uma breve interrupção
_ Senhor Bond, terá a noite toda pra estudar o conteúdo deste pequeno relatório.
007 fechou a pasta e levantou o olhar em direção de Ahmed.
_ Quero François comigo até o final do mês disse Ahmed em voz baixa.
Bond observou em um calendário próximo de onde estava e conferiu que teria justamente 12 dias para executar a missão.
A dica era tácita, Bond presumiu nas entrelinhas que Ahmed achava melhor que 007 aproveitasse a transferência de François de Nova Iorque para Los Angeles para agir.
Ahmed lembrou Bond da urgência do plano de resgate, dizendo que a missão deveria ser executada rapidamente.
Antes de deixar a sala Ahemd deu um passo na direção de 007 e disse:

_ “Sabei que aqueles que contrariam Deus e Seu Mensageiro serão exterminados, como o foram os seus antepassados; por isso Nós lhes enviamos lúcidos versículos e, aqueles que os negarem, sofrerão um afrontoso castigo”.

007 ouviu o provérbio com um olhar entediado.
_ Al Corão senhor Bond, espero que viva o bastante para ler um dia.
_ É quem sabe ! Retrucou Bond sem encará-lo.
_ Que Allah nos proteja.
O ancião saiu vagorasamente deixando 007 pensativo.
Nada restava a Bond a não ser aceitar aquela missão inescrupulosa imposta por Ahmed ,os terroristas comandados por Ahmed tinha o garoto vivo em seu poder e 007 tinha que recuperá-lo.
Ahmed usava um recurso típico dos terroristas a “chantagem” como forma de extorsão.
Bond estava apreensivo, no fundo sabia que a missão seria muito difícil, como um jogo de xadrez.
Não restava outra saída, 007 teria que entrar naquele jogo sujo proposto por Ahmed.
Quando Natasha apareceu Bond estava sentado com o olhar preocupado.
_ Comandante por favor, vou lhe conduzir para seus aposentos disse a ex-agente da KGB.
Natasha Stepanova reconduziu Bond ao quarto, ao chegar à frente da porta ela lhe fez uma recomendação:
_Comandante Bond aproveite a noite para pensar em um bom plano, pois vai precisar de um para libertar François.
007 rebateu sarcástico:
_Preferia aproveitar a noite com algo muito melhor insinuou enquanto percorria o olhar por todo o corpo de Natasha.
Natasha fez um olhar evasivo e se retirou silenciosamente.
Bond observou que a ex-agente da KGB desaparecesse no fim do corredor para entrar no quarto.
007 havia estudado cada centímetro daquele corpo escultural.
Como em uma ação ousada Bond via a conquista da mesma forma que via uma ação, o primeiro passo era o reconhecimento da área a ser explorada, pra depois a ação propriamente dita.
James Bond estava disposto a fazer uma sondagem na mansão naquela noite, ele queria descobrir mais coisas sobre Ahmed, vasculhou o guarda roupas em busca de alguma roupa de cor escura que oferecesse menos reflexo ao contato do ambiente pouco iluminado da casa, após revirar as gavetas Bond encontrou um jogo de pijamas azul escuro.
Bastava-lhe.
Bond esperou até as primeiras horas da madrugada para sair do quarto.
Vestido com pijamas 007 deixou o quarto, teve o cuidado de abrir e fechar a porta do quarto com muito cuidado, Bond observou que as luzes do corredor já estavam quase todas apagadas.
Resolveu seguir o corredor pelo lado oposto. Bond andava com muito cuidado, tinha o corpo muito próximo da parede, e a cada porta 007 colava o ouvido na porta procurando algum sussurro ou conversa.
Até ali o silêncio era total.
Quando chegou ao final do corredor pode notar que ele seria o único hóspede daquele setor da mansão.
Deu meia volta e refez o caminho inverso até chegar às escadarias.
O andar de baixo estava discretamente iluminado com uma iluminação mais tênue.
Bond passou pela sala de jantar e depois chegou ao local onde ele e Ahmed haviam conversado sobre o plano.
007 abriu algumas gavetas, desfolhou alguns livros da estante, mas não encontrou nada de interessante.
Uma vaga intuição levava-o a acreditar que a pista para encontrar o garoto seqüestrado poderia estar ali naquela mansão.
007 já ia saindo quando observou com mais cuidado um quadro, no primeiro momento Bond pressentiu já ter visto a gravura.
Parou por um momento com os olhos fixos naquele quadro na parede, a gravura mostrava um pequeno barco de pesca em meio a um lago com um sol se pondo ao fundo.
Bond precisou de pouco mais de um minuto para se lembrar.

Memória Flash Back de James Bond

No século retrasado o francês Claude Monet havia pintado um quadro chamado Impressão, nascer do sol, era o retrato de uma paisagem do Havre na França.
Bond se lembrou também que o quadro deu origem ao nome usado para definir o movimento impressionista.


De fato se tratava de um Monet, Bond se aproximou da obra encostou um dos dedos para sentir a textura da tela, 007 estava em dúvida a respeito da autenticidade do quadro, sem dúvidas era uma peça de museu, ou de colecionador, Bond cuidadosamente afastou o quadro da parede e observou a parte de traz com atenção, 007 procurava por um fundo falso na parede ou qualquer coisa colocada na parte trazeira da moldura, fez todas as observações pertinentes, mas não encontrou nada suspeito.
Ao sair o relógio de parede da sala de jantar indicava que já passava das 5 da manhã, Bond teria ainda mais alguns minutos para dar seqüência à vigília pela casa.
007 vasculhou em todos os cantos, mas não encontrou nada que pudesse lhe interessar, por isso resolveu que deveria retornar até o quarto.
Nem bem “pregou” os olhos Bond recebeu pelo interfone um panorama do tempo lá fora, cinco graus negativos e muita neve 007 recebeu ainda uma solicitação de que deveria estar vestido com o traje para os dias mais frios, pois Natasha queria vê-lo.
Bond tinha os olhos inchados, pois ficara acordado toda madrugada, levantou a cabeça do travesseiro deu uma olhada no relógio de pulso – 08h30min levantou-se abriu a porta do guarda-roupa e encontrou todas as roupas e acessórios que deveria usar naquela manhã gelada, Natasha já o esperava ao final da escadaria.
_ Como passou Comandante Bond perguntou ela.
Bond não respondeu apenas fez uma cara de indisposição.
007 notara certa dose de cinismo no olhar da garota, ficava claro que seus passos deveriam ter sido monitorados enquanto espionava os cômodos daquela mansão.
Natasha conduziu Bond a um veículo que os aguardava com o motor ligado.
O veículo levou-os até uma pequena base onde havia uma pequena pista de aviação, o local estava a 10 minutos da casa, Bond imaginou que a base deveria ser usada para algum tipo de treinamento militar, próximo da pista havia um hangar e alguns alojamentos que naquela hora como observou 007 estavam vazios.
Bond saltou da condução seguindo os passos de Natasha, a moça o levou até uma das salas da base.
O local era muito bem equipado com mapas, computadores e uma série de fichários, colados à parede haviam mapas estratégicos usados para treinamento de pequenas tropas, o mapa estava todo rasurado com inscrições em russo.
Natasha foi até os fichários e de lá tirou algumas pastas.
A ex-agente da KGB em tom formal como se distribuísse tarefas a um subordinado expôs a Bond um mapa da prisão onde François estava preso.
007 logo a interpelou:
_ Não preciso do seus documentos, tenho as minhas fontes e farei o levantamento do meu jeito, tenho meus próprios métodos e a minha forma de trabalhar não condiz com a estratégia da KGB ou de terroristas. Enquanto falava 007 foi lentamente se aproximando do rosto de Natasha.
Michaella falou surpresa:
_ Ora, ora você tem um plano próprio, então me diga qual é Senhor Bond?
_ O meu plano não lhe interessa, rebateu Bond com o rosto bem próximo ao dela.
Natasha explicou que deveria saber o plano para viabilizar tudo o que Bond iria precisar, chegando até a colocar a disposição dele - helicópteros, aviões, armas e explosivos.
Bond imperativo disse que não precisaria de nada.
Acuada Natasha alegou que Bond não teria o apoio de Ahmed.
Bond rebateu dizendo que não precisa de aprovação de ninguém pra libertar François.
_Mas sozinho não conseguirá entrar na prisão disse a garota com um olhar persuasivo.
_ Quem disse a você que pretendo entrar na prisão, respondeu Bond.
Natasha atônita observava o ímpeto de Bond.
Ele tinha uma vasta experiência com as mulheres, Natasha era do tipo durona detestava ser contrariada e Bond sabia disso.
Algumas mulheres com perfil idêntico a ela se tornavam mais insinuantes quando contrariadas.
Provocativo desde quando chegaram àquele local 007 enfrentava Natasha.
O seu porte atlético e viril era fator de sedução, usava da persuasão para confrontar Natasha.
A sua presença física evitava que Natasha se desvencilhasse da situação.
Acuada ela estava presa entra a parede de concreto as suas costas e a parede de músculos a sua frente.
Bond ratificava a posição de não aceitar quaisquer ajuda de Ahmed e seu bando.
Junto à parede o movimento dos dois tinha uma certa sincronia, Natasha guardava posição de recuo total em face de agressividade verbal de Bond.
Em meio à discussão a troca de olhares entre os dois ia se tornando inevitável.
Bond reparou que Natasha tinha os lábios levemente umedecidos, fator que o instigava ainda mais, o corpo dela falava uma linguagem própria e subliminar.
Vasos dilatados, freqüência cardíaca elevada, respiração curta e ofegante, Natasha estava se entregando, vindo do seu corpo Bond sentia um aroma peculiar de mulher.
A distancia entre os dois já não podia ser medida, Bond sabia que a excitação feminina provocava alguns fenômenos interessantes como seios avolumados e enrijecidos, além de transpiração aromaticamente afrodisíaca.
Natasha tinha os ombros curvados para trás, as costas se apoiavam na parede, seu corpo chamava por Bond.
007 sabia mesmo seduzir uma mulher, mesmo que esta mulher fosse Natasha Stepanova, o corpo dela estava pronto para James Bond, ele a tinha sob controle total, mesmo que ainda não houvesse tocado nela.
A situação era irriversível, Natasha enfim se entregara a Bond.
Natasha tinha um corpo majestoso como James Bond podia ver enquanto a despia com alguma ansiedade.
Completa simetria, anatomia perfeita; 007 sabia que por entre as curvas do desejo podia se esconder os precipícios que levavam a perdição.
Enquanto extraía-lhe gemidos quase mudos, Bond imaginava que aquele corpo deveria ter sido mensageiro da morte para muitos outros agentes desde o final da guerra fria. Era o preço do jogo.
Bond se “pegava” jogando com a morte de novo.

Um corpo de mulher

Insano ao mesmo tempo tentador como um “blefe” em uma rodada de poker.
Intenso como uma taça transbordante de vodka russa com Martini“batido não mexido”
Quente e perigoso como o cano de uma pistola no momento do disparo
Assim era o corpo de Natasha naquele momento.
Assustadoramente inebriante.

Bond a possuía metodicamente, a cada segundo estudava-lhe as curvas.
Natasha se contorcia entre gemidos e alguns sussurros em russo.
A morte poderia vir em uma explosão de êxtases, eram os ossos do ofício.
Todo agente internacional da categoria dos duplos zeros dormiam e acordavam com a morte.
Era mais que uma presença velada, era um verdadeiro espectro presente nas 24 horas do dia.
Quando tudo acabou, Bond pode perceber que ainda estava vivo.
E isso era a melhor parte da história.
Não tardou e uma condução veio buscá-los.
Ahmed queria ver 007.
O carro levou-os até uma planície totalmente coberta de gelo, próximo um lago congelado, de era visível uma cordilheira de montanhas ao longe.
Mesmo com uma temperatura baixíssima o panorama do lugar era lindo, ao longe dava pra ver montanhas enormes, pareciam feitas de neve devido à cor branca, Ahmed olhava a imensidão tranquilamente.
Bond deixou o carro e foi em direção a Ahmed, Natasha ficara na porta do furgão observando ao longe.
Ahmed caminhou ao encontro de Bond.
_ Então não aprovou o plano de Natasha? Sabia que não aprovaria, falou Ahmed em tom profético.
Bond respondeu.
_ É já tenho o meu plano, não preciso de nenhum outro.
Ahmed encarou 007 e retrucou.
_Faça como quiser comandante, você me traz François e lhe devolveremos o garoto.
_ Onde lhe entregarei François? Perguntou Bond.
Ahmed olhava as montanhas ao longe, a impressão que Bond tinha era de que Ahmed não ouvira a pergunta.
_ Sabe comandante homens não são montanhas, esse é um ditado egípcio, sabe o que significa?
007 olhou para o céu pensando em uma boa resposta.
Na ausência de uma resolveu improvisar sarcásticamente.
_ Sei lá, talvez montanhas não seqüestram filhos de embaixadores.
Aquela resposta revestida de deboche soou bem a la James Bond.
O ancião fechou os olhos e calmamente explicou o verdadeiro significado do tal provérbio egípcio a James Bond.
_ Montanhas estão sempre em um mesmo lugar, nós somos como a areia do deserto, estamos em constante movimento.
007 ignorou a explicação de Ahmed.
Ahmed prosseguiu.
_ Comandante, não se esqueça que nós estaremos sempre por perto, Natasha fará contato, quero François vivo em 12 dias, precisamente as 22:00 do próximo dia 20, estaremos esperando no antigo mercado de peixes no “Píer 17 do Porto de Nova Iorque”, não aceitarei nenhum tipo de insubordinação, faça sua parte e faremos a nossa falou Ahmed com autoridade.
Bond abriu os braços concordando com o local onde se daria a troca dos prisioneiros.
Ahmed tinha uma expressão pálida e fantasmagórica, talvez em virtude do frio intenso pensou Bond, Ahmed entendeu a mão desejou boa sorte a James Bond e voltou a contemplar a imensidão branca das montanhas do Alasca, com um aspecto solitário que lembrava um ermitão.
007 virou as costas e caminhou de volta para o furgão que o esperava, alguns passos a frente ouviu um chamado.
Era Ahmed.
_ Monet Sr Bond é pra mim o maior artista francês e aquele quadro que o senhor tanto gostou é um Monet original mesmo, adoro o nascer do sol, principalmente quando estou no Alasca, falou Ahemd fazendo alusão ao tema proposto por Monet quando pintou o quadro “Impressão – Nascer do Sol”.

Nada mais foi falado, o furgão arrancou com Bond e Natahsa. Pelo menos um fato era claro naquele momento, Bond tinha agora a certeza de que Ahmed soubera que ele havia sondado a casa naquela madrugada.
No caminho até o aeroporto Michaella pouco falou, talvez o fato de ter feito amor com Bond lhe suscitara muitas dúvidas em sua mente.
Mesmo com aquele aspecto de durona Natasha não havia conseguido “fugir” dos encantos de 007.
Talvez naquele momento ela se odiasse pelo ocorrido, para Bond uma única dúvida o assaltava.
Natasha teria se envolvido emocionalmente ?
007 resolveu não incomodar o silêncio de Natasha, deixando-a com suas próprias dúvidas.
Na verdade para Bond ela definitivamente não era uma mulher que se pudesse confiar, ele a via como uma terrorista qualquer, pensava inclusive na possibilidade de em breve ter que matá-la sem nenhum tipo de arrependimento.
Bond sabia que poderia ter que eliminar Natasha a qualquer momento, a sangue frio com um tiro na cabeça, e se isso fosse preciso ele o faria, primeiro o seu trabalho e depois os prazeres da vida – esse era o seu lema, defender o governo da Inglaterra era a sua missão e pra isso ele deveria matar ou morrer.
Ao regressar para a Inglaterra 007 teve muito tempo para refletir sobre a missão que o desafiava.
Uma coisa era certa, sozinho não realizaria o resgate de François.
Bond sabia que iria precisar do apoio de M para realizar a difícil missão.
M era uma das duas pessoas nesse mundo em que Bond poderia confiar naquela situação.
A outra era Felix Leiter, seu colega da Cia.
Com Felix Bond falaria depois.
Ele estava convicto de que M o ajudaria em seu plano, pra isso ele deveria abrir de vez o jogo com M, deveria coloca-lo a par de tudo.
M deveria saber da proposta que Ahmed fizera a 007.
Bond precisava do aval do chefe do MI6 para realizar a missão que lhe fora proposta.
M confiava em todos os seus duplos zeros, e ainda mais em Bond, por isso 007 resolvera que M deveria saber de tudo.

Almirante Sir Miles Messervy ou simplesmente M

M era o seu chefe, seu instrutor e muito mais do que isso M chegara algumas vezes a figurar como um pai para Bond, e por isso 007 sentia-lhe uma gratidão imensa.
Por trás daquela fisionomia carrancuda se escondia um amigo para Bond.
O cargo exigia a M não menos do que o homem que ele refletia.
Sério ao extremo, porém eficiente.
Sabia como poucos aglutinar as forças políticas em torno das necessidades do seu governo.
A sua frente estava todo o Ministério da Defesa, o Primeiro Ministro e a Rainha da Inglaterra.
Fiel ao seu governo na mesma e justa medida de que Bond era a ele M excedia em competência e experiência no trato da segurança nacional.
Quanto a James Bond ninguém o conhecia melhor do que M, seus extintos, suas habilidades, seus limites e suas fraquesas.
Quando Bond recebera o “duplo zero” do MI6, M antes da comenda fez Bond ouvir uma “palestra” de aproximadamente uma hora de duração, como um pai para James Bond M deixou claro pra 007 que a morte deveria daquele dia pra frente fazer parte da vida do agente inglês, a todo momento usando de suas experiências na Marinha Real Inglesa M falava da importância de servir ao governo inglês.
Daquele dia em diante Bond mudara os seus conceitos a respeito de M.
Dali pra frente M passou a ocupar em sua vida um espaço vago desde a morte dos pais em um fatal acidente automobilístico quando Bond ainda era um garoto.

Capítulo 10

No escritório de M

Quando Bond pisou na sala de Moneypenny não conseguia esconder a tensão, um tanto descomposto pediu rapidamente que a secretária o anunciasse a M.
Moneypenny notou no olhar de Bond que “as coisas não deveriam estar boas”, mas resolveu não perguntar nada. Prontamente acionou o comunicador de voz e passou o recado para M de que Bond o aguardava.
M respondeu com uma voz áspera dizendo que Bond pudesse entrar.
A secretária olhou para 007 e fez um sinal para que ele avançasse.
Ao adentrar a sala de M 007 foi recebido com um pergunta desafiadora:
_ O que está fazendo aqui Bond, você deveria estar no Cairo!
_ É, os fatos me fizeram voltar mais cedo M. Disse Bond com o ritmo de voz alterado pela delicadeza do assunto que o trouxera àquele escritório.
M pediu-lhe com frieza que fizesse um memorando sobre a estadia de Bond no Egito e o entregasse na sua mesa em 24 horas.
Bond se aproximou da cadeira sentou se e sem desviar o olhar em M respondeu.
_ É mais sério do que possa imaginar e 24 horas é muito tempo M, disse Bond.
007 desabotoou o terno cinza e começou relatar os fatos ao seu chefe.
Começou fazendo um preâmbulo de todas as exigências propostas por Ahmed.
Enquanto dissertava sobre a trama a tensão ia crescendo lentamente, M já sentia um pequeno formigamento nas mãos, era um sinal de nervosismo, enquanto Bond fazia um resumo das exigências de Ahmed M levantou-se com alguma dificuldade circulou pela sala com passos lentos e olhar fixo ao chão, estava estampada em seu semblante a sua preocupação com o que ouvia.
Bond terminou dizendo que estava pronto para libertar François e salvar o filho do embaixador americano das mãos dos terroristas.
M estava com uma cara mais amarrada do que nunca, antes de dizer alguma coisa procurou em sua mesa a caixa de charutos, apanhou um deles, colocou a boca e acendeu, M tinha os movimentos trêmulos e relapsos.
Depois de duas fortes tragadas começou a falar em tom agressivo.
_ Você está louco Bond, isso é a maior maluquice que já ouvi.
M irritado explicou que não poderia colocar o plano em ação sem o consentimento do Primeiro Ministro e do governo americano.
M estava boquiaberto com a trama de Ahmed em seqüestrar o filho do embaixador para salvar François, o terrorista.
Mas Bond tinha consigo a idéia que a única forma de chegar até o garoto seqüestrado seria mesmo libertando François.

Bond seqüestraria François e entregaria a Ahmed em troca do garoto Paul Colins.
007 disse a M que os governos inglês e americano deveriam ficar de fora do plano, sendo assim não teriam como ligar a libertação de François com a do garoto.
_ Isso dará corte marcial pra nós dois Bond, argüiu M irritado.
Bond ainda traçou algumas outras conjecturas, e enfatizou que se a missão fosse sigilosa, ficando fora do conhecimento diplomático inglês e americano com certeza teria êxito garantido.
M colocou Bond na parede quando indagou o agente inglês sobre um possível fracasso da missão proposta.
Bond rebateu dando a sua palavra que tudo acabaria bem como em todas as outras missões.
M estava pensativo, inseguro, pressionado – o homem acostumado a coordenar tantas outras missões delicadas começava a suar frio.
_ Você está a serviço do governo britânico e não dos inimigos lembrou M.
Bond segurava o queixo com uma das mãos enquanto ouvia atentamente aquela mini-palestra.
M ainda lembrou 007 sobre um trecho do manual de seqüestros da Agência MI6 que “dizia” que negociar com terroristas nem sempre era um bom negócio.
Em um dado momento M calou–se, caminhou até o seu computador e digitou o nome de François Sallameh no banco de dados do MI6.
Na tela apareceu as informações a respeito do nome digitado:

Nome – François Salameh
Nascido na Argélia em 1965
Atividade – Terrorista, antes de ser preso comandava uma das células da Al Quaeda no norte da África.
Atuação – Braço direito da Al Quaeda na África e Leste da Europa.
Preso desde 2003 é altamente perigoso, especialista em carros bomba e ataques terroristas contra civis..
Investigado pelos seguintes serviços secretos – Mossad, Cia, BND (Serviço Secreto Alemão) e MI6.


PS – Uma informação vinda do Mossad dá conta que François tem colaborado como informante do FBI, em troca de abrandamento da sua condenação, porém esta informação ainda não foi confirmada pela Cia.

Em completo silêncio Bond monitorava os movimentos de M ao computador.
_ Você acredita que François seria um delator na prisão? Perguntou Bond.
_ Não sei, mas não descartaria essa informação respondeu M.
Enquanto M estudava meticulosamente a ficha de François Bond procurava revirar as suas memórias tentando lembrar de um outro fato em todos os seus anos de MI6 que tivesse deixado M tão preocupado como naquele momento, depois de alguns minutos Bond confessaria pra si mesmo.
“Em nenhuma outra ocasião vira M tão tenso como aquela”
Enfim M levantou-se da frente do computador, estava levemente pálido, sentia o suor esvair por debaixo da camisa branca de linho e do terno preto.

Depois de uma rápida reflexão, uma dose de wisky e algumas voltas em torno de sua mesa, M desabafou ofegante como se estivesse carregando um saco de pedras nas costas.
_Portanto Bond, se você falhar estará morto.
M aproveitou pra se aproximar da mesa e depositar num cinzeiro de prata o charuto que ainda estava pela metade.
M sabia lá no fundo do seu íntimo que não lhes restava muita coisa a não ser ceder à proposta de Ahmed, mesmo que ela fosse totalmente inescrupulosa.
Bond sentia pela fisionomia retraída de M o peso da responsabilidade que caia sobre ele naquele momento e por isso o assegurou que em momento nenhum sua figura seria exposta naquela missão, 007 foi bem claro ao lembrar que pra todos os efeitos aquela missão não deveria relacionar o MI6 com a “fuga” de um terrorista nos Estados Unidos.
M olhou para o teto como se pedisse proteção aos céus, se aproximou de Bond colocou uma das mãos em seu ombro e disse com o olhar angustiante:
_ Você nunca falhou Bond, espero que não falhe agora.
Aquela frase era a senha de que Bond precisara para entrar em ação, enfim M concordara com o plano.

O plano

007 reservou aquela noite para iniciar os estudos do plano que libertaria François, passou toda a noite e madrugada na frente de um dos computadores da central do banco de dados do MI6, Bond vasculhava tudo sobre o presídio onde estava detido o terrorista François Sallameh.
Mapas dos arredores do presídio além de plantas internas do prédio, todas as entradas e saídas foram estudadas exaustivamente.
Era a partir do estudo minucioso desses mapas e do terreno onde estava construído o presídio que Bond iria arquitetar os detalhes da ação.
007 também fez uma breve análise da equipe do FBI que iria trabalhar no dia da transferência de François de Nova Iorque pra Los Angeles.
Quando terminou a pesquisa Bond estava exausto, pela janela pode observar que o dia já clareara, foi nesse instante que se deu por si que havia ficado quase 12 horas ali na frente do computador, antes de deixar à sede do MI6 tomou um copo de café quente, depois foi ao banheiro e passou água no rosto, pelo espelho pode constatar que as olheiras denunciavam a noite que passara em claro.
Bond saia da sede do serviço secreto inglês no momento em que Moneypenny chegava para o ínicio do expediente, 007 apenas deu um beijo no rosto da secretária e caminhou na direção do estacionamento.
Naquela manhã Bond fora surpreendido pela garoa e o frio, um cartão postal da Londres de que Bond tanto gostava, embora sendo escocês 007 gostava mais de Londres do que qualquer região da Escócia, mesmo das montanhas onde fora criado.
Enquanto se aproximava de seu DB9 no estacionamento 007 fazia um retrospecto dos estudos daquela noite. Aos poucos ele ia construindo o esboço de um plano para a missão de resgate.

Bond já havia pesquisado exaustivamente a operação montada pelo F.B.I que iria transportar François de Nova Iorque até Los Angeles, saindo do Woodbourne Correctional Facility onde François estava detido até a Muhammad Speaks Prison Outreach Program em Los Angeles.
O transporte estaria a cargo de policiais de elite do F.B.I, e foi dividido em duas fases, a primeira o terrorista iria por terra até uma base do exército americano em Nova Iorque onde embarcaria em um vôo até Los Angeles.
Pra colocar em prática o seu plano 007 precisaria de mais ajuda.
E uma pessoa lhe veio à mente.
Bond caminhava em meio a garoa londrina quando antes de chegar ao carro no estacionamento deu meia volta e correu de volta ao MI6, tivera uma idéia. Chegou ofegante a sala de Moneypenny.
A secretária de M sabia que Bond queria algum favor, e foi falando.
_ O que você quer James, fiquei sabendo que esteve a noite toda em claro fazendo pesquisas em nosso banco de dados.
Bond desconversou e foi direto ao assunto, puxando a secretária para o canto da sala junto da janela.
_Moneypeny preciso que você me localize Felix Leiter o mais rápido possível, é provável que ele ainda esteja no Cairo, preciso que marque um encontro com ele, porém deve ser sigiloso, não poderá constar como um encontro oficial.
Moneypenny olhou fixamente nos olhos de Bond e disse.
_ Já sei, um encontro informal entre colegas disse a secretária.
_ Isso mesmo concordou 007.
_Onde quer encontrar Leiter? Perguntou a secretária.
_Central Park depois de amanhã em um dos bancos próximo ao lago.
_ Então você vai aos Estados Unidos James?
_ Vou sim querida, mas isso deverá ficar somente entre nós dois ok?
Moneypeny fez um sinal que entendera o pedido de Bond com a cabeça e retornou para a sua mesa de trabalho.
_ E o que irei levar em troca James, perguntou Moneypenny maliciosamente.
Bond chegou próximo a secretária e prometeu.que quando a missão terminasse ele a levaria para um jantar a luz de velas.
A secretária abriu um sorriso e deu um beijo no rosto de Bond.
007 retribuiu com um beijo em seus lábios; aquele seria o primeiro e talvez o único que dera na secretária.
_ Eu sempre confiei em você Moneypenny disse 007 ao sair da sala.
Moneypenny ficou sentada em sua cadeira petrificada com a atitude de Bond.
Aquela era a primeira vez que Moneypenny sentia os lábios de Bond colado aos seus.

Capítulo 11

Depois da maratona que foi ficar acordado a noite toda na frente do computador em uma das salas do MI6, Bond só pensava em descanso.
Foi com esse pensamento que ele chegou ao Hotel The Dorchester onde estava hospedado em Londres.
Bond dispensou a recepção ao chegar, seguindo direto para o elevador, pois sempre trazia consigo uma cópia das chaves da porta.
Um leve solavanco denunciou a chegada ao 17º andar, as portas do elevador se abriram silenciosamente, Bond contornou uma pequena ante sala que dividia o corredor ao meio e pôs-se a caminhar em direção a suíte 47 do The Dorchester.
007 sempre que chegava a sua suíte checava alguns detalhes estrategicamente colocados na porta, era uma maneira que ele encontrou para se certificar se o quarto não recebera visitas indesejadas.
Sempre que saia aplicava uma levíssima camada de talco nas maçanetas da porta, era uma tática antiquada, mas que já lhe havia salvado a vida no trabalho de campo.
Quando chegou a frente da porta da suíte onde se hospedava 007 identificou o que chamava, “indício de alerta”, sem dúvidas havia sinais de violação, Bond prontamente sacou a Beretta, quando não estava a campo 007 preferia a Beretta a sua companheira pras “horas difíceis”, abriu a porta da suíte e entrou sorrateiramente, fez uma rápida avaliação do ambiente, o quarto estava quase às escuras levemente iluminado pelo reflexo de um letreiro de publicidade de um prédio adjacente, por enquanto não havia ninguém no raio de alcance da sua visão. Bond naquele momento tinha os reflexos alterados pela tensão, era interessante como a tensão interferia positivamente no seu modo de percepção, 007 tinha um rendcap considerável quando as ações se desenvolviam sob pressão intensa.
Ali Bond só pensava em uma coisa – Identificar e abater o invasor.
Bond vasculhou todo ambiente com o olhar, estático no centro do quarto fez a seguinte reflexão; restara apenas dois lugares para um assassino se esconder, sob a cama ou dentro do banheiro.
Rapidamente usando seu instinto que sempre funcionava em momentos como aquele, Bond descartou a primeira hipótese já caminhando em direção do banheiro, o contato da sola dos sapatos de Bond com o carpete da suíte ajudava-o no avanço silencioso que se desenhava, 007 tinha a respiração mais controlada do que o habitual enquanto avançava até a porta do banheiro que estava entreaberta, a respiração controlada lhe ajudaria na hora do tiro.

Bond tinha a sua frente a porta entreaberta do banheiro, ele sabia que em algum lugar daquela suíte alguém o esperava ansioso, tinha os braços tensos e esticados, as duas mãos seguravam a Beretta, o dedo levemente acariciava o gatilho, pronto para esmagá-lo, os olhos visavam à mira da arma com uma atenção atroz, 007 chegou até a porta do banheiro, encostou a mão levemente na maçaneta e com um golpe rápido entrou agressivamente.
O banheiro estava com a luz acesa, e em uma fração de segundos a sua alça de mira já apontada para um rosto familiar.
Era Natasha Stepanova. A moça tinha todo o corpo imerso na água espumante da banheira de hidromassagem enquanto espreitava Bond com um olhar felino, ao seu lado uma garrafa de champanhe Dom Pérignon, complementava a cena.
O convite era tácito.
_ Resolvi fazer uma surpresa comandante sussurrou Natasha com uma voz sexy e convidativa.
007 rapidamente se desfez do alto grau de tensão que lhe apoderara ao chegar no quarto.
Bond notou um leve ar simpático no olhar da moça, algo que não condizia com o que ele presenciara no Alasca há alguns dias atrás.
_ 007 desarmou a pistola e se aproximou calmamente da banheira onde estava a bela moça, Bond olhava-a com voracidade, se aproximou da banheira em direção de Natasha enquanto ela fitava-o com ar de mistério, de repente Natasha puxou Bond pela gravata em direção ao seu corpo, os dois se beijaram ardentemente.
007 ainda não havia se dado conta que caira na banheira de roupas.
Natasha beijava e esfregava vigorosamente seu corpo no corpo de Bond, ela tinha uma intensidade que poucas vezes 007 notara em uma mulher, Natasha não tinha mais o olhar ameaçador e desafiador de outrora, mas sim o semblante calmo e aparentemente inofensivo.
Ela o havia excitado desde o momento que Alex falara sobre ela em um pub no Bleckheath, mesmo antes de vê-la Bond já a imaginava em seus braços.
007 já estava acostumado com as mulheres, aliás, ninguém no Serviço Secreto Inglês conhecia tanto do sexo frágil como ele, para Bond a vida não seria a mesma sem as mulheres.
Mesmo por que no entendimento de James Bond aquela vida de assassinatos e caçadas humanas só tinha alguma emoção por causa das mulheres, elas eram a razão para que Bond continuasse a cada dia mais forte em meio a tanta violência.
Ele sabia que entre os tiros e demais percalços de que sua profissão imprescindia sempre haveriam mulheres e martinis para dar a vida a sua justa e devida compensação.
Uma coisa que Bond sabia fazer bem era aproveitar os bons momentos que a vida proporcionava-lhe, Bond e Natasha viveram intensamente aquela noite, a intensidade das horas que passaram na cama era a forma que Bond encontrara pra recuperar as energias de que precisava para o ritmo alucinado do seu dia a dia.

Quando Natasha adormeceu 007 estava muito bem acordado, levantou-se da cama e se encaminhou até sua escrivaninha onde estava o companheiro inseparável – o estojo em aço inoxidável abarrotados de cigarros, Bond fumaria o vigésimo cigarro do dia com o mesmo vigor do primeiro, sentou-se em um poltrona ao lado da cama com uma fisionomia calma, retirou o último cigarro do estojo enquanto fitava o rosto adormecido de Natasha.
O sono decorava beneficamente o rosto da ex-agente, até parecia uma mulher angelical.
Se por um lado ela lhe dera muito prazer naquela noite, por outro Bond sabia que não deveria confiar nela, de certo Natasha só estaria ali pelas conveniências do momento.
007 tivera em sua vida de agente duplo zero muitas decepções envolvendo mulheres em suas diversas missões pelo mundo. Por isso passou de uns tempos pra cá a confiar ainda menos nelas.
Bond resolvera que iria se preocupar com a permanência ou não de Natasha junto dele quando amanhecesse, um bocejo alertou-lhe de que precisava dormir, levantou-se virou novamente para onde estava à escrivaninha apagou a bituca no cinzeiro, caminhou sonolento até a cama e deitou-se.
Seu último gesto foi o de escorregar a mão direita por baixo do travesseiro, até tocar a coronha da Beretta.
Então adormeceu, e assim que se extinguiram em seus olhos o calor e o humor, seu rosto transformou-se numa máscara taciturna, irônica, brutal e fria.
Quando acordou Bond pode notar que Natasha ainda dormia, 007 já havia decidido que não levaria a ex agente para os Estados Unidos.
Bond não deveria acreditar em uma pessoa da qualificação de Natasha.
Resolveu sair antes que ela acordasse.
Vestiu-se rapidamente, abriu uma das gavetas da escrivaninha conferiu a passagen para Nova Iorque emitida no dia anterior, ajeitou o coldre com a pistola junto ao abdome voltou a atenção para Natasha que ainda dormia, virou se para a porta e saiu da suíte.
Esperou poucos segundos até que o elevador chegasse ao 17 andar, no térreo teve o cuidado de avisar a recepção do hotel que em meia hora ligasse para o seu quarto e informasse a Senhora Natasha Stepanova que ele James Bond teve que dar uma saidinha mas que voltaria logo, com um olhar irônico caminhou até o estacionamento, entrou em seu Aston Martin DB9 deu a partida e arrancou com o carro rumo ao aeroporto.
Seu destino – Nova Iorque.

Capítulo 12

No decorrer do vôo até Nova Iorque Bond resolveu utilizar o tempo para reordenar os pensamentos.
007 também pensava em Natasha; àquelas horas ela deveria estar furiosa por Bond ter saído enquanto ela dormia.
James Bond havia enganado-a.
Bond sabia que Natasha era espiã de Ahmed, mesmo que o contato íntimo entre os dois os tivessem aproximado, para ele a ex-agente da KGB continuaria sendo uma ameaça.
Bond deveria tê-la como inimiga, mesmo por que ela fazia parte do grupo terrorista que seqüestrara o garoto filho do embaixador americano na Inglaterra.
O levantamento feito por Bond na noite passada na sede do MI6 revelara que a operação do F.B.I que transportaria François desde Nova Iorque até Los Angeles utilizaria um sistema de segurança considerável, seria uma ação de grau quatro como tipificavam os homens do F.B.I.
Aquele tipo de trabalho, transportar por terra um terrorista era um procedimento delicado, pra isso dois carros seriam utilizados para a escolta de um furgão blindado onde estaria o preso, os dois veículos de escolta seriam divididos da seguinte forma:
um automóvel atrás e outro a frente, um helicópteros faria a segurança do alto, além de cerca de 50 homens envolvidos direta e indiretamente, destes 50 homens, talvez 10 fossem atiradores de elite, lutadores treinados ou agentes de campo experientes. Alguns dos homens poderia estarem estratégicamente espalhados pelo trajeto até Los Angeles.
Haveriam dois agentes em cada veículo, dentro do furgão haveriam três homens ao todo, o motorista e o passageiro e na parte de trás junto de François mais um policial, estariam envolvidos na missão os melhores do F.B.I para aquele tipo de serviço.
No helicóptero um piloto, um co-piloto e um atirador com fuzil.
007 sabia que sem Felix Leiter dificilmente haveria uma chance para resgatar François, por isso mesmo é que Bond já havia pedido a Moneypenny que marcasse um encontro extra-oficial entre os dois no Central Park.
Quando o avião pousou em Nova Iorque 007 já sabia que era preponderante naquele momento a cooperação de Felix Leiter, ele iria lhe abrir as “portas” para que pudesse estar o mais próximo possível de François no momento do resgate.
Para Bond, todo o ocorrido desde o seqüestro do garoto até a chantagem arquitetada por Ahmed demonstrava uma coisa – Bond não poderia vacilar.
007 deveria fazer tudo como o solicitado, retirar François daquele furgão durante sua transferência entrega-lo para Ahmed em um galpão abandonado no Píer 17 do Porto de Nova Iorque, pegar o garoto e devolve-lo em segurança para a sua família e seu governo.

N.Y

Bond entrou no taxí e pediu que o motorista o levasse até a 42 W 58th St, Aka Hotel, era um quatro estrelas bem próximo do Central Park, James Bond tinha um encontro com Felix Leiter justamente no Central Park.
007 estava entedindo, sempre se sentia assim após uma viagem, a mistura de cansaço com uma certa dose de ansiedade tinha a capacidade de o deixa-lo inquieto.
Seu cérebro só pensava na missão, James Bond gostava de Nova Iorque, a cidade era nervosa e frenética como ele. Todo aquele movimento, a noite de Nova Iorque e a maneira de seus habitantes agradavam muito James Bond.
Não era a toa que o ex Bealte John Lennon escolhera a cidade pra morar nos anos 70 – lembrou Bond, mesmo que também tivesse sido em Nova Iorque que ele havia sido assassinado, todas essas conjecturas embaralhavam os pensamentos de Bond.
007 chegou na suíte do discreto Aka Hotel, organizou as suas roupas no guarda-roupa, tomou uma ducha rápida e desceu para o bar do hotel, queria relaxar.
Bond queria terminar aquela noite em companhia de algumas doses de wisky e quem sabe algo ainda mais excitante.
Quando chegou ao espaçoso bar, notou que dificilmente haveria ali uma companhia a sua altura, pediu uma dose dupla de wisky e sentou-se junto ao balcão.
Ficou por ali silencioso apreciando as poucas pessoas que freqüentavam o lugar, haviam alguns casais nas mesas, mas uma morena de cabelos pretos e olhar provocante chamou a atenção de Bond, a mulher usava um decote convidativo além de ter movimentos sensuais, entreolharam-se algumas vezes naquele clima de sedução a distância, 007 já ensaiava um plano de aproximação quando o barman lhe chamou a atenção.
_ O Sr é James Bond ?
Um pouco intrigado Bond respondeu que sim.
_ Telefone Sr Bond, pode atender na sala ao lado disse o rapaz apontando para uma porta ao lado do balcão.
007 ainda desconfiado levantou-se e caminhou até a sala.
_ Pronto disse Bond ao telefone.
_Sr Bond desculpe-me atrapalhar seus minutos de prazer, quero assegurar-lhe que o garoto vive e está muito bem, inclusive quase me derrotou em uma partida de xadrez agora pouco, ah tem outra coisa Natasha está muito brava com o senhor, imagino que a deixou sozinha no hotel em Londres, deveria ter mais respeito com as damas não acha ?
Ahmed fez uma pausa, recuperou o fôlego e continuou.
_ A propósito o xadrês é um jogo interessante comandante, pela forma que se joga dá pra ter uma noção do quanto corajoso se é, convido o senhor para uma partida qualquer dia desses ...
Bond ouviu gargalhadas e logo depois o som peculiar de uma linha telefônica interrompida propositalmente.
Desligara.

James Bond havia reconhecido a voz agourenta no telefone, não haviam dúvidas que aquele tom de voz era de Ahmed.
Bond deixou a sala, passou pelo bar, depositou uma nota de 100 dólares no balcão, virou-se para as mesas e constatou que a morena de alguns minutos atrás já não estava no local de antes, com os olhos fixos em um relógio do bar notou que a noite já virara ínicio de madrugada.
O barman retirou a cédula deixada por Bond no balcão e entregou-lhe um envelope.
_ Senhor enquanto falava ao telefone uma mulher pediu-me que lhe entregasse esse envelope, pedi que esperasse pelo senhor mais ela se negou alegando que estava com muita pressa.
Bond pegou o envelope, abriu-o e retirou de seu interior uma pequena fotografia.
Era o garoto filho do embaixador americano, na foto o garoto estava ao redor de um tabuleiro de xadrês em companhia de Ahmed.
O garoto estava vivo, essa constatação fez com que Bond subisse até a sua suíte mais animado com os desdobramentos da missão.
O cansaço somado as doses de wiskys de alguns minutos atrás ajudou-o a relaxar na cama, passou a mão direita sobre o travesseiro constatando a presença da Beretta, pronto agora poderia dormir tranqüilo, em segundos Bond tinha todos os sentidos entorpecidos pelo sono.
Para um agente da categoria de James Bond, um “duplo zero” sempre havia um preocupação muito grande com o sono.
Muitos agentes eram eliminados enquanto dormiam, por isso Bond sempre depositava uma moeda na borda da parte de cima da porta de maneira que quando fosse aberta a moeda desequilibrasse de sua inércia e caísse ao chão denunciando a entrada de alguém, Bond aprendera essa técnica com um agente sérvio quando ainda era um aprendiz de investigador nos seus primeiros dias de MI6, já de idade avançada beirando os seus 70 anos de idade Dusan "Dusko" Popov foi um dos primeiros instrutores de Bond na escola de agentes, egresso da segunda guerra mundial chegou a fazer parte da guarda de Hitler em suas incursões pela Polônia ocupada, exímio estrategista antes ainda da ocupação aliada passou a colaborar com o governo inglês em troca de imunidade após as condenações dos líderes nazistas no período conhecido como pós guerra.
Para um inglês confessar que fora treinado por um ex-agente nazista poderia ser um tanto embaraçoso, coisa que Bond pouco se importava.

Capítulo 13

Para um agente como 007 acordar era sempre uma vitória que precedia todas as outras.
Quando Bond acordou foi até a janela, pois queria ver toda a paisagem de Manhattan e dali daquele ponto da sua suíte uma parte do Central Park se descortinava a sua frente de uma forma exuberante, 007 observou que o céu prenunciava um dia chuvoso, Bond se preparava para um passeio ao parque que ficava no coração de Manhattan, ele iria se encontrar com Felix Leiter naquela manhã, antes de deixar a suíte Bond passou os olhos pela primeira página do New York Times, observou que o jornal destacava no rodapé direito uma matéria sobre o seqüestro do filho do embaixador americano, a reportagem não trazia nenhum fato novo, dizia apenas que a Cia investigava o caso como prioridade, a reportagem mencionava também os esforços dedicados pelo governo Inglês ao caso.
Quando Bond deixou a suíte em que estava hospedado vestia agasalho esportivo e estava equipado com um aparelho de mp4 a tiracolo e fones aos ouvidos.
Há muito tempo Bond não fazia uma caminhada matinal, e o Central Park era um local apropriado para práticas desportivas.
O vento fresco anunciava chuva, não havia sol naquela manhã e as nuvens escuras cobriam todo o parque.
Bond adentrou ao parque concentrado nos passos e no ritmo de marcha que imprimia, há muito o MI6 lhe cobrava uma certa atenção ao seu condicionamento físico, Bond apenas reservava algumas horas por semana para se exercitar sobre uma esteira que sempre estava a sua disposição na academia do The Dorchester, após algumas centenas de metros percorridos Bond avistou ao longe próximo a um dos pequenos lagos do Parque a figura de Felix Leiter.
O velho Felix atendera-lhe o chamado.
“Moneypenny você é demais” – pensou Bond, afinal de contas fora ela que marcara o encontro.
Felix trajava o seu traje formal, terno e gravata além de vestir um sobretudo de lã, na cabeça um chapéu de feltro cinza combinando com a cor do sobretudo, Felix como sempre - impecável.
Bond se aproximou por trás do colega silenciosamente, mas antes de se dirigir a Felix foi interpelado.
_ Comandante Bond, a que devo a honra? Disse Felix virando em sua direção.
Bond disfarçou a surpresa com um pergunta.
_ Felix como anda a investigação?
_ Ahmed é o homem falou Felix taciturno.
_ Sei disso rebateu Bond.

Felix encarava Bond com um olhar inquiridor, algo estava em desacordo e Félix pressentiu isto no ar.
Bond prontamente detectou a desconfiança estampada na face de Felix.
O agente americano deu meia volta e sentou-se no banco próximo de onde estavam.
_ Comandante Bond, sei que o senhor esteve no Alasca há alguns dias atrás, ainda não me reportei sobre isso aos meus superiores, porém imagino que já tenha tido contato com alguém do bando de Ahmed.
Bond podia notar naquele momento que por detrás da rudeza de Felix, havia sempre um sentimento paternal por ele.
_ Comandante, o senhor conhecia a agente búlgaro-judia Danka Pfeiberger que foi assassinada em um tumba no Egito? Pelo que sei o senhor estava lá quando ela foi morta, imagina quem possa ter feito isso?
Bond balançou a cabeça em sinal de negação.
_Ela também investigava o seqüestro comandante, o Mossad também investiga Ahmed há muitos anos.
Bond ouvia Felix atentamente, na opinião de 007 era claro que Felix Leiter sabia de muita coisa, mesmo que talvez não soubesse o bastante.
Bond respirou fundo, fitou as águas do lago a sua frente e começou a abrir o jogo.
_ Felix pedi para Moneypenny localizá-lo por que sei como salvar o garoto das mãos dos seqüestradores, mas preciso de ajuda.
Felix inclinou-se um pouco no banco e ponderou.
_ Bond antes que me peça qualquer coisa é bom que saiba que nós temos informações seguras de que o garoto está em algum lugar dos Estados Unidos, uma força tarefa coordenada pela Cia já está mobilizada, inclusive M a estas alturas deverá também enviar uma equipe do MI6 pra cá, com certeza os outros duplos zeros já deverão estar sob alerta máxima.
Bond aproximou-se do banco onde estava Felix e sentou-se ao seu lado.
_Felix, estive com Ahmed Hassan Hadgain no Alasca na semana passada, ele confessou a autoria do seqüestro.
Felix fixou o olhar em Bond como se quisesse adivinhar o resto da estória.
Bond continuou –
_ Ahmed quer que eu liberte da prisão François Sallameh...
Felix interveio bruscamente interrompendo 007.
_ O terrorista dos ataques à embaixada americana no Sri Lanka, Israel e na Indonésia indagou Felix com ceticismo.
Bond esperou Felix concluir e prosseguiu.
_ Ahmed só entregará o filho do embaixador se eu libertar François.
Na medida que Bond contava toda a trama Felix ia tencionando os músculos da face.
Em segundos Felix tinha o rosto transformado pela trama, estava mais carrancudo do que nunca.
_ Loucura Bond, você não pode estar disposto a realizar uma maluquices destas explodiu Felix furioso.

Naquele momento os primeiros pingos anunciavam uma chuva que não iria parar tão cedo, uma leve brisa em minutos se transformaria em vento.
Bond via a ira de Felix com uma certa dose de compreensão, mesmo sim argüiu enfático.
_ Felix você tem alguma outra idéia para salvar a vida do garoto?
Leiter virou o rosto de um lado para o outro, fez alguns movimentos com o pescoço em um claro sinal de tensão, bateu as duas palmas sobre as pernas enquanto erguia o olhar pra observar a chuva que aquelas alturas começava a molhar a borda do seu chapéu de feltro.
Bond e Leiter aquele momento eram dois solitários na imensidão vazia do Central Parque.
O andamento da conversa os haviam hipnotizado, em meio a delicadeza do assunto, a chuva nem chegou a incomodá-los.
007 partia para o enfrentamento e tentava convencer Leiter a cooperar.
_ Não temos tempo para detalhes Leiter, preciso de você implorava Bond.
_ A Cia nunca irá comungar com tudo isto desabafou Leiter.
_ Nem a Cia e muito menos o MI6 estão nisso, seremos apenas nós dois concluiu Bond.
Felix demonstrava uma inquietude completa, mesmo debaixo de toda aquela chuva que caia, Leiter sentia nas axilas um suor frio e repugnante.
Aquele convite era uma transgressão para Leiter, e ele sabia muito bem o que era libertar “a força” um prisioneiro com François.
_ Bond, você está sendo usado por um escória perigosa, espero que tenha um visão clara desse aspecto.
_ Felix o que interessa é o garoto vivo, que se danem as convenções e as leis observou 007.
Felix abaixou o rosto, fitou Bond dos pés a cabeça – sentiu um calafrio que percorreu todo o corpo ao longo da espinha – resultado do corpo ensopado pela chuva que não dava sinais de trégua.
Felix tinha um olhar de total reprovação, olhou fixamente na direção de Bond o indagou:
_ O que propõe ?
Bond olhou pela segunda vez para o alto, tinha no olhar a vã intenção de entender os motivos de toda aquela chuva, passou a mão nos cabelos encharcados, observou por alguns segundos o movimento que o vento fazia com as árvores ao longo do lago, e depois voltou a encarar Felix.
Bond estava disposto a convencer o colega americano.
_ Felix aceita um café quente?
O convite viera na hora certa, Felix já sentia os primeiros sinais do que seria no futuro um resfriado.
Levantaram-se e caminharam até a 76 th de Manhattam.
007 levou Leiter até o Café Boulud na 20 E 76th St.
Entre seguidas doses de café quente com creme Bond expôs o plano a Felix.
A todo o momento Felix, agora mais calmo, fazia transparecer o ar de reprovação.

007 pediu que Leiter providenciasse junto aos canais competentes um pequeno resumo dos procedimentos do FBI para o transporte de François.
Bond queria saber todo o planejamento oficial da ação de transferência do preso, como seria o procedimento de segurança, e ainda toda a logística da ação, número de agentes envolvidos e demais detalhes.
Além de todos os pedidos Bond foi categórico em um deles.
_ Felix preciso que você me coloque entre os agentes, o mais próximo possível de François.
Para Felix Leiter o plano era uma loucura completa, porém o agente da Cia garantiu que faria o possível.
Felix levantou-se revirou os bolsos e depositou uma cédula molhada de 50 dólares em cima da mesa.
_ Amanhã no Central Park, no mesmo local advertiu Felix, antes de sair o agente americano observou por instantes a fisionomia de Bond. Era claro que 007 estava diante de uma delicada missão, e só ele teria que resolvê-la.
Felix, chegou próximo a Bond e tranqüilizou-o.
_ Farei o melhor possível comandante!
Felix virou se em direção a saída e desapareceu.

De volta ao Aka Hotel

As 24 horas que Bond deveria esperar até o momento da ação foram de extrema concentração em torno da ação, Bond pesquisava extenuamente os detalhes da transferência de Ahmed.
Aproximava-se o final da tarde quando a recepção do hotel contatou a suíte de Bond informando-lhe que havia uma encomenda pra ele, segundo o que a recepcionista lhe adiantara a encomenda estava dentro de uma caixa de papelão.
O comunicado suscitou algumas dúvidas em Bond, a verdade era que ele não aguardava nenhuma encomenda.
Bond tinha sérios motivos para acreditar que pudesse ser mais uma surpresa arquitetada pelo bando de Ahmed.
Uma bomba?
Ahmed não se prestaria a tal idiotice, por que mataria Bond na véspera do resgate, prontamente 007 descartou essa possibilidade.
007 decidiu que desceria a recepção do hotel para ver do que se tratava.

Capítulo 14

Enquanto Bond descia pelo elevador tinha o pensamento em Felix Leiter, ele conjeturava a possibilidade da encomenda ser um “presentinho” de Felix Leiter.
Quando a porta de correr do elevador se abriu 007 enquadrou a recepção do hotel, a sua frente uma linda recepcionista sorriu ao ver o agente se aproximando.
_ Senhor essa encomenda é para você, disse com um sorriso cordial.
A moça entregou uma caixa de tamanho médio a Bond.
007 assinou o recibo de controle interno de encomendas do hotel e voltou ao quarto.
A caixa de dimensões retangulares pesava pouco mais de 3 quilos avaliou Bond, não havia nenhuma etiqueta com o nome do remetente.
007 retornou ao quarto do hotel com certa dose de impaciência, adentrou a suíte fez uma rápida observação na embalagem e começou a desencapá-la.
Sem o papel que ocultava a embalagem Bond viu uma caixa de papel de cor amarelada, em um dos lados havia um adesivo com a seguinte inscrição - M. Boothroyd.
Bond sorriu e abriu a embalagem sem receios, enquanto violava a caixa 007 pensava em Q, Bond era obrigado a imaginar que M deveria ter solicitado a Q uma “ajudinha”, e o “nem tanto simpático” cientista do MI6 havia preparado alguma coisa para James Bond.
No interior da caixa havia pouca coisa, um pequeno pacote com gomas de mascar sabor menta e um estojo contendo uma caneta esferográfica com corpo de aço.
Bond também encontrou um bilhete –

"Caro 007"

Tenha cuidado!
Fique longe das gomas elas contém uma substância que leva uma pessoa ao sono profundo em aproximadamente 20 segundos, eu mesmo a testei.
Quanto à caneta, você até pode escrever com ela, mas preste atenção nas instruções, se der meia volta em torno do seu próprio eixo com a parte de cima da caneta ela terá o poder de derrubar um elefante, programei um sistema que libera algumas centenas de volts na ponta da caneta quando for acionado a sua parte superior.
Tenha cuidado com os dois exemplares, e procure trazê-los de volta são e salvos na medida do possível.

Q


Bond estava muito agradecido pelo interesse de Q pela missão, ele sabia que não estava sozinho e isso era muito bom.
Restava apenas a resposta de Felix Leiter, Bond esperava ansiosamente um novo contato com o colega americano, Felix não o deixaria na mão, mesmo por que a Cia mais do que nunca tinha interesse direto que aquele caso fosse solucionado sem nenhum percalço.
Não era a primeira vez que Leiter o ajudara e por isso Bond confiava no colega americano.

Felix

Muito em breve as cartas estariam na mesa, Felix tinha um novo encontro com Bond no mesmo local do dia anterior.
Desta vez foi Bond que chegou primeiro, o dia estava ensolarado e prometia ficar assim pelo menos no período da manhã.
Felix demorou aproximadamente meia hora além do horário combinado, o que deixou 007 um pouco impaciente.
Desta vez Felix portava uma valise e tinha um aspecto mais misterioso quando chegou.
Bond o avistou ao longe caminhando em direção ao velho banco do Central Park, ficava claro que Felix estava sob pressão, na medida que avançava em sua direção, Bond pode avaliar que Felix tinha os passos nervosos e mais apressado do que o habitual.
Ao chegar próximo de onde estava 007 Felix se limitou a sentar-se sem ao menos lhe dirigir o olhar.
_ Serei breve comandante – falou já sentado com a valise sobre as pernas.
_ Como quiser Felix bradou Bond.
_ Você ainda está decidido a realizar esta loucura?
Felix perguntou com a sensação de que já sabia qual seria a resposta de Bond.
_ Você tem alguma outra solução para resolver o impasse e salvar o garoto? Respondeu Bond com outra pergunta.
Felix observou a valise em seu poder, pegou a com as duas mãos e entregou a Bond.
_ Aí está tudo o que vai precisar para a missão, François será transferido amanhã de manhã, a operação vai se iniciar no ínicio da manhã, dentro da valise há um disquete com os dados sobre a operação.
Felix virou-se para Bond encarou-o bem de frente e continuou.
_ Vou te colocar no comando Comandante, você vai dirigir a viatura-furgão que irá transportar François até a base do exército americano onde um avião o levaria até Los Angeles. Ao seu lado irá um policial de 38 anos, o veterano chama-se Tenente Ramos, atrás com François irá outro policial o Tenente Perkins.
Felix falava com a voz descompassada devido a demasiada preocupação em torno do plano.
_ O furgão será seguido por uma viatura com policiais bem armados, o mesmo ocorrerá com a viatura que estará a sua frente, a sua identificação está dentro da valise – Você será o Policial Monroe de Atlanta.
_ E o verdadeiro policial que dirigiria a viatura? Perguntou Bond curioso.
_ Providenciei uma troca, não falarei sobre a identidade dele, respondeu Felix.
Bond observava Felix de soslaio.
_ Quando se apresentar na chefatura de polícia para retirar o furgão irão apenas checar a sua credencial que também está na valise, o uniforme que irá usar você receberá do comandante Tregaskis que será um dos coordenadores da operação, obedeça aos procedimentos e fale o menos possível – impôs Felix em tom de ordem.
Bond observou Felix por um momento, estendeu-lhe a mão e disse:
_ Obrigado Felix, farei o melhor possível.
Felix levantou-se com as mãos nos bolsos da calça e disse.
_ Falei com M há pouco, ele está preocupado.
Felix não disse mais nada, deu meia volta e deixou o local pelo lado oposto ao lago.
Naquele momento 007 se deu conta de que não haveria mais hipótese de retorno, a sorte estava selada.

Noite em claro

A noite que antecedeu a manhã do dia da missão Bond não conseguiu dormir direito, virou inúmeras vezes de um lado para outro na cama sem que o sono viesse adormecê-lo completamente, teve apenas alguns momentos de inconsciência que foram interrompidos por pesadelos perturbadores.
Bond estava incomodado com a missão, seria a mais perigosa que enfrentaria desde que fora promovido com o “duplo zero”.
Na cama sem sono Bond lembrou-se da missão que o levara a ser promovido um agente “00”, pra tanto ele tivera que desbaratar uma organização de espiões infiltrados no Mossad em Israel, na missão 007 eliminara um espião japonês perito em códigos secretos e um outro de origem escandinava, o homem que deveria ser sueco era um cientista especialista em armas biológicas, mesmo sendo aquela uma missão de alto risco Bond reputava a “missão resgate” como o grande desafio de sua vida.
Por vezes levantou-se foi ao banheiro, lavou o rosto tomou um copo com água, voltou pra cama sem obter o êxito de um sono agradável e reparador.
Quando chegou próximo das cinco da manhã Bond levantou-se e se preparou pra sair, se barbeou recolheu de cima de uma mesa próxima da cama o invólucro com as gomas e a caneta enviada por Q e saiu.


Capítulo 15


Na chefatura de polícia

007 adentrou tranquilamente na chefatura de polícia, entrou no escritório onde estava dois policiais conversando, se apresentou como o policial Monroe de Atlanta.
_ Estávamos esperando por você mesmo, sou tenente Ramos e esse é o Perkins, temos mais um serviço de transporte hoje.
_ É vai ser simples não há como o safado fugir falou Perkins dando risadas.
Ramos aparentava ser uma pessoa tranqüila, tinha alguns quilos a mais, talvez uns 150, a fisionomia denunciava que era descendente de latinos talvez mexicano ou porto-riquenho.
Perkins demonstrava ser um cara espalhafatoso, loiro com o rosto marcado por sardas levemente amarronzadas, parecia ser sarcástico com as tragédias alheias como pode observar Bond enquanto Perkins narrava situação do dia a dia do policial.
Naquele momento adentrou a sala um homem mais velho do que Ramos e Perkins, deveria ter mais de 50 anos.
_ Você deve ser Monroe disse com as duas mãos na cintura e olhar voltado na direção de Bond que estava sentado entre Ramos e Perkins.
_ Sim senhor disse 007 com um sorriso forçado.
_ Pois bem se apresente oficialmente em meu gabinete dentro de 10 minutos com a sua identificação, lá passarei a você todo o itinerário e os aspectos do serviço.
Nada que Bond não estivesse acostumado, policiais eram todos iguais, quanto maiores eram as suas patentes maiores eram consequentemente os seus egos.
Poucos minutos depois Bond estava frente a frente com Tregaskis.
_ Atlanta é uma cidade grande Monroe, mas nada se compara a Nova Iorque não acha?
_ Sim senhor, Nova Iorque é o centro de tudo respondeu Bond incomodado.
Para James Bond alguma coisa não estava bem com Tregaskis.
O homem olhou por quase um minuto a credencial que Bond portava.
Ele teria desconfiado de algo? Aquela interrogação já começava a dar náuseas em Bond.
Tregaskis em completo silêncio fitou Bond com um ar desconfiado.
_ Já transportou algum terrorista Monroe?
_ Não, apenas dirigi um dos carros que fizeram a segurança do presidente no mês passado em sua viagem a Atlanta.
Tregaskis fez uma cara de poucos amigos, entregou a credencial a Bond e tirou da gaveta algumas folhas dentro de uma pasta de plástico.
_ Aqui está Monroe, esse é o trajeto que você deverá seguir, respeite a risca os horários.
Bond passou os olhos pelo relatório e depois por um pequeno infográfico urbano de algumas ruas e avenidas da cidade de Nova Iorque.

Só com aquele mapa identificando o trajeto é que Bond arquitetaria o plano completamente.
_ É só policial, aqui estão as chaves do furgão, pode ir agora.
Bond levantou-se e ao aproximar da porta ouviu a frase.
_ Monroe, esse sotaque inglês como conseguiu?
007 tinha feito todos os esforços para disfarçar o sotaque, mas não bastou para um desfarce completo, agora estava encurralado pela pergunta de Tregaskis.
Agilidade em momentos como aquele era a melhor coisa a fazer, assim prontamente Bond respondeu.
_ Senhor sou filho de pai americano e mãe inglesa, vivi em uma casa onde o idioma falado era aquele da Inglaterra inconscientemente não perdi o costume de falar algumas palavras a moda inglesa.
Bond encarou Tregaskis e notou que ele tinha ainda a mesma fisionomia contrariada de quando chegou.
O homem abaixou a cabeça se concentrando em seus afazeres enquanto Bond se retirou do gabinete.
Passou novamente pelo escritório, onde Ramos e Perkins o aguardava.
_ Vamos Monroe, faltam cinco pra sete da manhã devemos estar na penitenciária as oito em ponto falou Ramos.
Perkins era mais calado, apenas observava a figura de James Bond com alguma restrição.
No caminho até a penitenciária Bond procurava organizar os pensamentos em torno da ação para libertar François, Bond também pensava na integridade de Ramos e Perkins, ele não deveria matá-los em hipótese nenhuma.
Bond correu os olhos pelo mapa e observou que iriam percorrer aproximadamente 40 quilômetros desde a penitenciária até a base militar.
Chegaram à Woodbourne Correctional Facility no horário pré-estabelecido, Bond conduziu o furgão até uma das entradas do presídio onde receberiam o preso o furgão passou por três portões e Bond teve que apresentar um documento de transporte de presos por duas vezes.
Uma vez estacionado o furgão a ordem que Bond tivera era aguardar em sua posição que Perkins e Ramos colocasse o preso em seu lugar.
Enquanto esperava 007 aproveitou para estudar novamente o trajeto e as orientações, enquanto observava o mapa foi interrompido por um tipo falante de terno e gravata.
_ E aí xerife, estaremos sempre a sua frente.
O falastrão se apresentou como agente Truman da Cia.
Com jeito extravagante encostou-se à porta do furgão e sussurrou na direção de Bond com uma fisionomia patética.
_ Ei cuidado com a encomenda que vai levar hein...
Bond retribuiu a brincadeira com um sorriso amarelo e a seguinte frase:
_ Não tem problemas fiquei sabendo que a encomenda está no seguro!
007 notou pelo retrovisor que um automóvel dodge igual ao que estava a sua frente se posicionou a uns 30 metros por de trás do furgão.

Ao longe pode perceber que o terrorista caminhava na direção dos carros, Perkins e Ramos vinham lado a lado com François que tinha os braços presos para trás por algemas.
O terrorista tinha aproximadamente 1,70 de altura usava cabelos e barbas compridos e caminhava com um semblante calmo demais para um assassino como ele.
Bond tinha todo o roteiro e trajeto cronômetrado, deveria seguir a risca a rigidez dos horários; conforme as exigências de procedimento as nove horas em ponto o furgão deixou a Woodbourne Correctional Facility rumo a base militar nas cercanias da cidade de Nova Iorque.
De volta ao furgão o tenente Ramos comentava aquele serviço.
_ É o nosso governo se preocupa demais com terroristas, esse aí precisa de todo esse aparato apenas pra “mudar de casa”.
007 olhou Ramos de relance sem emitir qualquer comentário, de certa forma 007 estava ansioso com os desdobramentos da ação.
Bond estava apreensivo para o momento que a ação propriamente dita iria começar, e o momento ele sabia qual seria.
A única coisa que lhe perturbava eram os policiais Ramos e Perkins, Bond estava decidido que não iria matar nenhum dos dois.
Pra Bond não era justo matar dois policiais para seqüestrar um terrorista assassino como François, mesmo que sendo por uma causa como aquela onde a vida de uma criança estava em jogo.
Não se troca duas vidas inocentes por uma única vida inocente, e isso bastava para Bond deixar os policiais vivos após o término da ação.
007 cruzava as avenidas de forma tranqüila, pode notar que os dois batedores tinham o sinal luminoso dos giroflex acesos, além dos automóveis o pequeno comboio era seguido do céu por um aparelho helicóptero com atirador de elite.

Capítulo 16

Era evidente que Bond tinha uma estratégia pronta para a ação, mas também era verdade que algumas coisas poderiam fugir-lhe do controle e para isso 007 deveria estar preparado.
O cortejo seguia o previsto, dois automóveis dodge com homens do FBI acompanhavam o furgão que levava o terrorista.
Ramos nesse ínterim falava do protecionismo exagerado do governo americano aos acusados de terrorismo.
_ Olha se esse desgraçado fosse um latino já teria “fritado” em uma cadeira elétrica.
Bond lembrou-lhe que os acusados de terrorismo na América seriam julgados e certamente condenados a penas que variariam entre perpétua a pena capital.
Mas Ramos continuava inconformado, ele lembrava que os descendentes de árabes tinham regalias que os latinos jamais tiveram naquele país.
_ Eles vem pra esse país e tramam contra nós e mesmo assim são protegidos pelo governo, nós descendentes de mexicanos ou seja lá o que for sempre seremos ultrajados em nossos direitos.
Bond silenciou a partir dali e deixou que o policial continuasse sua exposição de caráter político-ideológico.
Ramos fez uma explanação completa lembrando inclusive dos movimentos pró Panteras Negras, Não a Guerra do Vietnã e Festival de Woodstock.
_ A América já foi mais democrática, hoje vivemos uma descriminação das classes minoritárias.
007 olhava pra Ramos e fazia um sinal com a cabeça deixando claro pra Ramos que estava concordando com o falatório do policial.
Quando o furgão entrou na área militar que levava a base do exército 007 sabia que a ação iria começar.
Era hora de agir, Bond retirou a embalagem de gomas de mascar e ofereceu uma a Ramos, Bond tinha os movimentos tão naturais como um ator de teatro que decorara uma cena.
Bond torcia para o policial aceitar.

_ Ah cara, até que fim você leu os meus pensamentos falou Ramos enquanto pegava um tablete da goma.
Bond olhou pra trás na direção da pequena escotilha que dava acesso a parte de trás do carro onde estavam Perkins e François
Prontamente Ramos abriu-a e indagou.
_ Perkins, hoje a rodada de cervejas será por conta do policial Monroe.
_ Tudo bem disse Perkins monossilábico.
_ Perkins olha só o que Monroe trouxe disse Ramos com a mão direita lhe entregando um tablete com a “goma do sono”, Perkins levantou-se de onde estava e pegou-a da mão de Ramos.
_ Agora deixe de conversa e fecha isso aí falou Perkins imperativo com o mal humor que lhe era peculiar.
De repente o carro parou próximo a uma guarita.
Bond tinha o motor do furgão ativado porém estava em ponto morto, ao contrário dos seus dois batedores que tinha os seus motores desligados.
Bond tencionava as mãos ao volante de uma forma intranqüila, somado-se a isso a vibração do motor em ponto morto só dimensionava a sua expectativa.
Era nítido o som do motor do helicóptero a cima de sua cabeça, a sua frente Bond via Truman conferindo com o soldado da guarita os detalhes para que o comboio adentrasse na base militar.
Naquele momento Bond desejou estar em algum lugar paradisíaco, uma praia deserta do Caribe lhe veio a mente, no mesmo instante Bond lembrou-se de Las Vegas – seus hotéis e seus cassinos, Bond podia sentir o cheiro dos melhores e mais requintados perfumes femininos vindos das mulheres mais elegantes que já conhecera naqueles hotéis, a sua boca veio o gosto doce e convidativo de uma dose de martini, uma não, duas, três ... quantas doses agüentasse ingerir em uma noite de rodadas de poker que só se findaria após uma noite de amor ao lado de uma mulher encantadora.
O que Bond queria mais da vida !
O ringido da portinhola liberando o avanço do comboio fez Bond voltar a realidade, mesmo que antes tivesse jurado pra sí mesmo que depois de tudo aquilo ele voltaria pras suas férias na Jamaica.
O dodge dirigido por Truman avançou para o interior da área militar.
Bond via todo o movimento com os olhos de um estrategista militar. Depois que o dodge avançou pra dentro da área militar um retorno emergencial só seria possível através da marcha ré, mesmo assim até que o dodge de Truman imprimisse uma velocidade ideal para uma aproximação ao furgão em fuga era possível que Bond já houvesse ganhado pelo menos algo em torno de 50 metros de vantagem.
007 sabia que aquela era a hora de agir.

Bond engatou a ré do furgão e despejou potência no motor, o barulho despertou os instintos de 007, com um forte solavanco o furgão com a ré engatada abalroou o outro automóvel dodge que estava atrás.
Uma manobra rápida de 45 graus corrigiu a posição do furgão de modo que ele pudesse retomar a rodovia, Ramos e Perkins aquelas alturas dormiam profundamente.
Mantendo a potência no motor Bond empreendia fuga, 007 imaginava que os dodges não conseguiriam segui-lo em virtude do trânsito turbulento das vias naquele horário.
Mesmo que acima dele o helicóptero não tivesse dificuldades para a perseguição, também não fariam nada de lá de cima, o helicóptero apenas iria manter todo o esquadrão da polícia de Nova Iorque e o FBI informados da localização do furgão.
Pelo rádio do furgão Bond ouvia a central articulando um cerco.

“ Viatura 7654 pare agora, estamos formando um cerco tático em um raio de 5 quilômetros de sua posição atual e em breve você estará cercado, além disso esse furgão é monitorado por satélite, onde quer que for sua posição será rastreada”

Bond reconheceu aquela voz inconfundível aos seus ouvidos, era o comandante Tregaskis.
Com os olhos colados ao retrovisor Bond observou que alguns metros atrás os dodges serpenteavam em meio aos outros veículos na pista rápida.
Bond tinha o pé afundado no pedal do acelerador enquanto ultrapassava em alta velocidade os veículos a sua frente, por se tratar de um furgão da polícia a maioria dos carros abriam caminho auxiliando o avanço de Bond.
O mesmo acontecia com os seus “colegas” logo atrás.
007 sabia que estava chegando o momento do que chamava de transbordo, Bond e François deveriam urgentemente se livrar do furgão.
O furgão dirigido por Bond ia vencendo as dificuldades de trafego graças a imensa perícia do motorista, modéstia a parte 007 era um ótimo motorista em situações extremas como aquela.
007 guiava com destino a via que o levaria para um dos bairros mais clássicos de Nova Iorque, o objetivo era atravessar a Ponte do Brooklin e depois abandonar o furgão em alguma garagem subterrânea em uma das centenas de prédios residenciais do bairro.
Com dificuldades em meio ao trânsito Bond pode perceber que um dos dodges havia abandonado a perseguição, certamente o veículo deveria ter se envolvido em algum incidente no trânsito, restava ainda outro veículo que Bond ainda podia ver em seu retrovisor.
Quando entrou com o furgão na Ponte do Brooklin a sua experiência dizia que quando chegasse ao final dela com certeza ele encontraria todas as vias fechadas por um cerco policial.
Bond dirigia imprimindo um rítimo agressivo, sentia que o motor do furgão estava sob potência máxima, usando de umas das vias rápidas da ponte Bond pode aumentar a velocidade para cerca de 60 milhas.
Cerca de alguns quilômetros percorridos sobre a ponte 007 pode observar que a velocidade dos carros a sua frente ia sendo reduzida consideravelmente, dito e feito – a frente Bond conseguiu identificar um cerco policial, 007 viu que o caminho da via ainda estava livre e Bond pode manter a velocidade constante pois usava a via rápida que era utilizada por veículos mais velozes como carros de polícia, bombeiros, taxis e ambulâncias.
007 iria furar o bloqueio, ao se aproximar do cerco pode ver que a saída da ponte era protegida por duas viaturas da polícia, o local estava completamente tomado por policiais, e como se não bastasse um haviam agora dois helicópteros seguindo os seus movimentos do alto da ponte do Brooklin.

Um forte estrondo fez com que o soldado Ramos que dormia ao seu lado tivesse o corpo inclinado para a sua esquerda bem no momento que Bond lançara o furgão contra o bloqueio policial, o furgão bateu de “cheio” em uma das viaturas lançando a alguns metros próximo da mureta que separava uma das pistas com a divisória que protegia a todos do pequeno abismo de 50 metros, justamente a distância de uma queda livre da ponte até as águas do East River.
Pelo espelho retrovisor Bond ainda viu a confusão que causou o furo ao cerco policial, policiais retomavam seus veículos com a intenção de começar uma nova perseguição.
Bond virou uma esquina onde a rua era muito arborizada o que prejudicaria a perseguição dos helicópteros, o objetivo de 007 era camuflar o veículo dificultando a sua visibilidade do alto.
007 ainda dobrou mais duas esquinas com o objetivo de dificultar a perseguição por terra, e na primeira oportunidade que teve entrou em uma garagem subterrânea de uma rede de lojas de departamentos do bairro.
A ação se desenrolava com certa dose de apreensão, Bond sabia que nas ruas do Brooklin o contigente policial deveria ser enorme em questão de minutos.

Capítulo 17

Bond estacionou bem na parte dos fundos da garagem, rapidamente abriu a porta e foi até a traseira do furgão.
_ Porta com fechadura digital comandante Bond. De dentro do furgão François dera o alerta, Bond reparou que a porta era programada com um sensor digital, só deveria ser aberta pelo lado de fora por alguém com a impressão digital mapeada e programada para tal procedimento.
Bond mais uma vez ficou eternamente grato ao amigo Q, 007 vasculhou os bolsos e encontrou a caixa contendo as foto-células adesivas presenteadas por Q ainda quando Bond estava no Egito. 007 seguiu as orientações de Q, colando uma das foto-células ao dedo e apertando-o contra o dispositivo de impressões digitais.
Como em um passe de mágica Bond sentiu que a porta destravou, ao abri-la 007 observou que o policial Perkins estava deitado no chão desacordado, François estava sentado e tinha os braços imobilizados pra trás, Bond notou que o terrorista havia se ferido com um corte no supercílio.
_ Desculpa pela minha desastrosa direção – disse Bond lacônico enquanto encarava François
Bond agarrou o terrorista pelos braços deu alguns passos em direção a um Citroen Sedan estacionado próximo dali.
007 usando das chaves michas que sempre levava consigo abriu a porta do carro e empurrou François no banco de trás, Bond tinha a cabeça abaixada na altura dos contatos da chave de iguinição quando ouviu uma voz.
_ Saia do carro agora.
Quando Bond voltou-se a atenção para a janela viu o policial Perkins apontando-lhe uma arma, era visível o estado do policial, sonolento e um tanto atrapalhado ele tinha dificuldades de manter a mira.
Bond ergueu as duas mão na altura da cabeça.
_ Saia do carro devagar, gritou Perkins.
Bond abaixou a mão esquerda de uma forma tal que antes de abrir a porta retirou do bolso a caneta presenteada por Q.
Perkins tinha os reflexos prejudicado pela droga ingerida na goma de mascar e por isso cambaleava um pouco.

_ O que é isso na mão policial, jogue isso e deite no chão falou Perkins aos gritos.
E foi tudo que o policial falou antes de receber um golpe de Bond desferido com os pés, o golpe conhecido no kung fu como “ba ji quan” desarmou Perkins, a arma foi jogada longe dele, rapidamente recuperando-se do golpe o policial investiu meio que desajeitado contra 007 que apenas acionou o dispositivo da caneta contra um dos braços do policial.
Perkins perdeu todas as forças e caiu desacordado no chão da garagem em virtude da descarga elétrica disparada pela caneta.
Bond olhou pra dentro do Citroen e observou François com os olhos fixos pra fora.
_ E você, brincou Bond, não ia me ajudar.

François não respondeu nada.
O transbordo estava feito.
Bond imaginava que quando o furgão abandonado fosse encontrado ele já deveria estar bem longe dali.

A fuga

O objetivo de Bond era "rodar" pelos bairros de Nova Iorque até próximo da hora combinada com Ahmed para que fosse realizada a troca entre os prisioneiros, uma rápida olhada no relógio fez 007 desanimar, ainda era 3 da tarde e eles ainda tinham muito tempo.
Então Bond resolveu deixar o Brooklin com destino a região do porto.
Bond dirigia tranqüilo com os olhos atentos em todos os lados, François ia deitado no banco de trás e a todo momento fazia algumas brincadeiras direcionadas a Bond.
007 tinha a atenção voltada para o trânsito, de repente todos os seus medos vieram a tona de uma só vez, bem a sua frente havia uma batida policial.
Bond pode perceber que um dos policiais que estavam na operação era o agente Truman do FBI, 007 tinha poucos segundos para uma reação.
Bond fez uma rápida avaliação do local, e chegou a conclusão de que não havia como romper o cerco na força, pois estava encurralado no trânsito e não havia praticamente nenhuma saída para uma retirada rápida e segura, o local onde o Citroen estava parado era uma espécie de elevado, logo abaixo a cerca de uns 5 metros havia um pequeno parque.
007 parou pra pensar por alguns segundos esgotando em sua mente todas as possibilidades obvias de uma fuga segura, na sua opinião as hipóteses beiravam a loucura, 007 chegou a conclusão que havia duas probabilidades de fugir do cerco.
A primeira era a de sair do carro andando, mas com François preso com algemas seria uma idiotice escabrosa.
A segunda e também nem tanto racional era manobrar o Citroen de tal modo que 007 pudesse jogá-lo do elevado a cerca de 5 metros abaixo, não menos insano 007 resolveu que faria daquele jeito. Pediu que François se preparasse para uma retirada inusitada, aumentou o giro do motor, imprimiu potência, esterçou os pneus para a direção da pequena proteção na beira do elevado, engatou o carro e partiu.
O carro se chocou contra a mureta bruscamente, deslizou no vazio por alguns metros abaixo e despencou com as duas rodas da frente tocando o gramado do parque que ficava abaixo do elevado.
Quando o carro tocou o solo violentamente, a traseira ergueu por um momento fazendo com que François fosse projetado contra o a parte interna do vidro pára-brisas do veículo, o carro ficara semi-destruído no chão do parque, Bond abriu os olhos e pode perceber que resistira ao impacto, amontoado ao seu lado estava François ofegante mais vivo – e isso era o que importava naquele momento.
Bond abriu a porta do carro, estendeu a mão arrastou François pelos braços e empreendeu fuga em meio a pequena floresta do parque, 007 sabia que seria seguido por todos os policiais em serviço nas imediações e depois pela SWAT, FBI e quem mais estivesse a serviço da policia de Nova Iorque naquela tarde.

Bond enquanto caminhava sentia dores por todo o corpo, na boca um gosto característico – era sangue, uma parte dos lábios fora cortados no acidente de minutos atrás, as costelas queimavam, um dos joelhos mais parecia uma bola de futebol americano devido ao inchaço que se apresentava.
Os dois tinham os corpos em frangalhos, mas não havia tempo para descanso pois 007 tinha hora marcada com Ahmed e Bond carregava consigo um costume que era o de não se atrasar nunca em seus compromissos.
Até a região portuária 007 e François caminharam por debaixo das ruas, Bond encontrou no parque um duto subterrâneo de esgoto, sem um caminho mais seguro a frente Bond optou pelo buraco.
Bond havia feito um estudo preliminar das redes de esgoto e encanamentos subterrâneos daquela região enquanto planejou o plano. Ele sabia que todos aqueles túneis subterrâneos terminavam no porto.

Capítulo 18

007 chegou ao Píer 17 perto do horário marcado por Ahmed, a caminhada por debaixo das ruas em meio ao esgoto fora demais desgastante para os dois, Bond sentia dores lancinantes por todo o corpo, fruto dos hematomas que adquirira naquele dia durante o mirabolante resgate de François, 007 sabia que uma ou duas costelas suas haviam sido fraturadas na ação de horas atrás.
Um pouco de sangue ainda escorria do supercílio, a boca estava seca e a respiração era ofegante.
Bond sorvia o ar pesado do porto com alguma dificuldade, mesmo que aquele ar era muito mais aprazível do que o odor deletério dos túneis por eles percorrido a pouco.
Ferido, resistência baixa, tinha os extintos como único aliado naquele momento, Bond ia guiado por eles.
François ao seu lado também ressentia das quedas e dos ponta-pés que sofrera durante o resgate, o terrorista ainda tinha os braços presos à algema.
007 sentia calafrios, o vento no Píer era forte e congelante naquele momento.
O local era inóspito e frio, a corrente de ar marítima trazia a umidade salobra do mar.
Bond tinha François sob seu domínio, conduzia o terrorista através das algemas que prendiam os seus braços, François andava com dificuldades, não raro se atrapalhava com as próprias pernas e tropeçava diminuindo o ritmo dos passos de Bond, a todo o momento fazia chacotas a James Bond, chamando de “Meu Herói”, François tinha uma voz fraca e por vezes proferia algumas frases em árabe, que eram ignoradas por James Bond por desconhecer o idioma.
007 olhou pra François que ria desvairadamente e pediu silêncio, o pedido veio acompanhado de um safanão.
O terrorista entendeu o pedido e silenciou.
O silêncio só era quebrado quando a placa de latão com a inscrição “Depósito de cargas - Píer 17” se movia gerando um ringido aterrorizante toda vez que o vento frio soprava do mar para o continente.
O cheiro nauseabundo do local se misturava ao forte odor de pescado.
Bond caminhava com muito cuidado, tinha a beretta engatilhada na mão esquerda, a escuridão só era disfarçada por uma única lâmpada amarelada no alto de um poste próximo ao galpão.

Por um momento Bond imaginou ter ouvido sussurros abafados vindos do breu a sua frente, mas a visibilidade quase zero impedia-lhe uma observação mais apurada que pudesse identificar a procedência do som.
O ambiente era fantasmagórico, 007 pode observar ao longe o som das ondas do mar arrebentando-se nas pedras na orla marítima.
François seguia-o calado.
007 parou na entrada de um galpão, a sua frente o escuro era total.
Silêncio.
O vento cessara pelo menos por hora.
O mar ao longe era o único som audível além da respiração compassada de François ao seu lado.
Era indiscutível que a apreensão gerava em Bond uma expectativa enorme pelo desfecho de todo aquele pesadelo.
Bond iria permanecer ali e esperar por Ahmed para que fosse efetuada a troca de François pelo filho do embaixador americano.
Mesmo armado 007 sabia que deveria evitar ao máximo um enfrentamento já que o garoto estaria ali em qualquer lugar, e a integridade dele deveria ser preservada a qualquer custo naquela operação.
Atendo Bond consultou o relógio, auxiliado pela luz "pálida" do visor observou que passava das 10.
Até aquele momento quase tudo dera certo, só restaria alguns minutos para que tudo se resolvesse pensava Bond.
007 permanecia atento aos mínimos detalhes. Na ausência de uma boa visibilidade Bond compensava-a pelos outros sentidos, como a audição.
De repente o silêncio foi quebrado por François.

Baseando-se na teoria que diz que a preocupação é um dividendo pago ao desastre antes do tempo, conscientemente Bond relaxou os músculos, esvaziou a mente repleta de hipóteses e aguardou os minutos que estariam por vir.
_ James Bond libertou François Sallameh – o terrorista, isso dará uma bela manchete amanhã sussurrou François irônico.
Bond ignorou o comentário debochado, ele continuava com os olhos e os ouvidos atentos.
De repente Bond ouviu um som, parecia que algo se arrastava no chão, o som praticamente inaudível se misturava com a rebentação das águas do mar ao longe.
Bond apurou a audição e pode identificar os sons.
Eram passos, 007 esperou mais um pouco e percebeu que eles vinham de longe.
Aos poucos o som foi se tornando mais nítido, Bond sabia que eles vinham na sua direção, porém a escuridão não permitia identificar as pessoas que se aproximavam.

Enfim ouviu-se uma voz na escuridão.
_ Comandante Bond, tinha certeza que viria ao encontro combinado.
007 imaginou conhecer aquela voz masculina e gutural.
A voz prosseguiu.
_ Trouxe-me minha encomenda?
A pergunta soou familiar.
Por alguns segundos o silêncio voltou a dominar, agora ainda mais sombrio, pois 007 sentiam-se cercado por inimigos em meio e escuridão.
A voz que Bond ouvira não era de Ahmed, porém 007 tinha certeza que já havia ouvido aquela voz rouca e pesada.
Bond permanecera calado.
Enfim uma voz conhecida e identificável.
Era Ahmed e falava árabe.
Bond pode perceber que Ahmed falava com François, pois ao seu lado o terrorista respondia as perguntas feitas pelo ancião.
_ E o garoto? Está com você Ahmed!Questionou 007 com voz forte.
De repente fortes luzes inundaram o galpão.
Em completo contraste com a escuridão, as luzes vindas de alguns refletores posicionados no teto do galpão por segundos cegou Bond.
Com o dorso da mão esquerda sobre os olhos, a mesma que segurava a Beretta 007 esperou que a sua visão se acostumasse com as luzes.
Com uma mão segurando a arma e a outra segurando as algemas junto aos braços de François, Bond puxou o para o chão.
Sentindo o solavanco pra baixo em direção ao chão frio e úmido do galpão François se ajoelhou.
Bond colocou a arma apontada para baixo na direção da cabeça do terrorista.
A sua frente pode perceber Ahmed, Natasha e ao lado deles o homem que havia se passado por Ahmed no Egito.

O tal homem, aquela criatura estranha gorda e com ar de maníaco, se aproximou de Bond com um sorriso macabro.
_ Senhor Bond, como tem passado, deixe apresentar-me, sou Muhamad Hadgain, vim até Nova Iorque dar uma “mãozinha ao meu irmão Ahmed”.
Bond reconheceu o homem. Muhamad na verdade era o homem que 007 conhecera na casa de banho Pyramids Road Giza no Egito.
007 com a arma apontada para François respondeu.
_ E as flores como estão?
O homem com aspecto sorrateiro brincou.
_ Prontas pra enfeitar o seu esquife senhor Bond.
Ahmed logo atrás os advertiu.
_ Calem-se.
Bond pode ver que Natasha portava uma metralhadora.
_ Onde está o garoto? Indagou Bond mais uma vez.
_ Tudo bem Comandante vou mostrar-lhe o garoto falou Ahmed.
Alguns segundos se passaram até 007 ouvir som de pneus.
Um carro se aproximava.
Um automóvel Mercedes parou próximo a Ahmed.
Bond tinha a arma engatilhada próximo à cabeça de François, não pensava em usá-la, mas tinha que manter uma posição intimidadora.
007 observou que a porta traseira da Mercedes se abriu, Natasha foi até o carro e retirou com certa violência o garoto, Bond reparou que ele tinha preso ao corpo um colete de couro.
_ Comandante aí está o filho do embaixador! Disse Ahmed.
_ O garoto tem preso ao corpo cerca de 10 quilos de explosivos, portanto esqueça qualquer truque avisou Natasha.
_ Deixe François aí mesmo e se afaste Comandante gritou Ahmed
_ Primeiro retire os explosivos do corpo do garoto exigiu Bond.
_ Só depois que entregar a sua arma disse Muhamad.
O impasse estava colocado, todos ali tinham movimentos nervosos, o garoto ao centro estava quieto, mas sua fisionomia denunciava o terror.
Bond tinha um olhar panorâmico, fitava Natasha – Ahmed – Muhamad ao mesmo tempo, com movimentos lentos e medidos 007 se abaixou e depositou a arma no chão.
Não lhe restara alternativa, seria muito arriscado tentar algo naquele momento.
_ Ahmed conferia os movimentos de Bond, Natasha tinha-o na mira de sua metralhadora.
Bond ainda imaginava que dentro do carro devesse haver homens armados até os dentes prontos para defender o grupo.
_ Bond se aproxime lentamente, deixe François onde está ordenou Natasha.
007 fitou François com olhar insano, o terrorista zombou-lhe fazendo um sinal malicioso com os olhos.
Bond voltou o olhar na direção do terrorista levantou os braços e caminhou em direção de Natasha.

007 tinha o olhar fixo no garoto.
Natasha foi ao encontro de Bond, ao se aproximar desferiu-lhe um golpe no rosto com a coronha da metralhadora, Bond caiu.
_ Tinha certeza que um dia cairia aos meus pés comandante, brincou Natasha.
Ahmed se aproximou de onde Bond estava caído e falou.
_ Senhor Bond, meu plano está quase terminado.
Ahmed tinha no olhar a certeza da vitória.
Com movimentos cadenciados prosseguiu:
_ Quero que preste muita atenção agora.
Muhamad foi até François e o abraçou. Os dois falavam árabe.
O tom de voz era forte e os dois gesticulavam muito.
Ahmed também se aproximou François ainda tinha as algemas prendendo lhe os braços.
Bond estava no chão, mesmo assim tinha a atenção voltada aos três, Natasha tinha a arma apontada para 007.
Ahmed enquadrava com um olhar sério François, Bond observou que havia um certo desdém na fisionomia de Ahmed.
Começaram a falar em tom grave, em alguns momentos François parecia argumentar algo a Ahmed.
Bond não entendia o idioma, mas imaginava que haveria ali um pequeno “acerto de contas”.
Passaram alguns minutos e Bond notou que François tinha um olhar triste.
_ Ahmed, fiz o que me pediu agora me entregue o garoto argüiu Bond ainda no chão.
Natasha desferiu-lhe um chute.
007 emitiu um som de dor, se contorceu no chão, mas permaneceu consciente.
_ Por favor, não desmaie agora comandante Bond o senhor precisa ver algo, falou Ahmed.
James Bond sentiu que algo estava errado.
A primeira impressão de 007 era que havia caído em uma armadilha, ao fundo o garoto ouvia tudo estático.
007 estava ferido deitado aos pés de Natasha.
Ahmed olhou na direção do irmão Muhamad e estendeu-lhe a mão.
Muhamad retirou uma pistola do bolso interno do paletó e entregou a Ahmed.
Bond reconheceu a arma – era uma Glock 9mn, parecida com uma que ele havia visto na casa de banho de Muhamad no Cairo.
Bond pressentiu o pior.
Poderia estar a poucos segundos do fim. Desarmado, ferido e caído - não havia ali estratégia nenhuma que pudesse salvar a sua vida e a do garoto.
Ahmed o havia traído, Bond caíra em uma armadilha fatal.
Logo lembrou das palavras de M.
“Nunca devemos fazer pacto com terroristas”
M era um sábio. Sabia das coisas – pensou.
Ahmed olhou Bond no chão com um olhar de comiseração.
_ Comandante Bond, sou grato por ter trabalhado pra mim, por favor, levante-se.
Bond já pressentia o pior, movimentou-se a procura de forças que o fizesse levantar-se, notou que Ahmed lhe oferecia a mão para ajudá-lo.
_ Isto Comandante, peço desculpas por Natasha ela é assim mesmo, um tanto intempestuosa, disse Ahmed com um olhar preocupado com a integridade física de Bond.
Ahmed colocou um dos braços no ombro de Bond e caminhou ao seu lado em direção de onde estava François.
_ Comandante sou um homem que presa muito à gratidão, lhe serei grato por ter salvado a nossa organização.

007 tinha o olhar fixo na arma na mão de Ahmed.
Ahmed virou-se para Natasha e fez apenas um sinal com a mão.
A ex agente da KGB se aproximou do garoto Paul Collins, e lhe tirou o cinturão com os explosivos.
_ Comandante Bond o garoto em breve estará livre, você cumpriu o prometido e o mínimo que posso fazer é devolver a recíproca – François em troca do garoto.
Havia ali um clima de instabilidade que Bond não entendia.
_ Na mesma medida que aprecio a gratidão reprovo a traição.
Naquele momento Ahmed apontou a arma na direção da cabeça de Bond.
A tensão alcançara ali o seu apogeu.
Bond estava refém do destino, nada iria salvá-lo.
François ao lado tinha um sorriso tétrico,irônico ao extremo soltou a frase que Bond tanto conhecia:
_ Só se vive duas vezes 007!

Depois disso nada mais foi ouvido de sua boca, essas foram as suas últimas palavras.
Ahemed com um gesto rápido, mudou a mira da Glock 9mm na direção da cabeça de François.
Não houve tempo para reação.
François teve o crânio esfacelado por um tiro à queima roupa. O terrorista desabou com os braços imobilizados pelas algemas.
Bond assistiu a tudo atônito.
Não acreditava no que via.
Ahmed demonstrando uma tranqüilidade imensa falou:
_ Comandante agradeço por ter trazido François até mim, tínhamos uma contra pra acertarmos e agora está tudo em seus devidos lugares, pegue o garoto e devolva-o para o seu pai.
Ahmed fez um sinal para que Natasha trouxesse o garoto até onde estava Bond.
Natasha se aproximou de Bond com o garoto.
Natasha demonstrando toda a sua arrogância entregou o garoto a Bond sucedido de uma frase:
_ Comandante Bond aí está o garoto, e não se esqueça nunca que estamos te fazendo um herói nacional, você vai voltar para a sua Rainha mais herói do que nunca.
Ahmed entrou na frente da ex agente da KGB e concluiu.
_ Espero que um dia me retribua por isso comandante!
Ahmed ,Natasha e Muhamad entraram na Mercedes e deixaram o local.
007 encarou o garoto que tinha um olhar sereno porém um pouco assustado.
O garoto retribuiu o olhar a Bond e indagou-o:
_ É hora de ir pra casa comandante?
Mesmo sendo ainda um garoto 007 pode ver em seus olhos toda a coragem que o manteve forte em todos os dias em que esteve com aquele bando de terroristas.
Bond abaixou-se olhou diretamente nos olhos do garoto e respondeu.
_ Sim, agora podemos ir pra casa Paul.

Final


Na sala de M (são e salvo)

_ Parabéns Bond, o garoto já está em sua casa com o embaixador, pra efeito diplomático os jornais estampam em suas manchetes o trabalho brilhante da Cia e do MI6 no resgate do garoto, declaramos para a imprensa que o garoto foi seqüestrado por um grupo palestino e que o recuperamos em um campo de refugiados em algum lugar do Sudão.
M foi enterrompido por Moneypenny, a secretária entrou sem bater e segurava uma pequena bandeja com bule, duas xícaras tudo acompanhado de scones de queijo e bacon além de pequenos sanduíches de pão de tomate e ervas, um recipiente contendo uma medida de glacê de laranjas completava aquilo que se chamava na Inglaterra de Chá das cinco.
_ Obrigado Moneypenny, agradeceu M.
007 observava calado Moneypenny depositando a bandeja na mesa de M.
_ Espero que gostem disse a secretária com um olhar malicioso na direção de 007.
M serviu se de uma xícara de chá enquanto dava continuidade a um relatório oral das medidas tomadas pelos governos americano e inglês em relação ao resgate do garoto.
Bond ouvia tudo enquanto lia um pequeno agradecimento do presidente dos Estados Unidos endereçado ao governo britânico enfatizando e parabenizando-os pelos esforços na operação que libertara o garoto.
Avesso aos chás das cinco, uma tradição britânica, Bond achava que o chá era o culpado por todas as tragédias históricas vividas pela Grã Bretalha ao longo dos séculos.

M sabia a posição de Bond sobre o assunto por isso sequer ofereceu uma xícara ao agente, porém não deixou de fazer uma dissertação sobre o chá.
_ O chá das cinco foi lançado na Inglaterra por volta de 1830 pela Duquesa de Bedford. Era uma oportunidade para exibir maravilhosas peças de porcelana e prata. Logo foram criadas regras de etiqueta para o serviço de chá e receitas que fariam parte do cardápio como: torradas com manteiga, geléia ou mel; scones, muffins, bolos e uma grande variedade de biscoitos e pãezinhos.Só no final do século XIX, é que o chá se propagou no continente europeu, especialmente nas grandes cidades. Na França surgiram famosos salões de chá, na primeira metade do século XX, onde as damas da sociedade se reuniam para degustar o chá das cinco, que além de chá passou a ser servido também café, chocolate quente, drinques leves, saborosos petit-fours, sanduiche croque-monsieur.
_ Onde quer chegar com essa história M ?
_ Deixa pra lá 007, repondeu o chefe do MI6 com certa irritação.
M apontou para a folha de papel na mesa, a mesma que a pouco Bond estava lendo.
_ Viu Bond, o próprio presidente dos Estados Unidos escreveu esta menção em agradecimento ao nosso governo pela operação.
007 voltou o olhar a M com desdém.
M falava com um semblante tranqüilo e alegre enquanto tinha um charuto por entre os dedos da mão direita, Bond fitava-o com uma expressão mais séria.
_ Por que Ahmed queria François para depois matá-lo? Indagou Bond.
_ Caro Bond, François se tornou um delator assim que caiu nas mãos da justiça americana, ele entregou todos os detalhes de uma zona de treinamento de terroristas no Líbano no mês passado, o local foi bombardeado pela aeronáutica Israelense e suscitou a desconfiança de Ahmed, em contato com outros presos muçulmanos que estiveram presos com François Ahmed ficou sabendo de tudo.

_ Então Ahmed matou François para calá-lo?
_ Isso mesmo Bond, François tinha mais informações e estava negociando-as com o Pentágono, ele iria pra lista de proteção a presos que colaboravam com a justiça americana, por isso Ahmed tramou o plano pra eliminá-lo.
Bond tinha um olhar perdido por entre a cortina entreaberta da sala do chefe do MI6.
_ Ah tem mais uma coisa Bond, recebi um memorando agora pouco de Felix Leiter, a Cia está no encalço de Ahmed, Muhamad e a ex-agente Natasha Stepanova foram pegos tentando embarcar para o Egito, tentaram resistir à prisão e foram mortos por agentes da Cia; portanto esqueça os dois, e quanto Ahmed acreditamos que não deva ir muito longe, enfim esqueça ele também, esse assunto agora é com a Cia.
Bond ouvia tudo com ar de ceticismo.
_ Quero dizer lhe que está liberado para retornar as suas férias, onde estava passando férias mesmo? Kingston não era? Então volte pra lá Bond! Disse M feliz por devolver as férias para James Bond.
_ Não M; prefiro mudar de ares disse Bond.
_ E pra onde vai então? Perguntou M curioso.
_ Alasca! Respondeu Bond no mesmo momento que deixava a sala de M evitando assim ter que dar qualquer tipo de explicação.

FIM DE “007 A SERVIÇO DOS INIMIGOS” JAMES BOND ESTARÁ DE VOLTA EM “OPERAÇÃO BLAUENFELDER”

LEIPZIG – ALEMANHA

UM CÓDIGO DE GUERRA NAZISTA ESCONDIDO POR MAIS DE 60 ANOS EM UM SUBSOLO DE UM DOS PRINCIPAIS MUSEUS DA EXTINTA ALEMANHA ORIENTAL PODERÁ RESSUSCITAR O PESADELO DE UMA CATASTROFE MUNDIAL SEM PRECEDENTES.
O QUE DEVERIA TER SIDO COLOCADO EM PRÁTICA NO NUBLADO DIA DE 06 DE JUNHO DE 1944 NA NORMANDIA POR ALGUM MOTIVO EXCLUSO FOI PARAR EM UMA CÂMARA SUBTERRÂNEA NA CIDADE DE LEIPZIG, O SEGREDO FICOU ADORMECIDO POR MAIS DE MEIO SÉCULO MAS AGORA POR ALGUM MOTIVO ALGUÉM DETÉM O CÓDIGO TAMBÉM BATIZADO COMO “O CÓDIGO DA MORTE” E A SUA REVELAÇÃO PODERÁ SE TORNAR UM ENTRAVE PARA A MANUTENÇÃO DA PAZ MUNDIAL.


NÃO PERCA A PRÓXIMA JAMES BOND FANFICTION – “OPERAÇÃO BLAUENFELDER” – EM 2009.


007 A SERVIÇO DOS INIMIGOS - DOWNLOAD ARQUIVO WORD

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